Para sempre

Segue o teu caminho... Sozinho. Sem grandes emoções, afeiçoamentos ou alvoroços. Não corras riscos, nem deixes que te prendam ou te cativem. Vai andando pela estrada e não olhes para trás. A vida passa e tu não dás por ela. E nunca, mas nunca pares por ninguém ou te desvies do trajecto que tão sensatamente foi construído. Cada coisa no seu lugar, e tu no teu. Sempre a seguir o teu caminho, e não o dos outros.
Por muitos tropeços e joelhos esfolados que tenhas, não desistas e concentra-te no que vês diante dos teus olhos. Levanta-te sozinho, e sem nunca perderes o ânimo. O caminho é para a frente!
Ouve a tua voz interior, que  racionalmente te orienta e não te deixes levar por sentimentalismos externos.
Não te prendas a nada nem a ninguém, foca-te apenas no trajecto que tens que fazer e quando lá chegares... Perceberás o quanto foi agradável e suave a jornada. Sem sofrimentos, sem inseguranças e sem inquietações.
É preferível optar por uma vida sem grandes agitações ou desassossegos, assegurando a tua felicidade e bem-estar, do que sofrer devido às revoluções ou mudanças inconstantes do coração.
Vai andando, vagarosamente, e um dia lá chegarás. A plenitude espera por ti, mas até lá: nunca, mas nunca deixes que ninguém invada o teu caminho e te afecte a viagem. Não precisas de ninguém, e ninguém precisa de ti.
Vá Sara, não sejas tão “florzinha de estufa”… Tudo passa e tudo se resolve. Não sejas tão “fraquinha”, tu aguentas!
Tens uma cabeça por algum motivo. Deixa-te de lamúrias e sensibilidades e foca-te no que realmente interessa. 

Fico impressionada e ligeiramente assustada com a fraqueza da nossa capacidade emocional perante situações sentimentais extremamente trágicas… Tanto está tudo bem, estamos felizes da vida, como de repente, tudo muda e desaba. O que pensamos ser permanente e inalterável desmorona-se, sendo essa constatação tão dura como um murro no estômago dado subitamente. 
Como é possível estar fisicamente e emocionalmente radiante e no segundo posterior perceber que afinal estou miserável e dificilmente posso ficar ainda pior do que já estou? Agora consigo ignorar o que realmente se passa e fazer de conta que está tudo bem, mas meio segundo depois a fachada cai e as lágrimas invadem-me os olhos, preparadas para deslizarem pelo rosto sem parar e o pensamento de que está tudo perdido e já não há nada a fazer invade-me a mente. 
Quantas vezes precisamos de ser “espancados” para aceitarmos a constatação dessa dolorosa realidade e ter coragem de seguir em frente? Os milagres só acontecem nas histórias bonitas, na vida real não há milagres, só há perdas. 
Custa-nos assim tanto aceitar a derrota e seguir em frente? Somos tão, mas tão masoquistas e sádicos. E simultaneamente esperançosos… Pensamos sempre que se tentarmos mais uma vez vai fazer diferença, pois é-nos incutido desde pequenos que “tentar não custa nada”. Quem nos ensinou tal, esqueceu-se de avisar o que se sucede após a tentativa. A dor. Após a tentativa vem a dor, e só essa fica. Ninguém quer saber das tentativas. De que adianta tentar e tentar se o objecto da tentativa já faliu, já desistiu? É tempo e esforço gastos de forma inútil. 
E esta agonia que se apodera de nós, após a tentativa, só nos condiciona e não nos permite apostar no que realmente devíamos tentar. Disto retiro que nos devemos dedicar e estimar o que valorizamos e queremos enquanto o temos, depois já não vale a pena… Por muito que tente, não ocorrem milagres na vida real, por isso, por muitas tentativas, o que se perdeu não regressa. E ao constatar esse facto temos de o aceitar, não com mágoa, não com sofrimento, mas com sensatez, com racionalidade. 
Ai Sara, Sara… Sempre tão idealista e crente. Por muito que acredites em determinados valores que tanto tentas seguir afincadamente, não significa que se concretizem na vida real. Já tens idade suficiente para perceber que no mundo nem tudo é justo ou íntegro. 
Aprende com a vida: afinal, nem sempre os justos, os honestos e os correctos no fim ganham… Também sofrem e perdem como os outros. Não somos excepção. 
Consoante o tempo vai passando, a lista de prioridades que tão perfeitamente definiste num momento de paz, atendendo a tudo e todos, pensando ser possível chegar a qualquer parte do mundo no espaço de minutos, começa a desmoronar-se. Percebes que a lista feita inicialmente, pouco a pouco, vai diminuindo, e certas prioridades tão fulcrais primeiramente, vão sendo “riscadas” e tornam-se secundárias.
O tempo relativiza e a própria vida "dá-te que fazer" e distrai-te daquilo que tu consideravas tão importante no início.
O que não é possível dizer ou fazer hoje, deixas para o dia seguinte e assim sucessivamente, até que a tua própria consciência elimine o mais pequeno remorso de adiares e reduzir-se ao insignificante.
Aos poucos vais começando a perder o laço, a afeição, o vínculo que tanto importava, porque "hoje não dá" ou "não posso, tenho outras coisas para fazer". Mas isto é a vida... A vida é constituída por uma mudança constante e sucessiva de prioridades, pois o que hoje importa, amanhã já pouco nos diz.
Inocentemente, esperas dar atenção, amanhã ou no dia seguinte, ao que hoje, secundariamente, puseste de lado e diariamente esse pensamento te acalentará.
Até ao dia em que perceberás que aquilo deixou de ser uma prioridade tua... Mas o mais assustador disto tudo, não é a insignificância do que foi uma prioridade, mas sim a inconsciência de tal feito.
A minha primeira serenata poderia ser descrita por uma só palavra: indescritível, porém há que realçar pontinho por pontinho para que possa revivê-la sistematicamente, sem que a memória me traía. Há esta necessidade de descrevê-la ao pormenor, no caso desta minha “caixinha de arrecadações” se esqueça. Após um jantar imensamente agradável, repleto de caloiras entusiasmadas e doutoras bem-dispostas, seguiu-se o caminho para a tão esperada Serenata da Latada no largo da Sé Nova. Um caminho com uma subida íngreme, farto de estudantada trajada, escadas e rampas escorregadias, que foi feito na companhia da madrinha trajada e bem-disposta, que se queixou ao longo do trajecto da dificuldade em o subir. Chegamos antes da hora, o que nos permitiu encontrar um sítio com uma boa visibilidade para as escadas da igreja, onde se encontravam os intérpretes todos vestidos a rigor, usando imponentemente as tão famosas e clássicas capas e batinas da Universidade de Coimbra. Antes do verdadeiro espectáculo começar, fomos tirando algumas fotografias para daqui uns anos recordar e fomos comentando coisas aleatórias e demonstrando o enorme entusiasmo para o que se sucederia. Meia-noite. Finalmente, tinha chegado a hora. Lado a lado com a madrinha e aconchegadas pela capa preta, como já é tradição, fomos ouvindo os acordes da típica guitarra portuguesa e vozes angelicais entoando músicas que beiram a perfeição – não querendo ser exagerada. (Caso fosse exagerada diria que eram realmente perfeitas.) Com o desenrolar do momento esbelto, apercebi-me que estava abraçada à minha madrinha e ela a mim, e que esta chorava devido aos sentimentalismos que este acontecimento nos proporciona. Devido ao dilúvio não foi possível continuarmos até ao fim, porém a pequena parte que assisti, que vi, que ouvi e, - sobretudo – que senti, fizeram este momento um dos mais marcantes e inesquecíveis de toda a minha vida. Foi um momento perfeito, um acontecimento no qual não alteraria absolutamente nada. Até o tempo, apesar de ser prejudicial, deu outro encanto à situação. E quando dizem que Coimbra não se explica, sente-se… Finalmente, percebi o que isso significa. 


"Eu sei que nos amamos uns aos outros, mas o facto é que as amizades de Secundário, o que as une é o Secundário. Estar perto uns dos outros todos os dias, vermo-nos nos corredores. Quando acontece alguma coisa, não temos que fazer nada, nós já lá estamos. Assim que surgir a oportunidade, ficaremos preguiçosos, iremos seguir em frente e iremos esquecer-nos uns dos outros."
(Sábias palavras.)


Concretizei o meu maior sonho! Estou imensamente orgulhosa de mim mesma.
(Sem trabalho, sem sacrifícios não há nada. Eis o meu tudo!)
Quem me viu e quem me vê. Há três anos atrás, era uma menina frágil e chorosa que enfrentaria uma situação complicada e sozinha. Na minha perspectiva "naife" e totalmente dramática, seria o fim. Não teria nenhum ombro amigo, seria uma escola nova e a mudança seria tão radical que não aguentaria. Olhem só para mim, agora. Vagarosamente, conheci novas pessoas, enfrentei novos obstáculos – mais difíceis do que os anteriores. Terminei esta fase decisiva da minha vida mais madura, crescida, rica e perspicaz. Estes três maravilhosos anos mostraram-me que sou capaz de ultrapassar qualquer obstáculo, com a minha vontade e trabalho árduo. Mostraram-me, igualmente, bons ombros amigos e permitiram-me aperfeiçoar o meu lado amigável para com os outros. Espero levar algumas pessoas comigo para o resto da vida e as outras permanecerão no meu coração. Apesar de todas as falhas, contribuíram de alguma forma. Estes três anos foram repletos de sacrifícios, trabalho, angústias mas também de muitas pessoas e momentos agradáveis. Guardo estes três anos com imenso carinho na minha “caixinha de memórias”. Estes três anos foram uma espécie de teste, de prova para verificar se era realmente digna ou estava preparada para um futuro tão exigente e gratificante. Julgo ter passado no teste. E espero, ansiosamente, por realizar o meu maior sonho, o meu objectivo de vida que se avizinha a passos largos. 
Desde muito cedo que me foi incutido o princípio de: “sem trabalho, sem sacrifícios não há nada”, uma vez mais, acabo de comprovar que todos os sacrifícios, todos os esforços valem a pena. Gosto de concretizar os meus objectivos e desejos, mas com muito trabalho e sacrifício para tornar a concretização ainda mais saborosa. Estou imensamente orgulhosa de mim mesma! 
Nada, absolutamente nada é vão. Falta pouco, e não será agora que vais desistir. Por isso, ergue a cabeça e acredita que tudo irá correr bem. Tu mereces, trabalhaste para merecer. A felicidade aproxima-se a passos largos. Aguenta só mais um bocadinho, por favor. 
Está tudo prestes a terminar. Felizmente e infelizmente. Felizmente, porque todo este tempo, trabalhei para atingir esta próxima etapa da minha vida. Porém, infelizmente, é um fim agridoce. Lá se vão os amigos do Secundário. Amigos, esses que via e lidava todos os dias. Acabam-se as angústias e preocupações comuns. Deixam de existir aqueles momentos de descontração, antes de uma avaliação decisiva. Extinguem-se as conversas proibidas, mas tão saborosas, no meio de uma aula importantíssima. Desaparecem os sermões e resmungos por parte dos professores derivados da nossa distração ou risota uns com os outros. Tudo isto termina este ano. Independentemente de muita gente me dizer que as amizades continuarão. Poderão continuar, contudo, nunca mais serão as mesmas. Foi o Secundário que nos uniu. A nossa amizade evoluiu nas salas de aula, nos corredores e nas tardes de estudo. Tudo isso formou e fortaleceu a nossa amizade. E com o fim dessas coisas, a nossa amizade – como hoje a conhecemos – acabará. Resta-nos guardar estes três anos no local mais remoto do nosso coração e irmos, de vez em quando, reviver esses momentos. As amizades do Secundário poderão durar uma vida, mas nunca como esperamos que elas sejam. 
Independentemente do percurso que escolha ou siga, indubitavelmente, partilhei uma fase importante da minha vida com estas pessoas, e por isso, converteram-se em pessoas preciosas. Os seus defeitos aperfeiçoaram as minhas virtudes, e as minhas qualidades retocaram os seus pontos negativos. Parto com um pedacinho meu a menos, que se tornou vosso. Porém, parto mais rica, completa e abundante, graças à vossa amizade. 
Obrigada. Obrigada por estes três anos. Gosto muito de vocês.
Desejo-vos a maior felicidade e sorte do mundo. 



Apercebi-me de algo que somente acontecerá daqui a umas semanas ou meses: sentirei falta, amanhã, do que ignoro, hoje. Há certas coisas e pessoas que estou tão habituada, que se vulgarizam, e essa vulgarização fá-las menos importantes ou mesmo insignificantes, porém, o tempo e a distância criam um sentimento saudoso. É impossível não aceitar como certo ou comum o que vemos ou lidamos, diariamente, mesmo que tenhamos consciência de que nada é eterno. Já estou naquela fase em que usufruo o momento, mas simultaneamente, penso no seu fim e na sua fugacidade, provocando saudades. Sentirei falta das pessoas amigas, dos momentos aprazíveis e das coisas agradáveis, contudo, sentirei ainda mais falta das pessoas desprezáveis, das adversidades e dos aspectos negativos que predominam na nossa jornada. Sentirei falta de tudo o que é bom, mas sentirei falta, sobretudo, de tudo o que é mau ou abominado, pois tudo isso caracteriza o meu dia-a-dia, o meu quotidiano. E isso, felizmente ou infelizmente, mudará por completo. 
A fonte de consolo, de alento, de resistência deve residir dentro de nós próprios. Por muitos amigos, por muitos suportes ou ânimos existentes, cada pessoa tem as suas prioridades e essas, indubitavelmente, estão acima do teu próprio bem-estar. Tu és o único responsável pelo teu próprio bem-estar. Tens o dever de renovar as tuas energias. Tens a obrigação de te levantares, após teres uma mão ou um joelho esfolados da queda, e continuares o caminho. Não vale a pena criticar ou julgar, ou mesmo enunciar o princípio do egoísmo, porque ninguém tem a obrigação de te consolar cada vez que cais ou tropeças. Aliás, a diferença entre os fracos e os fortes, é que os segundos encontram força, esperança, vida interiormente, já os primeiros buscam-na nos outros. Considero-me uma pessoa razoavelmente robusta, pois, diariamente, reencontro vitalidade dentro de mim para que possa progredir. Afinal de contas, no final do dia, mais ninguém, além de ti próprio, estará preocupado com as rasteiras que a vida te prega.
Por isso: sorri e diz que estás bem, porque, sinceramente, ninguém se preocupa contigo. 


1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Respira fundo, Sara! Reprime as lágrimas. Controla o nervosismo e a ansiedade. Expulsa o pessimismo. Liberta toda a angústia. Esta situação, apesar de me perseguir todos os dias, parece que somente agora me fez acordar. Como se fosse um abanão brusco, rude, bruto. A minha vida decide-se, daqui a uns meros meses, e está tudo nas minhas mãos. Não sei qual seria o pior… Se estivesse pendente de terceiros ou somente de mim. Os meus esforços, os meus sacríficos, o meu trabalho alcançados até agora, não são o suficiente? É normal eu acreditar mais na possibilidade de não conseguir? Será a minha indução apuradíssima a dar-me um aviso ou é simplesmente o meu pessimismo crónico a sobrepor-se? Gostava de obter algumas certezas, de forma rápida. Isto resume-se a tudo o que sempre desejei, ambicionei, sonhei. Isto é a minha futura felicidade. Não me imagino noutro lugar ou a exercer outra função. É tudo o que mais quero, e quererei, para sempre. Atingir este objectivo resume-se ao significado da minha vida. Numa linguagem mais dramática e excessiva, mas não deixa de ser verdade. Eu nasci para isto. Eu preciso disto. Eu vivo por isto. Independentemente das complicações que esta escolha me forneça, eu aceito-as todas, de bom grado. Eu tenho consciência das futuras lágrimas vertidas, do nervosismo que me consumirá, dos sacrifícios e deveres que englobam esta decisão. Mas não me importo, lidarei com tal suplício de forma aprazível. Se estou tão disposta a todo este tormento, porquê que nenhuma alma caridosa – por exemplo, a minha – me dá um pequeno consolo e acredita que irei conseguir? Eu tenho que conseguir concretizar este objectivo! A minha felicidade depende dessa superação. Eu dependo dessa realização. Não posso falhar! Não posso errar! Não tolero desilusões. Já tive muitos erros e falhas ao longo da minha existência, não poderei perder algo tão importante. Mas por vezes, sinto que tornar-me-ei a falhada que sempre temi ser. 
Esta situação fúnebre coloca-me numa posição que tento ao máximo evitar. Recordo-me de todas as pessoas que um dia perdi, e que, no futuro, estou sujeita a perder. Porém, no meio deste aglomerado, há alguém que se destaca. Alguém que me acompanhou desde o meu primeiro dia de vida até ao último dia da sua vida. A minha última lembrança dessa pessoa, em específico, não é das mais agradáveis. Aliás, a meu ver, a nossa última lembrança de qualquer pessoa especial, nunca é agradável. Mas esta em concreto dilacera-me.  A inércia, o sofrimento, a enfermidade que se apoderava do seu corpo e denegria a sua alma tão caridosa, é o que predomina nas minhas recordações. Gostava tanto de saber onde tal alma reside, actualmente. Onde estás? Essa resposta resolveria todo o meu tormento, dúvida e dor que predominam na minha existência. Pois, este meu medo paranóico da morte aflige-me, continuamente, e assim será até ao resto dos meus dias. E esta preocupação do fim da tua existência poderia ser dissolvida. Para mim, existirás sempre, independentemente da circunstância. O afecto e o sentimento que sempre estiveram associados a ti, persistirão até ao fim. Enquanto eu viver, eles existirão. E recordar-te-ei, todos os dias da minha vida, sem excepção. Não tenho palavras para transmitir a gratidão que nutro por todo o carinho, mimo, educação e amor que me proporcionaste. Lamento imenso. Peço desculpa pela minha atitude egoísta, perante certas pessoas que tanto fizeram parte da tua vida, como fazem da minha. Mas simplesmente não consigo entrar num espaço que está impregnado de memórias tuas. Eu sei que onde quer que estejas, deves estar, terrivelmente, aborrecido comigo, mas eu sei que continuarei a ser a tua menina e que serei perdoada. Não imaginas a falta que me fazes. Amo-te tanto! Acho que nunca te cheguei a dizer isto… É mais um dos muitos arrependimentos que tenho às costas. Apesar disso, trabalharei todos os dias, para que te sintas orgulhoso de mim. E tornar-me-ei a mulher que tu tanto me disseste para ser. O que me custa mais, é constatar que apesar de desejar, imensamente, a tua presença, esta nunca mais retornará. Pelo menos, fisicamente. Pois, de forma espiritual, estarás, eternamente, no meu coração. Nos momentos mais difíceis recordo-me sempre do teu olhar orgulhoso e das tuas palavras doces, destinados só a mim. À tua menina. 
Querido e eterno padrinho, onde quer que estejas, descansa em paz. 
Tenho um enorme defeito. Um terrível defeito. Crio demasiadas expectativas em relação a certas pessoas, acabando sempre, por me desiludir ou sair magoada. Tenho que começar a emendar ou evitar esse erro. Já o cometi infindáveis vezes, que já é considerado um mau hábito, em vez de ser uma falha. Necessito de aprimorar esse meu engano se não, consequentemente, irei continuar a sofrer pelo insignificante e a crer no que não vale a pena.
(Provavelmente, sou eu que exijo demasiado.) 
É neste tipo de momentos  melancólicos, parados e deprimentes – que me assola uma necessidade de hibernar. Hibernar, literalmente. O meu cérebro tem dado voltas, e mais voltas, provocando dores de cabeça e choramingos por parte do meu lado sentimental. Preciso de descanso. Preciso de repousar de forma tranquila, serena, profunda. Necessito de desligar a minha mente. Mas apesar de reconhecer a necessidade de uma pausa, o meu cérebro, o meu próprio organismo, rejeitam qualquer tipo de descanso. O dia em que deixar de pensar, de reflectir, de analisar, de racionalizar estarei morta. Porque isto sou eu. A busca pela razão, a procura pela lógica, o uso da inteligência, o melhoramento dos argumentos. Tudo isso define-me. E eu não posso, nem quero mudar a minha essência. Queria somente, temporariamente, descansar. Queria que a minha consciência fosse de férias e me deixasse livre por uns tempos. Não é que a tenha pesada, pelo contrário, racionalmente, eu estou certa e isso não mudará. Nem mudarei de opinião ou de atitude, mas queria que a minha consciência me parasse de dizer de forma irónica: “Parabéns, uma vez mais, agiste de forma racional, como tu sempre queres.”; e, por outro lado, parasse de me apontar o dedo, dizendo: “Agora, aceita as consequências das tuas atitudes racionais.” A minha consciência é sádica. Não… eu sou sádica. A minha consciência é um massacre. Um autêntico massacre. Uma praga da qual não me consigo livrar, mas – a meu ver  é das faculdades mais preciosas que possuo. Jamais seria capaz de abdicar dela. Por isso, serei sempre assim. Todas as palavras ditas, todos os passos dados, tudo será analisado, minuciosamente, pela minha preciosa e masoquista consciência. Não eu me importo, já estou habituada, e é graças a ela que consigo analisar os meus erros e não repeti-los. É a minha consciência que me proporciona o senso de justiça que eu tanto idolatro. E me possibilita cumprir a ideologia  que desde muito cedo me foi incutida  do dever. Mas, infelizmente, tenho o coração nas mãos. E não sei o que fazer. A racionalidade nestas alturas foge, deixando-me sozinha. Preciso, definitivamente, de hibernar. Preciso de um romance do meu doce Eça de Queirós, de uma tigela cheia de grãos de romã e de muitos chocolates, e talvez um ou dois pacotes de lenços para que possa aliviar esta angústia toda.
(Enfim, quando perco toda a minha racionalidade, fico mesmo deprimente e deplorável.) 


Há certas coisas que nunca irei entender em toda a minha vida. Como é que uma atitude, uma única e singela atitude pode mudar tudo? Uma palavra, um pensamento, uma atitude. Uma só coisa pode mudar tudo. Uma atitude com uma postura altruísta, bondosa, caridosa, amigável, mas acima de tudo, racional. E uma pessoa, – como eu – que lhe predomina pelo sangue o pessimismo, a negatividade, por uma exclusiva atitude, duvida de todas as outras. Sejam boas ou más. Quer dizer, é algo tão típico vindo de mim, esquecer as partes boas. A minha mente, involuntariamente, realça todos os aspectos negativos. Não realça só, persegue-me com tal, até que chegue a um determinado momento em que me esqueça de todos os bons momentos que existiram e não tenho a capacidade de renovar o meu vigor. Terei que trabalhar mais nisso, mas neste preciso momento não tenho tempo para tal. Apesar do meu lado sentimental choramingar, não me arrependo do que fiz. O meu lado racional declarou-se, e rejo-me sempre por ele. 
Não sei se é o tempo penoso ou o meu estado de espírito desanimado, que me fazem ter estes pensamentos, estas sensações. Esta monotonia faz-me recordar os tempos em que a minha mente e o meu coração não possuíam qualquer pausa. Aquela excitação do primeiro amor, aquela dor suicida, aquele amor tresloucado e imaturo, aquela paixão desenfreada, aquela sofreguidão, todo um conjunto de sentimentos e sensações violentas, radicais, soberanas. Tudo isso consumia-me a alma, o corpo, o coração e a mente. Tudo causado por um mero traste. Infelizmente ou felizmente, se fechar os olhos e tentar imaginar o seu rosto, recordo-me de toda a sua fisionomia, de todos os seus traços. Apesar de ter sido um crápula, tenho de reconhecer, era bonito. Não é que sinta saudades dele, ou de tudo o que me fez sentir de bom ou mau, é somente uma falta, uma necessidade de movimento, de agitação, de acção. E consequentemente, tenho que regredir a esses tempos e comparar a monotonia de hoje com o alvoroço que era há uns anos atrás. Ao retornar aos velhos tempos, sinto de forma mais subtil, mais leve, tudo o que senti naquela época, de bom ou mau, mas senti de forma marcante. Isto poderá até soar masoquista, e um pouco irracional, porque, actualmente, eu tenho conhecimento do que isto quer dizer, mas seria agradável sentir tudo isto de novo. Todos os altos e baixos. É tolo, sem dúvida alguma, mas seria aprazível, por outro lado. 
Acho que estou a começar a perder toda a minha inocência. Até uns dias atrás, todas as pessoas, a meu ver, tinham algo de bom, algo bondoso. Hoje, já não acho o mesmo. Posso confirmar que mais de meio mundo é sádico e invejoso. Num espaço curtíssimo de dias, vi de tudo. Vi inveja, hipocrisia, cinismo, sadismo, de tudo um pouco. Sentimentos que corrompem o ser humano. Aliás, acho que o ser humano, actualmente, – duma forma geral – pouco sabe sobre altruísmo, bondade, compaixão, sacrifícios, amizade, amor, lealdade. Todas essas coisas que assumimos serem características que acompanham o ser humano desde o seu nascimento, infelizmente, já não existem em abundância. Mas o que mais me revolta, não é o mal só por si só, mas sim, a sua irracionalidade, a sua falta de lógica e falta de motivos. E isso irá perseguir-me a vida toda. 
Há pessoas tão medíocres e mesquinhas. Há pessoas tão, mas tão más. Tão reles. A única solução para a sua maldade, para a sua podridão seria a morte, mas até essa foge. É um facto, haverá sempre pessoas que nasceram para nos atazanar o juízo, para nos tirarem do sério e para nos fazerem infelizes. Pessoas que desejam a nossa infelicidade, é o que mais há. Mas o que me perturba, é que eles não ganham nada com a nossa infelicidade. Por isso, podemos ver que o mundo é maléfico, sem qualquer razão aparente.
(Por isso, para todos os que desejam a minha infelicidade, lamento informar-vos, mas eu sempre consigo dar a volta. Mas continuem, tudo isso me dá ainda mais força.)  


Agora que tenho a oportunidade de repensar no meu passado, de forma muito mais racional, posso verificar todos os mínimos erros e todas as pequenas atitudes embaraçosas. Sinto que naquela época era tão, mas tão ingénua e inocente… E acima de tudo, estúpida. Sim, imensamente estúpida! Mas repensando e reavaliando tudo o que fiz, não me arrependo dum único gesto. Todas as minhas escolhas, todas as minhas atitudes, e todas as vezes que cedi e me calei, – porque os sentimentos falaram mais alto – tornaram-me no que hoje sou. E, actualmente, tenho imenso orgulho de quem sou. Mas, sem dúvida alguma, se hoje acontecesse, o que aconteceu há cinco ou quatro anos atrás, jamais agiria da mesma forma. Seria muito mais simples e não teria tanto sofrimento, pelo menos para mim. As pessoas que naquela época foram, loucamente, importantes para mim, duma forma tão cega… teriam sido, facilmente, descartadas. Por vezes, o que amamos não significa que seja o melhor para nós. E infelizmente, eu não me apercebi disso naquele momento, mas serviu-me de lição para os relacionamentos futuros. A menina que se sujeitava a tudo e perdoava tudo esvaiu-se, a menina que amava de forma insensata e incondicional começou a moderar os seus sentimentos, a menina que se entregava de cabeça, sem questionar nada, pondera cada passo… Concluindo, a menina faleceu, e deu lugar a uma mulher. Sim, uma mulher. É o único proveito que retiro de todo o meu passado pungente e deprimente, foi a maturidade e o crescimento que obtive. O que é um pouco irónico, porque isso provém das pessoas infantis e, talvez cruéis, que já conheci em toda a minha vida. Pessoas que colocavam os seus caprichos como prioridade, em vez das pessoas que se preocupavam realmente com elas. Mas isso não importa, actualmente. São “águas passadas”. Hoje em dia, sinto-me bem, feliz e completa, sem o meu passado. Libertei-me dessa prisão, que se caracterizava por dor, mágoa, remorsos, culpa, orgulho e das pessoas que causaram tudo isso. Estou livre. Terminei um capítulo da minha vida, tenho um livro inteiro para escrever, ou viver. Mas, apesar de todas as coisas más que me proporcionaram, que não valem a pena serem relembradas, – estão enterradas, e bem enterradas – forneceram-me aspectos fundamentais para ser o que sou agora. E por isso, deixo o meu enorme agradecimento por me fazerem crescer e mudarem a minha perspectiva inocente do mundo para uma muito mais realista.  
Daqui a um ano, se Deus quiser, estarei num sítio diferente. Estarei rodeada de pessoas diferentes. Estarei afastada das pessoas que, hoje, fazem parte do meu dia-a-dia. Mas, sobretudo, estarei longe das pessoas que mais me são queridas. Estarei longe dos meus colegas, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família. Da minha casa, do meu quarto. Do meu lar, do meu refúgio. Daqui a um ano, quando a necessidade apertar, não terei o regaço da minha mãe para me consolar. Ou num momento de ilusão, não ouvirei as sábias e rígidas palavras do meu pai. Chegou a altura, em que deixo tudo o que é seguro para trás, e atiro-me, de cabeça, para algo novo. E isso é algo que eu abomino, o que é estranho, pois a aventura, o desconhecido, fazem parte da juventude. Mas eu sinto-me tão bem no colo dos meus pais, e nos braços dos meus amigos. Porque sei que são seguros, fixos, permanentes. Sem se alterarem. E eu não gosto de mudanças, não gosto que as coisas me fujam do controlo. Gosto de reflectir no próximo passo que darei, antes mesmo de dá-lo. Mas é tempo de abrir as asas, e aprender a voar – por muito cliché que soe. É a mais pura das verdades. (Acho que a juventude ficou com os meus pais, e toda a velhice e o receio instalaram-se em mim. Eles parecem mais alegres e esperançosos sobre esta minha nova fase de vida.) Mas apesar dos contras, não posso negar a imensa ânsia com que desejo esta nova fase, este novo obstáculo, esta nova mudança. Eu escolhi a minha vida, agora, quero começar a vivê-la. E só será possível, caso concretize este desejo, este sonho, que existe em mim, desde que me conheço como gente. Chegou a minha hora, chegou a hora de fazer algo por mim, e se for como eu sempre quis, fazer algo pelo mundo. (Sim, eu sou uma idealista. E acredito que, por muito insignificante que seja o meu depoimento pela justiça, farei a diferença.) Por isso, daqui a um ano, se Deus quiser, estarei a pensar para ter calma, e que os próximos seis anos envolverão muitas noites mal dormidas, muitas horas de estudo, muitos calmantes, muitos obstáculos, muitas lágrimas, mas no final, tudo correrá bem. Porque eu nasci para isto, e é tudo o que eu mais quero!

Duma forma geral, creio que todas as mulheres são um pouco crentes e ingénuas, ao que se refere a homens. Somos símbolos da vida – puramente literal, já que temos a capacidade de procriar. E devido a essa habilitação de procriação, nasce connosco um lado maternal – impossível de negar ou extinguir. Temos esse lado mais doce, mais meigo que faz com que se reflicta em todos os homens que encontramos ao longo da nossa vida. Todos os amores – os verdadeiros amores, atenção – têm este lado platónico, maternal, imaterial. E como anteriormente referi, nós, mulheres, somos símbolos da vida, o que nos leva à luz e, consecutivamente, à esperança. Somos seres esperançosos. E devido à nossa esperança em abundância e ao amor maternal que esbanjamos é necessário seleccionar o sortudo de tal oferta, e se repararem, caímos sempre no mesmo tipo de pessoa. Homens. Homens sem um futuro, sem uma vida, sem uma luz, sem uma esperança. Um caso perdido. Nós, mulheres, crentes, – como anteriormente referi – julgamos que temos a capacidade de mudar um homem. De mudar a sua vida, a sua perspectiva de vida, os seus comportamentos, tudo. Absolutamente tudo. Então, depositamos a nossa esperança nesse homem e aguardamos que este se modifique. Mas isso não acontece, obviamente. Conclusão? Perdemos a nossa esperança por nada. Ficamos vazias, não mudamos os homens que amamos e no final só nos resta esse amor maternal que sempre desculpa e perdoa o outro. Eles têm sempre tanta sorte. A minha perspectiva do amor é que temos sempre a tendência de escolher um homem perdido e acreditamos sempre puder salvá-lo. Mas não podemos. Porque não temos tal capacidade, e por muita esperança e amor maternal que tenhamos, não nos valerá a pena. No final sairemos desgastadas, mais pobres e com as mãos a abanar, mas acima de tudo, sem coração, sem esperança. 
 
Ao longo da nossa vida, somos muitas mais vezes criticados e insultados do que elogiados. Para tal desgraça, não há remédio. Mas há uma solução para a forma como enfrentamos, ultrapassamos estas situações desagradáveis. A primeira coisa que temos que saber é guardar todos esses elogios. Sim, guardá-los na nossa mente. E sempre que possível reouvi-los, para nos refrescar a memória e a auto-estima. E segundo, sejam sempre honestos. Convosco próprios e com os que vos rodeiam. Tenham princípios e mantenham-se fiéis a estes. Se forem distintos da maioria, não significa que estejam errados. Eu tenho uma verdade, vocês a vossa. Defendam o vosso ponto de vista, a vossa opinião. Sejam vocês mesmos. Sejam únicos. Destaquem-se. Não importa se na perspectiva de outrem seja de forma negativa ou positiva. Se forem verdadeiros, honestos, fieis às vossas verdades, serão felizes. Não importa se os outros apontem o dedo ou maldigam. O importante é como se sentem, como fazem o que acham que é o certo. Não vos irei enganar, e dizer que ao longo da vida, certos insultos não nos deitam a baixo, não nos afectam. É mentira. Todo o ser humano dá importância ao que dizem e pensam sobre ele. Mas lembrem-se que toda a gente possui defeitos e qualidades. E que toda a gente erra. E o problema está no facto das pessoas não admitirem que erram, não no facto de errarem. Isso é perfeitamente natural, normal. Lembrem-se que talvez as pessoas que mais os insultam, são aquelas que não vos conhecem realmente. E por isso, que se lixem! Sejam vocês mesmos, e nunca, mas nunca deixem de seguir as vossas ideologias. E uma vez mais, quando alguém vos disser que não prestam, ou algo semelhante, recordem-se de todos os elogios que receberam até aquele momento e pensem se continuam a ser fiéis a vós próprios e se as vossas ideologias estão a ser cumpridas. Se isso está tudo confirmado, que se lixem as opiniões dos outros! 



Se a minha fonte de escrita és tu, então é preferível tolerar o sacrifício de deixar escrever. Se isso significa que deixarás de assombrar o meu coração, eu suporto tal sentença. És tal e qual uma sombra, uma peste que se entranha e se apodera da pobre carne. Essa mesma carne que outrora fora suave, da cor da neve e sem quaisquer vestígios. Após a tua passagem, a tez escurece, cicatrizes fixam-se em vários pontos e um cheiro de podridão predomina. Tenho medo. Tenho realmente muito medo. Estou aterrorizada. Sinto-me perdida. Esta nova descoberta de sentimentos confunde-me. Baralha-me. Estava tão bem, como estava. Porquê que tinhas que te exibir e apelares o meu interesse amoroso? Espera! Eu disse bem? Eu disse “amoroso”, olha só o meu estado! Estou completamente perdida! Essa tua doença podia apodrecer-me igualmente os olhos e o coração, para deixar de ver e sentir. Tal como o povo sábio português diz: “longe dos olhos, longe do coração”. Como é impossível afastares-te de mim, era benigno os meus olhos serem arrancados e o meu coração abatido. Sinto-me terrivelmente perdida. Isto é desconhecido, assustador. Que farei da minha vida? Se isto que sinto é estranho e tão, mas tão errado? Não busco respostas em ti, porque sei que jamais as encontrarei. (Sem ofensa, mas não tens capacidade para encontrar as tuas próprias respostas, quanto mais as minhas.) Noutra época, ter-te-ia suplicado que me protegesses… Hoje, não. Por favor, deixa-me. Deixa-me encontrar o meu próprio caminho. É isso, eis a solução! Caminhos separados, corações separados, sentimentos destruídos. Encontrei-me. 



És o sonho de qualquer mulher. 

Quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que protestar. É mais fácil, porque inicialmente, soa-nos mais apelativo, convidativo a receber uma carícia do que um estalo. É-nos mais agradável uma palavra doce do que um puxão de orelhas. E nesse momento de facilidade, – quando o amor nos aparece, nos fala – estamos cegos. Mas é uma cegueira benigna, inicialmente. Deixa-nos a suspirar pelos cantos, deixa-nos a sussurrar o nome do amado, deixa-nos a sonhar acordados. Ou seja, um bálsamo para a alma. Porque no momento em que o amor surge, aparece também uma solidão – que anteriormente não a notamos. E ansiamos matá-la, extingui-la. E esse assassinato só é possível com o amor. Mas como anteriormente referi, estamos cegos. E os beijos começam a ser substituídos por dor, e os abraços por ignorância. Então, depois de vivermos este momento doce – que nos atiçou o apetite – valerá a pena suportar a fome?  Porque esta refeição é curta, é momentânea… mas simultaneamente, tão saborosa, tão aprazível. E chega o momento em que exigimos repetir a dose. Mas, estará a pessoa amada disposta a repeti-la? Oh, pudemos sempre tentar, não é verdade? E então, o outro decide doar outro prato, nós provamos, e inocentemente ficamos dependentes. E a partir desse momento, o outro sabe como seduzir-nos, como nos fazer cair. E aí está a resolução inicial: quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que protestar. Porque no fim, nunca estaremos satisfeitos. 

Umas palavras doces e um sorriso torto são a solução. “Não falha”, pensam eles. “Este é diferente…”, pensam as mulheres ingénuas. Somente uma troca de olhares, e o feitiço está lançado. Inicialmente, um abraço ou um beijo na testa, são carícias meramente platónicas. Mais tarde, vem o primeiro beijo. Depois, uma ânsia desconhecida apodera-se do corpo, e o contacto com o outro torna-se pouco; ansiando, esperando, querendo mais, muito mais.
Após uma reflexão, e um suspiro concluído com um: “Eu amo-o”, fazem-nas entregar-se de corpo e alma ao ser que lhes predomina na alma, no coração e na mente. 
Fiando-se que o sentimento é recíproco, atiram-se de cabeça. Entregam-lhes o seu coração, a sua alma e a sua virtude.
Os cavalheiros, que aparentam estar apaixonados, “amam-nas” duma forma arrebatadora. Pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos. Coração com coração – pensam elas. E sentem elas.
Mas eles já sabem a cantiga de cor e salteado, e no momento oportuno, no derradeiro momento da verdade, da entrega, fingem estar apaixonados irrevogavelmente. Citam umas palavras doces, e aproximam-se do corpo da “amada”… meticulosamente, estudam os seus passos e a reacção da presa. Porque eles são uns autênticos predadores, basta olhar-lhes nos olhos. As mulheres é que se deixam levar pelo amor, e têm os olhos turbos pela luxúria, pelo amor e pela ansiedade. Ao chegarem à presa, colocam o seu corpo colado ao desta, e acariciam a sua face e dizem-lhes olhos nos olhos, o quanto as amam, o quanto as desejam, o quanto são belas. Tudo mentiras. Porque esses seres desprezíveis – que são os homens – parecem herdar os cortejos falsos, a capacidade de enganar e mentir, e a ousadia dos seus antepassados, que também foram uns “quebra corações” e aproveitaram-se da sua virilidade, da sua beleza e do seu charme para seduzirem mulheres e raparigas inocentes para as suas camas.
Lentamente, elas deixam-se cair nos seus encantos, e o seu raciocínio deixa de funcionar, porque os lábios do amado estão em contacto com os seus, e vagarosamente, a pele é exposta ao ar e aos olhos do companheiro.
Após a virtude ser rompida, o nome do amado saí-lhe dos lábios inchados – devido aos beijos mais agressivos – como uma mantra.
Quando o “amor” é consumado – é tal e qual como elas imaginam – pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos, coração com coração. Mas não sabem elas, que aquele momento é a sua desgraça, é o momento em que doam o seu coração e a sua alma, para lhes ser devolvida denegrida, torpe.
Após o ápice, o homem liberta-a dos seus braços másculos, e deita-se na cama para o outro lado, como se não suportar-se olhá-la uma vez mais, e adormece. 
A mulher – que acreditava que depois de se entregar ao amado, este iria abraçá-la e juntos adormeceriam, para mais tarde reiniciarem a sua dança amorosa – encara o tecto e revive os momentos tórridos que à pouco tempo viveu. E questiona-se o porquê daquela reacção do companheiro. Poderá ter sido ela o problema? Que poderá fazer ela para recompensar o seu querido? Após umas longas horas de reflexão, as pálpebras cansam-se, e acaba por adormecer.
Mais tarde, acorda com um movimento estranho na cama. Repara que o seu companheiro se levantou e começou a apanhar as suas roupas caídas pelo chão do quarto – porque, horas antes, a ânsia, o desejo era tanto que o sítio onde as roupas foram postas era insignificante. E começa a vestir-se. Surpreendida, decide que é o momento oportuno para se levantar e declarar, uma vez mais, o seu amor. 
Enrola-se no lençol que outrora foi o único cúmplice daquela união, e aproxima-se do homem, que este ignora, continuando a vestir-se. Ela estranha a sua atitude, mas pensa que talvez seja impressão sua de que algo não esteja bem, e começa a recitar-lhe palavras doces e melosas. O homem – como todos eles são, impacientes e rudes – manda-a calar e diz-lhe que foi um caso duma só noite. As lágrimas ameaçam-lhe os olhos, mas ela julga ter ouvido mal. Mas não... esses seres desprezíveis quando dizem algo, é sempre literal. 
Vestido, dirige-se à porta, e nem um olhar retorna à mulher, e esta persegue-o pedindo que reflicta sobre o que pensa fazer. Este repete-lhe que aquilo foi insignificante, que foi uma aventura, e ela, desolada, deixa-se cair no chão, que outrora esteve cheio das suas roupas e das dele. Quando a porta se fecha, é nesse momento, que ouve o seu coração despedaçar-se e a realidade vir ao de cima. 
Foi usada. Foi usada por um ser desprezível que somente a quis para um momento de satisfação momentânea. Agora, as lágrimas saem livres. Roga-lhe milésimas pragas, deseja-lhe a morte e arrepende-se do sucedido. Mas sabe, que apesar de conhecer – agora – a sua natureza, se ele regressasse e a seduzisse para outro momento de paixão, ela aceitaria de olhos fechados, porque ele é o homem da sua vida, é o homem que ama, e é o homem a quem entregou a sua virtude.
E são homens como estes que desgraçam as mulheres ingénuas, que se deixam levar pelas novas emoções, pelas descobertas. 

O ar da noite enfadava o quarto – com um leve odor de eucalipto queimado, provavelmente devido aos incêndios perto daquela região. Aquele quarto simples, com todas as paredes pintadas de branco, uma mobília de mogno: duas mesinhas de cabeceira, um roupeiro, uma cómoda, e por cima da mesma, um espelho redondo e uma cama de casal que anteriormente, lhe pareciam tão familiares, e naquele momento não lhe transmitiam a tão conhecida familiaridade. Não eram os móveis, nem o quarto que faziam com que o ambiente se torna-se agradável. Era a própria pessoa em falta, a pessoa que preenchia o outro lado da mesma cama, na qual ela estava deitada. Devido à falta da sua presença, aproximou-se lentamente do lado vazio da cama… avançava centímetro a centímetro, vagarosamente, na esperança de a qualquer momento colidir com o corpo másculo e quente, que antes a abraçava todas as noites. Infelizmente o lado oposto  – outrora ocupado  – estava vazio, frio e imaculado. Moveu a cabeça da sua almofada, ocupando a outra, e imediatamente o perfume do seu companheiro foi sentido. Espontaneamente, ajustou-se melhor na cama e colocou a cabeça para baixo  – o nariz em contacto com o algodão da forra da almofada  – sentindo mais profundamente o seu cheiro, e instantaneamente lágrimas invadiram os seus olhos, molhando-a, e se fosse possível, intensificando o cheiro. Chorou até que os seus olhos não conseguissem libertar mais água, esperneou até desmanchar os cobertores e os lençóis, pediu socorro até a voz ceder – pediu socorro daquela agonia, daquele abandono que se apoderava cada vez mais dela. Calou-se. Os soluços cessaram, a voz perdeu-se e as lágrimas terminaram. A agonia persistia – agora em silêncio. Como a noite. Silenciosa, mas pungente. Fechou os olhos e desistiu. Deixou-se ser invadida por aquele sofrimento, e ser levada para a inconsciência. Finalmente, adormeceu. Não foi um sono descansado, pelo contrário, sonhou que tinha a seu lado o seu amor. O seu coração voltou a ganhar vida, o seu batimento cardíaco tornou-se irregular; fazendo-a acordar. Ao acordar, relembrou-se da agonia e da cama vazia. Novamente, uma sessão de gritos foi pronunciada, mas uma mão calejada e quente, e junto duma voz doce terminaram o tormento:
  – Shiuuuu… Estou aqui, estou aqui.  – Abraçando-a disse. 
A jovem ainda atordoada – pelo sono ou pelo espanto – levantou-se num ápice, ficando sentada na cama, e defensivamente puxou todo seu cabelo para frente tapando o rosto, colocou os joelhos juntos ao peito e com as mãos tapou os seus ouvidos. E cantarolava, mexendo-se suavemente para a frente e para trás:
 
 –  Estou a sonhar… estou a sonhar…
Ele vendo-a tão frágil, em tanta agonia, soltou um pranto. As lágrimas alcançaram-lhe o rosto e, reflexivamente agarrou-se à mulher da sua vida, e suavemente tirou-lhe ambas mãos,  – que antes tapavam os seus ouvidos  – e sussurrou-lhe delicadamente: 
  –  Olha para mim. Não estás a sonhar, meu amor. 
Ela impressionada pelo seu sonho conseguir reproduzir o seu tom de voz tão correctamente, arriscou em virar o rosto e olhar para a direcção de onde vinha a voz e os braços que a circundavam.
 
 –  Oh meu Deus! Como é possível? É tão real…  – E ao mesmo tempo, afagava-lhe o rosto, maravilhada com a beleza do seu amor. 
Ele sentindo a necessidade de tocá-la, senti-la perto de si, colocou as suas mãos por cima das da dela no seu rosto, e olho-lhe nos olhos húmidos:
 
 –  Sou eu… olha para mim, não vês? Estou aqui. Perdoa-me por não ter chegado mais cedo. 
  –  És mesmo tu?  – Disse ela com uma voz receosa, pensando que quando falasse a miragem do seu amor desaparecesse. 
  –  Sou…  – Retrocedeu, seguido duma risada seca. 
Num ápice, ela agarrou-se a ele, como se a sua vida dependesse disso, e espontaneamente ambos deitaram-se. Deitou-se no seu torso, sentido o seu perfume mais carregado, e ele afagou-lhe os cabelos e cantarolava uma música relaxante, exalando felicidade. 

Amor… O amor. Uma palavra e infinitas definições. Tantos conceitos, metáforas. Não me recordo, é de terem associado o amor à dor. Não é paixão, é amor – ou agora passaram a ser sinónimos, e ninguém me disse nada? Olha que traste, esse tal amor! Agora mudou de características… Optou por algo mais dinâmico e sádico. E hoje estou num daqueles dias melancólicos, logo tenho uma visão mais triste, e os meus sentimentos tornam-se negativos. Perfeito para caracterizar este magnífico sentimento. Este sentimento que corrói pelas entranhas do meu ser, tal e qual um reumatismo. Como um som ensurdecedor que irrita o meu tímpano, tal e qual o zumbido dum insecto. Ou cortante e doloroso como uma faca, deixando que o meu sangue goteje pela minha epiderme. Ou associe – mais correctamente, talvez – ao fogo. No início, um calor confortável, acolhedor e no fim um mal-estar abrasador, uma ardência desconfortável, pungente. Não é assim toda a glória do amor? O primeiro, o segundo… o último. Um sentimento perigoso, e envolve pessoas e mentalidades fracas, de fácil influência. O amor não passa duma influência, dum mal-estar disfarçado, duma mentira. Que se lixe o amor, e o resto. O amor não passa dum capricho, duma ilusão. Que venha o desejo, o prazer, a luxúria, a ganância, o egoísmo. Então… todo o ser humano é instintivo. Que venha a animalidade. Que venha o hedonismo! 

Poderia caracterizar-me com inúmeras palavras, detalhadamente, mas opto pelo essencial. Sempre pelo essencial. Afinal de contas, qual seria a piada, se antes de te apresentares, já saberes todos os pormenores da minha vida? Por isso, aqui vai o essencial: não me considero uma rapariga “normal”. Não me enquadro nesse “grupo”. Porquê? Porque não gosto das mesmas coisas, nem penso da mesma forma que a maioria das raparigas. Sim, sou uma peça fora do jogo. Que irónico! Gosto de ler. Gosto de escrever e de dormir. Muito, muito. Sou uma pessoa bastante caseira. Queres proporcionar-me um momento romântico? Liga a lareira, e estende-te comigo no sofá, enquanto observamos as labaredas arderem. Adoro o Inverno. Frio, chuva e neve. Gosto muito de camisolas de lã. Chá quente, de maçã e canela. Café. Não uso, nem gosto de maquilhagem. Odeio fazer compras. Excepcionalmente livros e relógios. Um dos meus sonhos é ter uma grande biblioteca em minha casa, daqui a uns anos. Os sons mais magníficos no mundo para mim, é o dedilhar dum piano, e o batimento cardíaco da pessoa amada. Sou bastante sentimentalista, apesar de não o demonstrar. Considero-me romântica. Teimosa, muito teimosa. Determinada. Defendo com unhas e dentes as minhas opiniões e os meus princípios. Sou uma mulher de palavra. Sou inteligente. Gosto de reflectir e de aprender. Gosto de conversar sobre experiências passadas, livros lidos ou até mesmo política. Interessa-me bastante. Justa. Provavelmente a minha maior qualidade, e a que mais aprecio no mundo. Sincera. Muito mesmo. Digo o que penso, e não tenho receio de ouvir opiniões controversas. Verdadeira. Sarcástica. Muito mesmo. Adoro castanho e azul. Odeio praia. A minha peça de roupa predilecta é as calças de ganga: porque são práticas e combinam com absolutamente tudo. Uma boa distracção nos tempos livres será um romance nas mãos, e embrulhada nos cobertores da minha humilde cama. Gosto bastante de cinema. Mas prefiro a literatura e a música. Um dia, gostava de escrever um livro. Gosto de música clássica. Quanto aos meus atributos físicos, lamento desiludir-te mas não sou nada chamativa. Sou discreta – aliás gosto de coisas discretas –, e não correspondo, sem margem de dúvida, a essa tal ideologia perfeccionista de como a mulher deve realmente ser. Gosto do diferente, aliás. Mas adoro a monotonia, o quotidiano. Apesar de em mim, esse “diferente” não seja positivo. E realmente não me interessa o número de bíceps que possuís.  Notarei mais rapidamente o teu grau de inteligência, maturidade e o teu lado mais amoroso. Sou frágil, apesar de não parecer. Gosto de dar aquele ar de mulher inquebrável. Infelizmente, sou quebradiça demais. Sou trapalhona. E desastrada. Valorizo imenso o amor. Aliás, acho que o verdadeiro significado da vida é amar e ser amado. Idealizo um amor incondicional, arrebatador, eterno. Preciso de alguém que me respeite e me ame, acima de tudo. Pelo que sou. Tenho oscilações – frequentes e constantes – de humor. Irrito-me facilmente. O essencial está aqui. Desejo-te boa sorte, – porque irás realmente precisar – e espero que realmente me ames e respeites pelo que sou. Tenho bastante orgulho do que sou, apesar de ter inúmeros defeitos. Espero aperfeiçoá-los contigo. 
Os meus olhos cheios de lágrimas já protestam, o meu coração está pesado, e o meu corpo já não resiste. De que nos vale ter alguém querido na nossa vida? Não é preferível adoptar pela solidão eterna, sem afeições, sem amor, sem dependência? Assim, quando essa pessoa for… não haverá transtorno, dor, desilusão, perda. Devíamos ter a capacidade de possuir um botãozinho que dissesse “desligar”, e nos abstraísse de tudo, o que nós sentimos. Sinceramente, preferia viver na ignorância do sentimento, na indiferença. Como um coração ferido, pode manter-se vivo? Estou psicologicamente e fisicamente, cansada. Melancólica. Perdida. E ainda não aceitei os factos. Custar perder alguém que amamos. Queria poder arrancar do meu coração e da minha mente, imagens, lembranças das pessoas passadas. Faz mal esta agonia, esta dependência, esta perda.
(Aonde quer que estejas, descansa em paz. Obrigada pela educação, mimo e amor que me deste durante estes anos todos. Adoro-te muito, padrinho! Não imaginas a falta que nos farás.) 


O amor precisa de organizar as suas prioridades. Os seus objectivos, os seus limites – se os tiver. O amor nunca se torna rotina. Todos os dias, haverá uma descoberta, um momento diferente. O amor deverá ser louco, incondicional, irrevogável, ilimitado, eterno, profundo, sincero, bondoso, verdadeiro, sublime. Qual será a forma correcta de amar? No meu ver, o simples acto de amar é o correcto. Desde que exista amor, tudo é certo. Como é possível saber qual é o momento, a altura ideal para começar a amar? Não há. Não podemos aguardar a pergunta: “Estás pronta?”. Qual seria a nossa resposta?! O amor é espontâneo, surge por acaso. E qual será a pessoa certa para doá-lo? A pessoa certa é aquela que o nosso coração chama. Eu diria que tenho, uma tendência por me apaixonar por idiotas. Mas afinal, qual será o homem certo para mim? Terá olhos castanhos, azuis ou verdes? E a sua cor de cabelo? A sua personalidade? Apenas poderei exigir duas coisas vindas dele: amor e respeito. Quando o amor surgir, eu não terei tempo para responder: “Sim, estou pronta!”. No momento da resposta, já me atirei de cabeça para esse amor, já perdi o meu coração, e já entreguei a minha alma. E depois… apenas me basta que ele corresponda. 
Pedro, ao vê-la diante de si, não suportou tamanho alívio, tamanho amor, tamanha dor. Deixou-se cair, como um corpo morto. Quando os seus joelhos sentiram o áspero e frio chão, Maria correu em direcção a ele, agarrou-lhe o rosto, amparando-lhe a queda. Pedro, ao sentir a sua presença, libertou toda a sua lamúria, desembaraçou-se de toda a sua dor. Maria, diante dele, ajoelhou-se, muito lentamente. Não desviando o seu olhar dos olhos húmidos e ternurentos do seu amado, permanecendo com as suas mãos no rosto do mesmo. Num ápice, afagou-lhe o rosto. Beijou-lhe as faces, o queixo, a testa, os olhos, e por fim, os lábios. Pedro, acordou da sua agonia, e, muito gentilmente colocou suas mãos em torno da cintura de Maria. Beijou-a com todo o seu coração, com toda a sua alma. O ar tornou-se escasso, forçosamente separam-se. Apenas uns milímetros, abraçados e afogados no olhar amoroso, um do outro. Palavras não eram precisas, mas Maria merecia-as. Oh, se as merecia! Necessitava de lhe justificar a sua ausência, o seu abandono. A sua rudeza perante um ser tão precioso. Mas Pedro já o sabia. Uma mulher como aquela, tinha um coração composto de compaixão, perdão. Quando se beijaram, o sentimento que anteriormente existiu, permanecia lá. Pleno, coerente, irrevogável, incondicional, louco, ilimitado. Mas progrediu. Como se isso fosse possível. Foi fortificado. Por isso, Pedro já sabia que seria perdoado. Aliás, já fora perdoado. Mas mesmo assim, Maria merecia uma justificação, um pedido de desculpas, uma redenção. Oh, como se fosse possível estava mais bela! Não haveria uma mulher como aquela. Bondosa, simples e sincera. Era a sua vida! Sem ela não haveria motivo para viver. Ainda pousava as mãos, possessivamente, na sua cintura, ainda sentia o hálito doce de Maria, em seus lábios gretados. Novamente, perdeu-se naquelas duas esmeraldas brilhantes, repletas de amor, e sussurrou-lhe, com o seu olhar de culpa:
– Perdoa-me.
Aguardou alguma reacção, ou uma palavra ríspida vinda dela. Apenas persistia o brilho dos seus olhos verdes, cheios de amor, compaixão… perdão. Perdão. Aonde fora ela buscar tamanha coragem? Perdoar o homem que lhe roubou o coração, e o despedaçou? Não havia mulher como aquela. Vivia pelos outros, colocando sempre os outros à sua frente. Reformulando o desabafo da alma: apenas vivia por Pedro, somente por ele. Colocando-o acima de tudo, acima de si própria. De novo, beijou-a. Como se esperasse uma reacção brusca, um grito pedindo que desaparecesse ou um choro pungente de ver. Nada disso se sucedeu. Maria, ansiosa pelas saudades, quis matá-las – duma só vez. Aprofundou o beijo, encostando-se, o mais possível contra o corpo quente e musculado, do homem da sua vida. Pedro, detectou os sinais de ansiedade e nervosismo de Maria, progrediu, – como se fosse possível – puxando-a ainda mais para perto. Novamente, o maldito ar tornou-se escasso. Porque razão necessitava de ar, se tudo o que precisava estava ali… diante dos seus olhos, em contacto com o seu corpo, na posse das suas mãos?
Separaram-se desgostosos, e Pedro reparou que as palavras tinham sido poucas. Mas as acções tinham sido tão claras… mas era preciso esclarecer dúvidas, acabar com os receios. Colocou cada mão, gentilmente, em cada face do rosto de Maria, e sussurrou-lhe, olhando-a olhos nos olhos:
– Perdoa-me, Maria. Foi inadmissível a minha partida. Perdoa-me!
– Shiuuuu, Pedro…
– Não Maria, não me interrompas! Ouve-me até ao fim, depois poderás dizer que não me queres mais. Perdoa-me! Oh meu Deus, que idiota que eu fui! Eu amo-te, Maria! Eu amo-te! Eu amo-te!
– Oh Pedro, que absurdos são esses? Eu amo-te! Eu amo-te, Pedro! Que raio de idiotice foi essa? Não te querer mais? Como se isso fosse possível! Pedro, perdoou-te. Aliás, já te tinha perdoado à muito. Eu amo-te, não posso viver sem ti. Nunca mais, ouviste bem?
– Oh Maria, oh Maria! Meu amor, minha vida, eu amo-te! Como não ouvi? As tuas palavras são tão sinceras. Como não as ouviria? Seria impossível renunciar este meu amor por ti. Eu vivo por ti, Maria! Por ti!
Pedro, perdido naqueles olhos húmidos de emoção, e verdes como esmeraldas, beijou-a ao de leve, abraçou-a pela cintura. Maria perdeu as suas mãos no cabelo negro e sedoso de Pedro. Beijaram-se, mais uma vez. Olharam-se uma vez mais, apenas confirmando que não era ilusão, e espontaneamente os dois, como se fosse um eco, um reflexo, uma sombra, uma união, ao mesmo tempo, disseram:
– Amo-te!
Palavra por palavra, nota por nota
A literatura e a música completam-se. Pelo menos, a mim completam-me. Um vocábulo, uma palavra, uma melodia, uma nota, uma conjunção de ambos, e torna-se algo belo. Completo, pleno, satisfeito. Palavras expressam o que eu sinto, e a melodia completa ainda mais a sua emoção. Palavras e notas, corroem-me pelas veias, pela mente, pelo coração. Lentamente, a mão escreve, vagarosamente, a mão toca. Sente, explica, compõe, expõe. Tão simples quanto isto. Tenho que confessar, que a literatura preenche um enorme espaço na minha alma, e no meu coração. A música apenas veio completar o restante espaço livre.

Não me resta outra opção, a não ser esta. Tive que me afeiçoar a ti, tive que começar a depender de ti. Não julgues que foi uma obrigação, ou uma desesperada solidão que me obrigaram a tal. Simplesmente preciso de alguém. E esse alguém és tu. Sinto-te cada vez mais distante, e próximo simultaneamente. Não te sei explicar. Existem momentos, que sinto que te perco, e outros que te tenho. É anormal. Falamos todos os dias, e estamos quase todos os dias juntos, ou será que me enganei? Sinto esta necessidade. Necessito de ti. Como um conhecido, como um amigo. Novamente, digo-te que não te escolhi por desespero. Apesar de o ter perdido, sempre precisei de ti. Mesmo com a sua presença. Ou sem ela. És um amigo sem palavras, é gratificante puder conviver contigo diariamente. És fácil de gostar, já to tinha dito. És fácil de amar, aliás. Estar contigo é como desanuviar, abstrair-nos da realidade. É tal e qual isso. És uma paz inexplicável, um sossego acolhedor. Espero, que nunca tenha a oportunidade de te perder, por um segundo que seja. Afinal de contas, és o pouco que me resta. O pouco que existe de bom, em mim. Deixa-me só dizer-te, uma vez mais, obrigada. Muito obrigada, por tudo, será correcto dizer. Mas acima de tudo, obrigada por me fazeres rir, todos os dias, sem excepção. Gosto muito de ti, muito mesmo. Não te esqueças disso, independentemente do que surja.



(Para o meu Bruninho, que bem merece estas palavras)
Tencionava escrevê-lo no dia do teu aniversário, mas não tive coragem. Pensei que seria um pouco embaraçoso escrever-te algo. Aliás, nunca o fiz para alguém da família. Estes últimos tempos tenho aprendido imenso, acredita. Apesar de não o mostrar, aprendi. Estou mais velha, apesar de continuar as mesmas birras que todas as semanas se repetem. É da idade, como toda a gente. Agora, percebo o teu valor. A morte da avó foi algo que abalou bastante as nossas vidas, principalmente a tua. Eu reparo nisso, de facto surpreendeste-me. Não esperava isto de ti. Eu sempre soube que não eras de ferro, mas nunca pensei que te afectaria desta maneira, tão forte emocionalmente. Por vezes, tenho imaginado a dor que tens passado, simplesmente tento imaginar, mas não consigo. É insuportável! Nem conseguirei imaginar como será... e para te ser sincera não tenciono sentir algo parecido, brevemente. Apesar de quase todos os dias ser uma idiota em casa, contigo, com tudo. Tu sabes como é que, é difícil de lidar comigo. Eu estou a tentar melhorar, juro-te. Apesar, de o meu feitio não ajudar, afinal de contas, tenho a quem sair, não é verdade? A partir de agora gostava de ajudar mais. É algo que estou em dívida para contigo, penso isso. Nesta casa sempre foste o pilar principal dela. Quando surgia algo, eras sempre tu que mantinhas o equilíbrio. Sei o quanto eu e o pai, somos difíceis de aturar, mas todos os dias depois de vires do trabalho lá vêm a desgraçada aturar-nos. Depois dum belo dia de esforço e cansaço. Admiro-te imenso, és uma mãe espantosa! Acredita em mim, não estou a dizê-lo, para dar graxa como tu às vezes pensas. Digo-te, por vezes, em tom de brincadeira para não levares tão a sério, e não me sentir tão embaraçada. Todos os filhos dizem ou pensam que têm a melhor mãe do mundo, não será errado se eu pensar o mesmo acerca da minha, pois não? Afinal, és minha mãe e para mim serás sempre a melhor do mundo! Tens-me dado sempre tudo o que precisei, não me posso queixar. Sou bastante mimada, em absolutamente tudo. Todos os meus caprichos são concretizados. Tive sorte em ter uma mãe como tu. Há muitos que desejavam ter uma e não a têm. Eu tenho essa sorte, de te ter. Sempre depositas-te confiança em mim, isso importa bastante para mim. Confias em mim! És liberal, e dás-me a minha liberdade. Claro com regras, mas eu agradeço-as. Por vezes posso ficar irritada ou chateada pelo facto, de não me deixares sair naquele dia, ou pedir-te para me deixares sair à noite e não deixas... naquele momento vou para o quarto enfunada. Mas agradeço! Sei que me faz bem ter limites, e tudo tem a sua hora. Obrigada por teres sempre um pouco de paciência para mim, de me ajudares em tudo o que podes e por seres a mãe que és!
Afinal de contas, mãe há só uma!
Adoro-te, mamã!
(Já o fiz à um ano atrás, mas só hoje tive coragem de o publicar. E hoje fazes anos. Já agora, muitos parabéns Mãe! És uma mãe magnífica.)



Muitos beijinhos da tua filha, Sara
Apaixono-me um pouco mais, em cada noite. Sou sempre a primeira a ter o pijama vestido, e os dentes lavados. Deito-me, à tua espera. No instante seguinte, deitas-te sorrateiramente, pensando num: “não a quero acordar”. Ficas muito quietinho, à espera que eu me vire para o teu lado. Num ápice, viro-me, e encontramo-nos, olhos nos olhos. Com um sorriso maroto, pensas tu: “afinal, estavas acordada”. Esticas o corpo, e eu rendo-me. Coloco a minha cabeça, e as minhas mãos no teu peito, encosto-me o máximo a ti. E é aí, que começas a cantarolar-me muito baixinho. É impossível contrafazer, ou contradizer. Estou, por completo, rendida. Colocas a tua mão, lentamente, em volta da minha cintura. E durante toda a noite, aí permanece. Afastas-me o cabelo com a outra mão, e eu estico-me o máximo, até alcançar o teu rosto. Correspondes-me com um beijo, sem fôlego, e bastante entusiasmado. Volto a deitar-me em teu peito, e embalas-me. Acabas sempre, por repercutir o mesmo:
– Dorme bem…
Mas deixas sempre uma ideia no ar, nunca percebi bem o quê. Tenho a sensação que te falta coragem, de dizer algo mais. Um dia destes, quando o cansaço não vencer tão cedo, irei perguntar-te, se queres dizer-me algo mais. Volto a observar-te, inclino o rosto para cima, e sorrio-te de relance, e volto à posição anterior. Respiro fundo, e deixo-me levar. Pela tua cantoria suave, e pelas tuas mãos carinhosas. Nunca adormeci duma forma tão boa. Já não imagino adormecer doutra forma, a não ser desta.
Adoro aqueles momentos, em que perco a noção do tempo, solto as minhas gargalhadas sem pensar duas vezes, e esqueço-me dos modos de etiqueta. É agradável errar, por vezes. Pedir desculpa, arrepender-se. É um enorme sinal de coragem, destimidez, valentia. É bom, dizer uma ou duas palavras sem pensar, agir de cabeça quente. Coisas insignificantes da vida. Afinal, se fôssemos perfeitos, jamais teríamos que aprender, sofrer, ou tirar partido de algum acontecimento menos apropriado. Sinceramente, não errei em tantos aspectos, como pensei que iria errar. Tenho-me safado bastante bem, na qual designamos “vida”. O meu único defeito é reservar-me muito, restringir-me a pequenos momentos, e guardá-los com toda a minha força no coração, e não ter coragem para avançar. Tenho receio de abrir o meu coração a outro alguém. Abri-o duas vezes, abri-o de duas formas diferentes, para duas pessoas completamente opostas. E no fim, estatelei-me por completo no chão, e saí com o coração e a alma, totalmente torturados. Dizem que temos que aprender com a dor. Bem, o que eu aprendi com isto tudo, só foi fortalecer mais a minha personalidade, a minha ideologia. Reservar-me a mim, e somente a mim. E nunca, mas nunca entregar-nos de forma total a algo, ou a alguém. Ainda tenho uns bons anos pela frente, e tenho alguém que me espera. Alguém que espera o meu coração, e anseio que seja bem tratado. Não sei quem é esse alguém. Não o desconheço de todo. Apenas desconheço o seu nome, o seu rosto e seu amor. Mas brevemente terei conhecimento, dele e duma nova parte de mim. Uma parte de mim, que ainda não renasceu. Mas irá renascer.

Quero-te repleto de arcaísmos, inteligência, e doçura. Espero que saibas apreciar arte, seja ela, pintura, cinema, música ou literatura. Podes até, sussurrar as mais belas citações, dos grandes príncipes, ou a bela poesia que designa sentimentos, sobretudo o “amor”. Puxar-me para o teu peito, e permaneceremos em silêncio, apenas com a melodia, dos nossos corações palpitantes, desordenados e ansiosos. E antes de tudo, que me beijes a testa e me digas o quanto me amas. Todos os dias. Sem hesitação. Que tenhas um belo sorriso, e uma personalidade poderosa. Que sejas sobretudo espontâneo, romântico, persistente, lutador, corajoso, adulto… e belo, à tua maneira. E assim, serás o homem da minha vida
“Irrevogavelmente” foi o meu único pensamento. Senti a minha alma reconfortada, e o meu coração recheado. A forma dos sentimentos era tão desconhecida, mas extremamente agradável. A minha excepcional veleidade era perder-me em seus braços… e deixar que o ego e o desejo falassem mais alto. Perdi-me em seus olhos, e em seus braços. Tal e qual. “Avidamente” agora, fora o meu conceito. Render-me por completo, e deixá-lo chegar ao íntimo do meu profundo ser. Cada contorno, recanto ou pormenor, ele teve. Por um tempo indefinido fui sua. E ele meu. Esta posse, derrubava todas as barreiras que algum obstáculo pretenderia. Uma vez mais, perdi-me em si. E duas almas uniram-se numa só. “Eternamente” raciocinei.
A saudade é como a felicidade, até a um certo limite é merecedora. Depois, é exagerada. Na opinião dos outros, já não mereces nada. Era simples, concordar com eles, e ignorar tais factos. É pena, que não consiga. Era agradável dizer que já passou, e não volta. Aceitar, e seguir em frente. Pediste-me algo impossível. Lamento, dizer-to. Não foste o único, é verdade. Todos os dias, alguém se dirige a mim, com um tom frio e diz que não vale mais a pena. Mas, serão eles que sabem o que vale, ou não? Neste assunto, deveria ser eu a decidir. Aliás, a decisão já foi tomada, à imenso tempo atrás. Nada se reverteu, nem nada se irá modificar. O tempo não volta a atrás, mas isso não significa que as pessoas sejam esquecidas, ou ignoradas. O próprio tempo, normalmente, ajuda a sarar as feridas, facilita o esquecimento, e termina com o que perdurou sem regras, colocando um ponto final nele. No meu caso, o tempo colocou umas simples reticências, e não irão terminar. Ficou algo indeterminado, algo indefinido. Ainda hoje, continuo na dúvida. Se o que vivemos terá sido realmente sentido, verdadeiro. Tentei de tudo um pouco, e nada resultou. Estarei eu, a lutar por algo que não tem retoma? Talvez, esteja. É doloroso ver-te diariamente, perto de mim, e não puder ir ter contigo. É irracional, persistir este tipo de sentimentos, se não existe uma retribuição. Quem me dera, que estivesses a mentir. Quem me dera. Nem imaginas o quanto. Antigamente, a tua teimosia ganhava sempre. Será um reflexo do passado? Gostava que fosse, porque só quer dizer, que iremos ficar, novamente, bem. Iremos ficar juntos. Como sempre gostamos, como sempre quisemos. Uma parte de mim – enorme, aliás – diz que as coisas acabaram, de vez. Mas essa enorme parte, sempre me tentou iludir, para facilitar os momentos de dor, de saudade. Julgas que para mim, é tudo fácil, que não me custa, não te ter? Para ti, sempre o foi. Para ti, jamais houve dor, saudade, vindo da minha parte. Óptimo. Nunca desejei nada desta magnitude a outro ser. Não é nada agradável. E eu sempre quis, – e ainda hoje, quero – o teu bem-estar. Ainda não te acreditas que és tão importante, pois não? Será preciso passar o resto da minha vida, a dizer-to… e mesmo assim, no último dia, custará a perceber, não é? Pois, és mesmo tu. Típico, vindo da tua parte. Só quero que saibas, que mesmo, que não queiras saber mais de mim, que já não me ames, nem algo do género, quero que saibas, que eu não mudo nada do que senti até ao dia de hoje. Lembra-te, que: amar-te-ei para sempre.
How to be
Agora vês o reflexo do espelho. Observas cada pormenor, parece-te impossível. É uma imagem degradante, horrorosa. A tua vontade é de fechar os olhos, e deixar de observar tal coisa. Mas, no momento em que esperas esquecer aquela profunda e real imagem reflectida num simples pedaço insignificante de vidro pensas: «sou eu aquele». E desejavas nunca tal coisa ter acontecido. Como foi possível? Deixaste de ser quem eras, por receio de não seres aceite na sociedade, no teu grupo de amizades e também na tua família. Que tremendo erro! Erraste novamente. Nunca deverias ter pensado mudar, quanto mais fazê-lo. E agora olhaste novamente em direcção ao espelho e viste quem eras. Um monstro. Nos teus olhos pareceste com tal... que coisa mais deprimente. De que forma irás remendar os teus erros, e deixar de sofrer com as consequências? Tentar voltar atrás, e voltares ao que eras. Uma pessoa sã e feliz. Felicidade era algo que te atormentava todos os dias, logo ao acordar. Um belo sorriso enchia-te o rosto e um brilho nos olhos permanecia durante o dia inteiro. À noite como habitual deitavas-te, o sono era sempre profundo... sonhavas sempre com algo bonito. E na manhã seguinte quando acordavas reparavas que tudo o que na vida existia, neste caso na tua vida existia era tudo verdadeiro, e apelativo. Mas, passado uns anos algo fez-te mudar, pensado que seria para melhor. Tinha-te tão dominado que fez-te cair num abismo sem fundo... tropeções, arranhões, cortes, sangue. Tudo que hoje possuís no teu corpo é um dos factores dessa tua miserável decadência. Chega disto! Enfrenta os teus medos, e sê homem. Uma vez na vida luta pela tua própria felicidade, não faças como antigamente... esperavas que ela chegasse logo ao acordar. Enfrenta tudo e todos! Sê forte, tu consegues. Pensa como antes, pensavas: «sou feliz e serei sempre». Pensa com o coração e raciocina com a cabeça. Assim irás longe um dia mais tarde. Chega desta depressão, chega de quedas, tropeções, torturas ou mágoas. Chega de coisas tristes! Chega, é o limite. Impõem-te perante o mundo. É teu, pertence-te cada suspiro feito, cada batimento dado, cada segundo passado. Tudo te pertence. Cabe a ti decidir qual é a melhor opção para iniciar a vida. Amor terás imenso para dar e receber, e tempo esse... será infinito. Força, já és um homem, comporta-te como tal! Afinal de contas:

«YOU'RE NOT NOBODY, YOU'RE SOMEBODY»

Biografia

A minha foto
Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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