Pedro, ao vê-la diante de si, não suportou tamanho alívio, tamanho amor, tamanha dor. Deixou-se cair, como um corpo morto. Quando os seus joelhos sentiram o áspero e frio chão, Maria correu em direcção a ele, agarrou-lhe o rosto, amparando-lhe a queda. Pedro, ao sentir a sua presença, libertou toda a sua lamúria, desembaraçou-se de toda a sua dor. Maria, diante dele, ajoelhou-se, muito lentamente. Não desviando o seu olhar dos olhos húmidos e ternurentos do seu amado, permanecendo com as suas mãos no rosto do mesmo. Num ápice, afagou-lhe o rosto. Beijou-lhe as faces, o queixo, a testa, os olhos, e por fim, os lábios. Pedro, acordou da sua agonia, e, muito gentilmente colocou suas mãos em torno da cintura de Maria. Beijou-a com todo o seu coração, com toda a sua alma. O ar tornou-se escasso, forçosamente separam-se. Apenas uns milímetros, abraçados e afogados no olhar amoroso, um do outro. Palavras não eram precisas, mas Maria merecia-as. Oh, se as merecia! Necessitava de lhe justificar a sua ausência, o seu abandono. A sua rudeza perante um ser tão precioso. Mas Pedro já o sabia. Uma mulher como aquela, tinha um coração composto de compaixão, perdão. Quando se beijaram, o sentimento que anteriormente existiu, permanecia lá. Pleno, coerente, irrevogável, incondicional, louco, ilimitado. Mas progrediu. Como se isso fosse possível. Foi fortificado. Por isso, Pedro já sabia que seria perdoado. Aliás, já fora perdoado. Mas mesmo assim, Maria merecia uma justificação, um pedido de desculpas, uma redenção. Oh, como se fosse possível estava mais bela! Não haveria uma mulher como aquela. Bondosa, simples e sincera. Era a sua vida! Sem ela não haveria motivo para viver. Ainda pousava as mãos, possessivamente, na sua cintura, ainda sentia o hálito doce de Maria, em seus lábios gretados. Novamente, perdeu-se naquelas duas esmeraldas brilhantes, repletas de amor, e sussurrou-lhe, com o seu olhar de culpa:
– Perdoa-me.
Aguardou alguma reacção, ou uma palavra ríspida vinda dela. Apenas persistia o brilho dos seus olhos verdes, cheios de amor, compaixão… perdão. Perdão. Aonde fora ela buscar tamanha coragem? Perdoar o homem que lhe roubou o coração, e o despedaçou? Não havia mulher como aquela. Vivia pelos outros, colocando sempre os outros à sua frente. Reformulando o desabafo da alma: apenas vivia por Pedro, somente por ele. Colocando-o acima de tudo, acima de si própria. De novo, beijou-a. Como se esperasse uma reacção brusca, um grito pedindo que desaparecesse ou um choro pungente de ver. Nada disso se sucedeu. Maria, ansiosa pelas saudades, quis matá-las – duma só vez. Aprofundou o beijo, encostando-se, o mais possível contra o corpo quente e musculado, do homem da sua vida. Pedro, detectou os sinais de ansiedade e nervosismo de Maria, progrediu, – como se fosse possível – puxando-a ainda mais para perto. Novamente, o maldito ar tornou-se escasso. Porque razão necessitava de ar, se tudo o que precisava estava ali… diante dos seus olhos, em contacto com o seu corpo, na posse das suas mãos?
Separaram-se desgostosos, e Pedro reparou que as palavras tinham sido poucas. Mas as acções tinham sido tão claras… mas era preciso esclarecer dúvidas, acabar com os receios. Colocou cada mão, gentilmente, em cada face do rosto de Maria, e sussurrou-lhe, olhando-a olhos nos olhos:
– Perdoa-me, Maria. Foi inadmissível a minha partida. Perdoa-me!
– Shiuuuu, Pedro…
– Não Maria, não me interrompas! Ouve-me até ao fim, depois poderás dizer que não me queres mais. Perdoa-me! Oh meu Deus, que idiota que eu fui! Eu amo-te, Maria! Eu amo-te! Eu amo-te!
– Oh Pedro, que absurdos são esses? Eu amo-te! Eu amo-te, Pedro! Que raio de idiotice foi essa? Não te querer mais? Como se isso fosse possível! Pedro, perdoou-te. Aliás, já te tinha perdoado à muito. Eu amo-te, não posso viver sem ti. Nunca mais, ouviste bem?
– Oh Maria, oh Maria! Meu amor, minha vida, eu amo-te! Como não ouvi? As tuas palavras são tão sinceras. Como não as ouviria? Seria impossível renunciar este meu amor por ti. Eu vivo por ti, Maria! Por ti!
Pedro, perdido naqueles olhos húmidos de emoção, e verdes como esmeraldas, beijou-a ao de leve, abraçou-a pela cintura. Maria perdeu as suas mãos no cabelo negro e sedoso de Pedro. Beijaram-se, mais uma vez. Olharam-se uma vez mais, apenas confirmando que não era ilusão, e espontaneamente os dois, como se fosse um eco, um reflexo, uma sombra, uma união, ao mesmo tempo, disseram:
– Amo-te!
Palavra por palavra, nota por nota
A literatura e a música completam-se. Pelo menos, a mim completam-me. Um vocábulo, uma palavra, uma melodia, uma nota, uma conjunção de ambos, e torna-se algo belo. Completo, pleno, satisfeito. Palavras expressam o que eu sinto, e a melodia completa ainda mais a sua emoção. Palavras e notas, corroem-me pelas veias, pela mente, pelo coração. Lentamente, a mão escreve, vagarosamente, a mão toca. Sente, explica, compõe, expõe. Tão simples quanto isto. Tenho que confessar, que a literatura preenche um enorme espaço na minha alma, e no meu coração. A música apenas veio completar o restante espaço livre.

Não me resta outra opção, a não ser esta. Tive que me afeiçoar a ti, tive que começar a depender de ti. Não julgues que foi uma obrigação, ou uma desesperada solidão que me obrigaram a tal. Simplesmente preciso de alguém. E esse alguém és tu. Sinto-te cada vez mais distante, e próximo simultaneamente. Não te sei explicar. Existem momentos, que sinto que te perco, e outros que te tenho. É anormal. Falamos todos os dias, e estamos quase todos os dias juntos, ou será que me enganei? Sinto esta necessidade. Necessito de ti. Como um conhecido, como um amigo. Novamente, digo-te que não te escolhi por desespero. Apesar de o ter perdido, sempre precisei de ti. Mesmo com a sua presença. Ou sem ela. És um amigo sem palavras, é gratificante puder conviver contigo diariamente. És fácil de gostar, já to tinha dito. És fácil de amar, aliás. Estar contigo é como desanuviar, abstrair-nos da realidade. É tal e qual isso. És uma paz inexplicável, um sossego acolhedor. Espero, que nunca tenha a oportunidade de te perder, por um segundo que seja. Afinal de contas, és o pouco que me resta. O pouco que existe de bom, em mim. Deixa-me só dizer-te, uma vez mais, obrigada. Muito obrigada, por tudo, será correcto dizer. Mas acima de tudo, obrigada por me fazeres rir, todos os dias, sem excepção. Gosto muito de ti, muito mesmo. Não te esqueças disso, independentemente do que surja.



(Para o meu Bruninho, que bem merece estas palavras)
Tencionava escrevê-lo no dia do teu aniversário, mas não tive coragem. Pensei que seria um pouco embaraçoso escrever-te algo. Aliás, nunca o fiz para alguém da família. Estes últimos tempos tenho aprendido imenso, acredita. Apesar de não o mostrar, aprendi. Estou mais velha, apesar de continuar as mesmas birras que todas as semanas se repetem. É da idade, como toda a gente. Agora, percebo o teu valor. A morte da avó foi algo que abalou bastante as nossas vidas, principalmente a tua. Eu reparo nisso, de facto surpreendeste-me. Não esperava isto de ti. Eu sempre soube que não eras de ferro, mas nunca pensei que te afectaria desta maneira, tão forte emocionalmente. Por vezes, tenho imaginado a dor que tens passado, simplesmente tento imaginar, mas não consigo. É insuportável! Nem conseguirei imaginar como será... e para te ser sincera não tenciono sentir algo parecido, brevemente. Apesar de quase todos os dias ser uma idiota em casa, contigo, com tudo. Tu sabes como é que, é difícil de lidar comigo. Eu estou a tentar melhorar, juro-te. Apesar, de o meu feitio não ajudar, afinal de contas, tenho a quem sair, não é verdade? A partir de agora gostava de ajudar mais. É algo que estou em dívida para contigo, penso isso. Nesta casa sempre foste o pilar principal dela. Quando surgia algo, eras sempre tu que mantinhas o equilíbrio. Sei o quanto eu e o pai, somos difíceis de aturar, mas todos os dias depois de vires do trabalho lá vêm a desgraçada aturar-nos. Depois dum belo dia de esforço e cansaço. Admiro-te imenso, és uma mãe espantosa! Acredita em mim, não estou a dizê-lo, para dar graxa como tu às vezes pensas. Digo-te, por vezes, em tom de brincadeira para não levares tão a sério, e não me sentir tão embaraçada. Todos os filhos dizem ou pensam que têm a melhor mãe do mundo, não será errado se eu pensar o mesmo acerca da minha, pois não? Afinal, és minha mãe e para mim serás sempre a melhor do mundo! Tens-me dado sempre tudo o que precisei, não me posso queixar. Sou bastante mimada, em absolutamente tudo. Todos os meus caprichos são concretizados. Tive sorte em ter uma mãe como tu. Há muitos que desejavam ter uma e não a têm. Eu tenho essa sorte, de te ter. Sempre depositas-te confiança em mim, isso importa bastante para mim. Confias em mim! És liberal, e dás-me a minha liberdade. Claro com regras, mas eu agradeço-as. Por vezes posso ficar irritada ou chateada pelo facto, de não me deixares sair naquele dia, ou pedir-te para me deixares sair à noite e não deixas... naquele momento vou para o quarto enfunada. Mas agradeço! Sei que me faz bem ter limites, e tudo tem a sua hora. Obrigada por teres sempre um pouco de paciência para mim, de me ajudares em tudo o que podes e por seres a mãe que és!
Afinal de contas, mãe há só uma!
Adoro-te, mamã!
(Já o fiz à um ano atrás, mas só hoje tive coragem de o publicar. E hoje fazes anos. Já agora, muitos parabéns Mãe! És uma mãe magnífica.)



Muitos beijinhos da tua filha, Sara
Apaixono-me um pouco mais, em cada noite. Sou sempre a primeira a ter o pijama vestido, e os dentes lavados. Deito-me, à tua espera. No instante seguinte, deitas-te sorrateiramente, pensando num: “não a quero acordar”. Ficas muito quietinho, à espera que eu me vire para o teu lado. Num ápice, viro-me, e encontramo-nos, olhos nos olhos. Com um sorriso maroto, pensas tu: “afinal, estavas acordada”. Esticas o corpo, e eu rendo-me. Coloco a minha cabeça, e as minhas mãos no teu peito, encosto-me o máximo a ti. E é aí, que começas a cantarolar-me muito baixinho. É impossível contrafazer, ou contradizer. Estou, por completo, rendida. Colocas a tua mão, lentamente, em volta da minha cintura. E durante toda a noite, aí permanece. Afastas-me o cabelo com a outra mão, e eu estico-me o máximo, até alcançar o teu rosto. Correspondes-me com um beijo, sem fôlego, e bastante entusiasmado. Volto a deitar-me em teu peito, e embalas-me. Acabas sempre, por repercutir o mesmo:
– Dorme bem…
Mas deixas sempre uma ideia no ar, nunca percebi bem o quê. Tenho a sensação que te falta coragem, de dizer algo mais. Um dia destes, quando o cansaço não vencer tão cedo, irei perguntar-te, se queres dizer-me algo mais. Volto a observar-te, inclino o rosto para cima, e sorrio-te de relance, e volto à posição anterior. Respiro fundo, e deixo-me levar. Pela tua cantoria suave, e pelas tuas mãos carinhosas. Nunca adormeci duma forma tão boa. Já não imagino adormecer doutra forma, a não ser desta.
Adoro aqueles momentos, em que perco a noção do tempo, solto as minhas gargalhadas sem pensar duas vezes, e esqueço-me dos modos de etiqueta. É agradável errar, por vezes. Pedir desculpa, arrepender-se. É um enorme sinal de coragem, destimidez, valentia. É bom, dizer uma ou duas palavras sem pensar, agir de cabeça quente. Coisas insignificantes da vida. Afinal, se fôssemos perfeitos, jamais teríamos que aprender, sofrer, ou tirar partido de algum acontecimento menos apropriado. Sinceramente, não errei em tantos aspectos, como pensei que iria errar. Tenho-me safado bastante bem, na qual designamos “vida”. O meu único defeito é reservar-me muito, restringir-me a pequenos momentos, e guardá-los com toda a minha força no coração, e não ter coragem para avançar. Tenho receio de abrir o meu coração a outro alguém. Abri-o duas vezes, abri-o de duas formas diferentes, para duas pessoas completamente opostas. E no fim, estatelei-me por completo no chão, e saí com o coração e a alma, totalmente torturados. Dizem que temos que aprender com a dor. Bem, o que eu aprendi com isto tudo, só foi fortalecer mais a minha personalidade, a minha ideologia. Reservar-me a mim, e somente a mim. E nunca, mas nunca entregar-nos de forma total a algo, ou a alguém. Ainda tenho uns bons anos pela frente, e tenho alguém que me espera. Alguém que espera o meu coração, e anseio que seja bem tratado. Não sei quem é esse alguém. Não o desconheço de todo. Apenas desconheço o seu nome, o seu rosto e seu amor. Mas brevemente terei conhecimento, dele e duma nova parte de mim. Uma parte de mim, que ainda não renasceu. Mas irá renascer.

Quero-te repleto de arcaísmos, inteligência, e doçura. Espero que saibas apreciar arte, seja ela, pintura, cinema, música ou literatura. Podes até, sussurrar as mais belas citações, dos grandes príncipes, ou a bela poesia que designa sentimentos, sobretudo o “amor”. Puxar-me para o teu peito, e permaneceremos em silêncio, apenas com a melodia, dos nossos corações palpitantes, desordenados e ansiosos. E antes de tudo, que me beijes a testa e me digas o quanto me amas. Todos os dias. Sem hesitação. Que tenhas um belo sorriso, e uma personalidade poderosa. Que sejas sobretudo espontâneo, romântico, persistente, lutador, corajoso, adulto… e belo, à tua maneira. E assim, serás o homem da minha vida
“Irrevogavelmente” foi o meu único pensamento. Senti a minha alma reconfortada, e o meu coração recheado. A forma dos sentimentos era tão desconhecida, mas extremamente agradável. A minha excepcional veleidade era perder-me em seus braços… e deixar que o ego e o desejo falassem mais alto. Perdi-me em seus olhos, e em seus braços. Tal e qual. “Avidamente” agora, fora o meu conceito. Render-me por completo, e deixá-lo chegar ao íntimo do meu profundo ser. Cada contorno, recanto ou pormenor, ele teve. Por um tempo indefinido fui sua. E ele meu. Esta posse, derrubava todas as barreiras que algum obstáculo pretenderia. Uma vez mais, perdi-me em si. E duas almas uniram-se numa só. “Eternamente” raciocinei.
A saudade é como a felicidade, até a um certo limite é merecedora. Depois, é exagerada. Na opinião dos outros, já não mereces nada. Era simples, concordar com eles, e ignorar tais factos. É pena, que não consiga. Era agradável dizer que já passou, e não volta. Aceitar, e seguir em frente. Pediste-me algo impossível. Lamento, dizer-to. Não foste o único, é verdade. Todos os dias, alguém se dirige a mim, com um tom frio e diz que não vale mais a pena. Mas, serão eles que sabem o que vale, ou não? Neste assunto, deveria ser eu a decidir. Aliás, a decisão já foi tomada, à imenso tempo atrás. Nada se reverteu, nem nada se irá modificar. O tempo não volta a atrás, mas isso não significa que as pessoas sejam esquecidas, ou ignoradas. O próprio tempo, normalmente, ajuda a sarar as feridas, facilita o esquecimento, e termina com o que perdurou sem regras, colocando um ponto final nele. No meu caso, o tempo colocou umas simples reticências, e não irão terminar. Ficou algo indeterminado, algo indefinido. Ainda hoje, continuo na dúvida. Se o que vivemos terá sido realmente sentido, verdadeiro. Tentei de tudo um pouco, e nada resultou. Estarei eu, a lutar por algo que não tem retoma? Talvez, esteja. É doloroso ver-te diariamente, perto de mim, e não puder ir ter contigo. É irracional, persistir este tipo de sentimentos, se não existe uma retribuição. Quem me dera, que estivesses a mentir. Quem me dera. Nem imaginas o quanto. Antigamente, a tua teimosia ganhava sempre. Será um reflexo do passado? Gostava que fosse, porque só quer dizer, que iremos ficar, novamente, bem. Iremos ficar juntos. Como sempre gostamos, como sempre quisemos. Uma parte de mim – enorme, aliás – diz que as coisas acabaram, de vez. Mas essa enorme parte, sempre me tentou iludir, para facilitar os momentos de dor, de saudade. Julgas que para mim, é tudo fácil, que não me custa, não te ter? Para ti, sempre o foi. Para ti, jamais houve dor, saudade, vindo da minha parte. Óptimo. Nunca desejei nada desta magnitude a outro ser. Não é nada agradável. E eu sempre quis, – e ainda hoje, quero – o teu bem-estar. Ainda não te acreditas que és tão importante, pois não? Será preciso passar o resto da minha vida, a dizer-to… e mesmo assim, no último dia, custará a perceber, não é? Pois, és mesmo tu. Típico, vindo da tua parte. Só quero que saibas, que mesmo, que não queiras saber mais de mim, que já não me ames, nem algo do género, quero que saibas, que eu não mudo nada do que senti até ao dia de hoje. Lembra-te, que: amar-te-ei para sempre.

Biografia

A minha foto
Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

Apreciadores