Não sei se é o tempo penoso ou o meu estado de espírito desanimado, que me fazem ter estes pensamentos, estas sensações. Esta monotonia faz-me recordar os tempos em que a minha mente e o meu coração não possuíam qualquer pausa. Aquela excitação do primeiro amor, aquela dor suicida, aquele amor tresloucado e imaturo, aquela paixão desenfreada, aquela sofreguidão, todo um conjunto de sentimentos e sensações violentas, radicais, soberanas. Tudo isso consumia-me a alma, o corpo, o coração e a mente. Tudo causado por um mero traste. Infelizmente ou felizmente, se fechar os olhos e tentar imaginar o seu rosto, recordo-me de toda a sua fisionomia, de todos os seus traços. Apesar de ter sido um crápula, tenho de reconhecer, era bonito. Não é que sinta saudades dele, ou de tudo o que me fez sentir de bom ou mau, é somente uma falta, uma necessidade de movimento, de agitação, de acção. E consequentemente, tenho que regredir a esses tempos e comparar a monotonia de hoje com o alvoroço que era há uns anos atrás. Ao retornar aos velhos tempos, sinto de forma mais subtil, mais leve, tudo o que senti naquela época, de bom ou mau, mas senti de forma marcante. Isto poderá até soar masoquista, e um pouco irracional, porque, actualmente, eu tenho conhecimento do que isto quer dizer, mas seria agradável sentir tudo isto de novo. Todos os altos e baixos. É tolo, sem dúvida alguma, mas seria aprazível, por outro lado.
Acho que estou a começar a perder
toda a minha inocência. Até uns dias atrás, todas as pessoas, a meu ver, tinham
algo de bom, algo bondoso. Hoje, já não acho o mesmo. Posso confirmar que mais
de meio mundo é sádico e invejoso. Num espaço curtíssimo de dias, vi de tudo.
Vi inveja, hipocrisia, cinismo, sadismo, de tudo um pouco. Sentimentos que corrompem
o ser humano. Aliás, acho que o ser humano, actualmente, – duma forma geral –
pouco sabe sobre altruísmo, bondade, compaixão, sacrifícios, amizade, amor,
lealdade. Todas essas coisas que assumimos serem características que acompanham
o ser humano desde o seu nascimento, infelizmente, já não existem em
abundância. Mas o que mais me revolta, não é o mal só por si só, mas sim, a sua
irracionalidade, a sua falta de lógica e falta de motivos. E isso irá
perseguir-me a vida toda.
Há pessoas tão medíocres e mesquinhas. Há pessoas tão, mas tão más. Tão reles. A
única solução para a sua maldade, para a sua podridão seria a morte, mas até
essa foge. É um facto, haverá sempre pessoas que nasceram para nos atazanar o
juízo, para nos tirarem do sério e para nos fazerem infelizes. Pessoas que desejam a nossa infelicidade, é o que mais há. Mas o que me perturba, é que eles não
ganham nada com a nossa infelicidade. Por isso, podemos ver que o mundo é
maléfico, sem qualquer razão aparente.
(Por isso, para todos os que desejam a minha infelicidade, lamento informar-vos, mas eu sempre consigo dar a volta. Mas continuem, tudo isso me dá ainda mais força.)
(Por isso, para todos os que desejam a minha infelicidade, lamento informar-vos, mas eu sempre consigo dar a volta. Mas continuem, tudo isso me dá ainda mais força.)
Agora que tenho a oportunidade de repensar no meu passado,
de forma muito mais racional, posso verificar todos os mínimos erros e todas as
pequenas atitudes embaraçosas. Sinto que naquela época era tão, mas tão ingénua
e inocente… E acima de tudo, estúpida. Sim, imensamente estúpida! Mas
repensando e reavaliando tudo o que fiz, não me arrependo dum único gesto.
Todas as minhas escolhas, todas as minhas atitudes, e todas as vezes que cedi e
me calei, – porque os sentimentos falaram mais alto – tornaram-me no que hoje
sou. E, actualmente, tenho imenso orgulho de quem sou. Mas, sem dúvida alguma, se
hoje acontecesse, o que aconteceu há cinco ou quatro anos atrás, jamais agiria
da mesma forma. Seria muito mais simples e não teria tanto sofrimento, pelo
menos para mim. As pessoas que naquela época foram, loucamente, importantes
para mim, duma forma tão cega… teriam sido, facilmente, descartadas. Por vezes,
o que amamos não significa que seja o melhor para nós. E infelizmente, eu não
me apercebi disso naquele momento, mas serviu-me de lição para os relacionamentos
futuros. A menina que se sujeitava a tudo e perdoava tudo esvaiu-se, a menina que amava
de forma insensata e incondicional começou a moderar os seus sentimentos, a menina
que se entregava de cabeça, sem questionar nada, pondera cada passo…
Concluindo, a menina faleceu, e deu lugar a uma mulher. Sim, uma mulher. É o
único proveito que retiro de todo o meu passado pungente e deprimente, foi a
maturidade e o crescimento que obtive. O que é um pouco irónico, porque isso
provém das pessoas infantis e, talvez cruéis, que já conheci em toda a minha
vida. Pessoas que colocavam os seus caprichos como prioridade, em vez das
pessoas que se preocupavam realmente com elas. Mas isso não importa,
actualmente. São “águas passadas”. Hoje em dia, sinto-me bem, feliz e completa, sem o meu passado. Libertei-me
dessa prisão, que se caracterizava por dor, mágoa, remorsos, culpa, orgulho e
das pessoas que causaram tudo isso. Estou livre. Terminei um capítulo da minha vida,
tenho um livro inteiro para escrever, ou viver. Mas, apesar de todas as coisas más que me proporcionaram, que não valem a pena
serem relembradas, – estão enterradas, e bem enterradas – forneceram-me
aspectos fundamentais para ser o que sou agora. E por isso, deixo o meu enorme
agradecimento por me fazerem crescer e mudarem a minha perspectiva inocente do
mundo para uma muito mais realista.
Daqui a um ano, se Deus quiser, estarei num sítio diferente.
Estarei rodeada de pessoas diferentes. Estarei afastada das pessoas que, hoje,
fazem parte do meu dia-a-dia. Mas, sobretudo, estarei longe das pessoas que
mais me são queridas. Estarei longe dos meus colegas, dos meus amigos, dos meus
pais, da minha família. Da minha casa, do meu quarto. Do meu lar, do meu
refúgio. Daqui a um ano, quando a necessidade apertar, não terei o regaço da
minha mãe para me consolar. Ou num momento de ilusão, não ouvirei as sábias e
rígidas palavras do meu pai. Chegou a altura, em que deixo tudo o que é seguro
para trás, e atiro-me, de cabeça, para algo novo. E isso é algo que eu abomino,
o que é estranho, pois a aventura, o desconhecido, fazem parte da juventude. Mas
eu sinto-me tão bem no colo dos meus pais, e nos braços dos meus amigos. Porque
sei que são seguros, fixos, permanentes. Sem se alterarem. E eu não gosto de
mudanças, não gosto que as coisas me fujam do controlo. Gosto de reflectir no
próximo passo que darei, antes mesmo de dá-lo. Mas é tempo de abrir as asas, e
aprender a voar – por muito cliché que soe. É a mais pura das verdades. (Acho
que a juventude ficou com os meus pais, e toda a velhice e o receio
instalaram-se em mim. Eles parecem mais alegres e esperançosos sobre esta minha
nova fase de vida.) Mas apesar dos contras, não posso negar a imensa ânsia com
que desejo esta nova fase, este novo obstáculo, esta nova mudança. Eu escolhi a
minha vida, agora, quero começar a vivê-la. E só será possível, caso concretize
este desejo, este sonho, que existe em mim, desde que me conheço como gente.
Chegou a minha hora, chegou a hora de fazer algo por mim, e se for como eu
sempre quis, fazer algo pelo mundo. (Sim, eu sou uma idealista. E acredito que,
por muito insignificante que seja o meu depoimento pela justiça, farei a diferença.)
Por isso, daqui a um ano, se Deus quiser, estarei a pensar para ter calma, e
que os próximos seis anos envolverão muitas noites mal dormidas, muitas horas
de estudo, muitos calmantes, muitos obstáculos, muitas lágrimas, mas no final,
tudo correrá bem. Porque eu nasci para isto, e é tudo o que eu mais quero!
Duma forma geral, creio que todas as mulheres são um pouco crentes e ingénuas, ao que se refere a homens. Somos símbolos da vida – puramente literal, já que temos a capacidade de procriar. E devido a essa habilitação de procriação, nasce connosco um lado maternal – impossível de negar ou extinguir. Temos esse lado mais doce, mais meigo que faz com que se reflicta em todos os homens que encontramos ao longo da nossa vida. Todos os amores – os verdadeiros amores, atenção – têm este lado platónico, maternal, imaterial. E como anteriormente referi, nós, mulheres, somos símbolos da vida, o que nos leva à luz e, consecutivamente, à esperança. Somos seres esperançosos. E devido à nossa esperança em abundância e ao amor maternal que esbanjamos é necessário seleccionar o sortudo de tal oferta, e se repararem, caímos sempre no mesmo tipo de pessoa. Homens. Homens sem um futuro, sem uma vida, sem uma luz, sem uma esperança. Um caso perdido. Nós, mulheres, crentes, – como anteriormente referi – julgamos que temos a capacidade de mudar um homem. De mudar a sua vida, a sua perspectiva de vida, os seus comportamentos, tudo. Absolutamente tudo. Então, depositamos a nossa esperança nesse homem e aguardamos que este se modifique. Mas isso não acontece, obviamente. Conclusão? Perdemos a nossa esperança por nada. Ficamos vazias, não mudamos os homens que amamos e no final só nos resta esse amor maternal que sempre desculpa e perdoa o outro. Eles têm sempre tanta sorte. A minha perspectiva do amor é que temos sempre a tendência de escolher um homem perdido e acreditamos sempre puder salvá-lo. Mas não podemos. Porque não temos tal capacidade, e por muita esperança e amor maternal que tenhamos, não nos valerá a pena. No final sairemos desgastadas, mais pobres e com as mãos a abanar, mas acima de tudo, sem coração, sem esperança.
Ao longo da nossa vida, somos muitas mais vezes criticados e
insultados do que elogiados. Para tal desgraça, não há remédio. Mas há uma
solução para a forma como enfrentamos, ultrapassamos estas situações
desagradáveis. A primeira coisa que temos que saber é guardar todos esses
elogios. Sim, guardá-los na nossa mente. E sempre que possível reouvi-los, para
nos refrescar a memória e a auto-estima. E segundo, sejam sempre honestos.
Convosco próprios e com os que vos rodeiam. Tenham princípios e mantenham-se
fiéis a estes. Se forem distintos da maioria, não significa que estejam
errados. Eu tenho uma verdade, vocês a vossa. Defendam o vosso ponto de vista,
a vossa opinião. Sejam vocês mesmos. Sejam únicos. Destaquem-se. Não importa se
na perspectiva de outrem seja de forma negativa ou positiva. Se forem verdadeiros,
honestos, fieis às vossas verdades, serão felizes. Não importa se os outros
apontem o dedo ou maldigam. O importante é como se sentem, como fazem o que
acham que é o certo. Não vos irei enganar, e dizer que ao longo da vida, certos
insultos não nos deitam a baixo, não nos afectam. É mentira. Todo o ser humano dá
importância ao que dizem e pensam sobre ele. Mas lembrem-se que toda a gente
possui defeitos e qualidades. E que toda a gente erra. E o problema está no
facto das pessoas não admitirem que erram, não no facto de
errarem. Isso é perfeitamente natural, normal. Lembrem-se que talvez as pessoas
que mais os insultam, são aquelas que não vos conhecem realmente. E por isso,
que se lixem! Sejam vocês mesmos, e nunca, mas nunca deixem de seguir as vossas
ideologias. E uma vez mais, quando alguém vos disser que não prestam, ou algo
semelhante, recordem-se de todos os elogios que receberam até aquele momento e
pensem se continuam a ser fiéis a vós próprios e se as vossas ideologias estão
a ser cumpridas. Se isso está tudo confirmado, que se lixem as opiniões dos
outros!
Se a minha fonte de escrita és tu, então é preferível tolerar o sacrifício de deixar escrever. Se isso significa que deixarás de assombrar o meu coração, eu suporto tal sentença. És tal e qual uma sombra, uma peste que se entranha e se apodera da pobre carne. Essa mesma carne que outrora fora suave, da cor da neve e sem quaisquer vestígios. Após a tua passagem, a tez escurece, cicatrizes fixam-se em vários pontos e um cheiro de podridão predomina. Tenho medo. Tenho realmente muito medo. Estou aterrorizada. Sinto-me perdida. Esta nova descoberta de sentimentos confunde-me. Baralha-me. Estava tão bem, como estava. Porquê que tinhas que te exibir e apelares o meu interesse amoroso? Espera! Eu disse bem? Eu disse “amoroso”, olha só o meu estado! Estou completamente perdida! Essa tua doença podia apodrecer-me igualmente os olhos e o coração, para deixar de ver e sentir. Tal como o povo sábio português diz: “longe dos olhos, longe do coração”. Como é impossível afastares-te de mim, era benigno os meus olhos serem arrancados e o meu coração abatido. Sinto-me terrivelmente perdida. Isto é desconhecido, assustador. Que farei da minha vida? Se isto que sinto é estranho e tão, mas tão errado? Não busco respostas em ti, porque sei que jamais as encontrarei. (Sem ofensa, mas não tens capacidade para encontrar as tuas próprias respostas, quanto mais as minhas.) Noutra época, ter-te-ia suplicado que me protegesses… Hoje, não. Por favor, deixa-me. Deixa-me encontrar o meu próprio caminho. É isso, eis a solução! Caminhos separados, corações separados, sentimentos destruídos. Encontrei-me.
Quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que
protestar. É mais fácil, porque inicialmente, soa-nos mais apelativo,
convidativo a receber uma carícia do que um estalo. É-nos mais agradável uma
palavra doce do que um puxão de orelhas. E nesse momento de facilidade, – quando
o amor nos aparece, nos fala – estamos cegos. Mas é uma cegueira benigna,
inicialmente. Deixa-nos a suspirar pelos cantos, deixa-nos a sussurrar o nome
do amado, deixa-nos a sonhar acordados. Ou seja, um bálsamo para a alma. Porque
no momento em que o amor surge, aparece também uma solidão – que anteriormente
não a notamos. E ansiamos matá-la, extingui-la. E esse assassinato só é
possível com o amor. Mas como anteriormente referi, estamos cegos. E os beijos
começam a ser substituídos por dor, e os abraços por ignorância. Então, depois
de vivermos este momento doce – que nos atiçou o apetite – valerá a pena
suportar a fome? Porque esta refeição é
curta, é momentânea… mas simultaneamente, tão saborosa, tão aprazível. E chega
o momento em que exigimos repetir a dose. Mas, estará a pessoa amada disposta a
repeti-la? Oh, pudemos sempre tentar, não é verdade? E então, o outro decide doar
outro prato, nós provamos, e inocentemente ficamos dependentes. E a partir desse
momento, o outro sabe como seduzir-nos, como nos fazer cair. E aí está a
resolução inicial: quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que protestar.
Porque no fim, nunca estaremos satisfeitos.
Umas palavras doces e um sorriso torto são a
solução. “Não falha”, pensam eles. “Este é diferente…”, pensam as mulheres
ingénuas. Somente uma troca de olhares, e o feitiço está lançado. Inicialmente,
um abraço ou um beijo na testa, são carícias meramente platónicas. Mais tarde, vem
o primeiro beijo. Depois, uma ânsia desconhecida apodera-se do corpo, e o contacto
com o outro torna-se pouco; ansiando, esperando, querendo mais, muito mais.
Após uma reflexão, e um suspiro concluído com um: “Eu amo-o”, fazem-nas entregar-se de corpo e alma ao ser que lhes predomina na alma, no coração e na mente.
Após uma reflexão, e um suspiro concluído com um: “Eu amo-o”, fazem-nas entregar-se de corpo e alma ao ser que lhes predomina na alma, no coração e na mente.
Fiando-se que o sentimento é recíproco, atiram-se de cabeça. Entregam-lhes o
seu coração, a sua alma e a sua virtude.
Os cavalheiros, que aparentam estar apaixonados, “amam-nas” duma forma arrebatadora. Pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos. Coração com coração – pensam elas. E sentem elas.
Mas eles já sabem a cantiga de cor e salteado, e no momento oportuno, no derradeiro momento da verdade, da entrega, fingem estar apaixonados irrevogavelmente. Citam umas palavras doces, e aproximam-se do corpo da “amada”… meticulosamente, estudam os seus passos e a reacção da presa. Porque eles são uns autênticos predadores, basta olhar-lhes nos olhos. As mulheres é que se deixam levar pelo amor, e têm os olhos turbos pela luxúria, pelo amor e pela ansiedade. Ao chegarem à presa, colocam o seu corpo colado ao desta, e acariciam a sua face e dizem-lhes olhos nos olhos, o quanto as amam, o quanto as desejam, o quanto são belas. Tudo mentiras. Porque esses seres desprezíveis – que são os homens – parecem herdar os cortejos falsos, a capacidade de enganar e mentir, e a ousadia dos seus antepassados, que também foram uns “quebra corações” e aproveitaram-se da sua virilidade, da sua beleza e do seu charme para seduzirem mulheres e raparigas inocentes para as suas camas.
Lentamente, elas deixam-se cair nos seus encantos, e o seu raciocínio deixa de funcionar, porque os lábios do amado estão em contacto com os seus, e vagarosamente, a pele é exposta ao ar e aos olhos do companheiro.
Após a virtude ser rompida, o nome do amado saí-lhe dos lábios inchados – devido aos beijos mais agressivos – como uma mantra.
Quando o “amor” é consumado – é tal e qual como elas imaginam – pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos, coração com coração. Mas não sabem elas, que aquele momento é a sua desgraça, é o momento em que doam o seu coração e a sua alma, para lhes ser devolvida denegrida, torpe.
Após o ápice, o homem liberta-a dos seus braços másculos, e deita-se na cama para o outro lado, como se não suportar-se olhá-la uma vez mais, e adormece.
Os cavalheiros, que aparentam estar apaixonados, “amam-nas” duma forma arrebatadora. Pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos. Coração com coração – pensam elas. E sentem elas.
Mas eles já sabem a cantiga de cor e salteado, e no momento oportuno, no derradeiro momento da verdade, da entrega, fingem estar apaixonados irrevogavelmente. Citam umas palavras doces, e aproximam-se do corpo da “amada”… meticulosamente, estudam os seus passos e a reacção da presa. Porque eles são uns autênticos predadores, basta olhar-lhes nos olhos. As mulheres é que se deixam levar pelo amor, e têm os olhos turbos pela luxúria, pelo amor e pela ansiedade. Ao chegarem à presa, colocam o seu corpo colado ao desta, e acariciam a sua face e dizem-lhes olhos nos olhos, o quanto as amam, o quanto as desejam, o quanto são belas. Tudo mentiras. Porque esses seres desprezíveis – que são os homens – parecem herdar os cortejos falsos, a capacidade de enganar e mentir, e a ousadia dos seus antepassados, que também foram uns “quebra corações” e aproveitaram-se da sua virilidade, da sua beleza e do seu charme para seduzirem mulheres e raparigas inocentes para as suas camas.
Lentamente, elas deixam-se cair nos seus encantos, e o seu raciocínio deixa de funcionar, porque os lábios do amado estão em contacto com os seus, e vagarosamente, a pele é exposta ao ar e aos olhos do companheiro.
Após a virtude ser rompida, o nome do amado saí-lhe dos lábios inchados – devido aos beijos mais agressivos – como uma mantra.
Quando o “amor” é consumado – é tal e qual como elas imaginam – pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos, coração com coração. Mas não sabem elas, que aquele momento é a sua desgraça, é o momento em que doam o seu coração e a sua alma, para lhes ser devolvida denegrida, torpe.
Após o ápice, o homem liberta-a dos seus braços másculos, e deita-se na cama para o outro lado, como se não suportar-se olhá-la uma vez mais, e adormece.
A
mulher – que acreditava que depois de se entregar ao amado, este iria abraçá-la
e juntos adormeceriam, para mais tarde reiniciarem a sua dança amorosa – encara
o tecto e revive os momentos tórridos que à pouco tempo viveu. E questiona-se o
porquê daquela reacção do companheiro. Poderá ter sido ela o problema? Que
poderá fazer ela para recompensar o seu querido? Após umas longas horas de
reflexão, as pálpebras cansam-se, e acaba por adormecer.
Mais tarde, acorda com um movimento estranho na cama. Repara que o seu companheiro se levantou e começou a apanhar as suas roupas caídas pelo chão do quarto – porque, horas antes, a ânsia, o desejo era tanto que o sítio onde as roupas foram postas era insignificante. E começa a vestir-se. Surpreendida, decide que é o momento oportuno para se levantar e declarar, uma vez mais, o seu amor.
Mais tarde, acorda com um movimento estranho na cama. Repara que o seu companheiro se levantou e começou a apanhar as suas roupas caídas pelo chão do quarto – porque, horas antes, a ânsia, o desejo era tanto que o sítio onde as roupas foram postas era insignificante. E começa a vestir-se. Surpreendida, decide que é o momento oportuno para se levantar e declarar, uma vez mais, o seu amor.
Enrola-se no lençol que outrora foi o único cúmplice daquela união, e
aproxima-se do homem, que este ignora, continuando a vestir-se. Ela estranha a
sua atitude, mas pensa que talvez seja impressão sua de que algo não esteja
bem, e começa a recitar-lhe palavras doces e melosas. O homem – como todos eles
são, impacientes e rudes – manda-a calar e diz-lhe que foi um caso duma só
noite. As lágrimas ameaçam-lhe os olhos, mas ela julga ter ouvido mal. Mas não...
esses seres desprezíveis quando dizem algo, é sempre literal.
Vestido,
dirige-se à porta, e nem um olhar retorna à mulher, e esta persegue-o pedindo
que reflicta sobre o que pensa fazer. Este repete-lhe que aquilo foi
insignificante, que foi uma aventura, e ela, desolada, deixa-se cair no chão,
que outrora esteve cheio das suas roupas e das dele. Quando a porta se fecha, é
nesse momento, que ouve o seu coração despedaçar-se e a realidade vir ao de
cima.
Foi usada. Foi usada por um ser desprezível que somente a quis para um
momento de satisfação momentânea. Agora, as lágrimas saem livres. Roga-lhe
milésimas pragas, deseja-lhe a morte e arrepende-se do sucedido. Mas sabe, que
apesar de conhecer – agora – a sua natureza, se ele regressasse e a seduzisse
para outro momento de paixão, ela aceitaria de olhos fechados, porque ele é o
homem da sua vida, é o homem que ama, e é o homem a quem entregou a sua virtude.
E são homens como estes que desgraçam as mulheres ingénuas, que se deixam levar pelas novas emoções, pelas descobertas.
E são homens como estes que desgraçam as mulheres ingénuas, que se deixam levar pelas novas emoções, pelas descobertas.
O ar da noite enfadava o quarto – com um leve odor de
eucalipto queimado, provavelmente devido aos incêndios perto daquela região.
Aquele quarto simples, com todas as paredes pintadas de branco, uma mobília de
mogno: duas mesinhas de cabeceira, um roupeiro, uma cómoda, e por cima da
mesma, um espelho redondo e uma cama de casal que anteriormente, lhe pareciam
tão familiares, e naquele momento não lhe transmitiam a tão conhecida
familiaridade. Não eram os móveis, nem o quarto que faziam com que o ambiente
se torna-se agradável. Era a própria pessoa em falta, a pessoa que preenchia o
outro lado da mesma cama, na qual ela estava deitada. Devido à falta da sua
presença, aproximou-se lentamente do lado vazio da cama… avançava centímetro a
centímetro, vagarosamente, na esperança de a qualquer momento colidir com o
corpo másculo e quente, que antes a abraçava todas as noites. Infelizmente o
lado oposto – outrora ocupado – estava vazio, frio e imaculado. Moveu a cabeça
da sua almofada, ocupando a outra, e imediatamente o perfume do seu companheiro
foi sentido. Espontaneamente, ajustou-se melhor na cama e colocou a cabeça para
baixo – o nariz em contacto com o algodão da forra da almofada – sentindo mais
profundamente o seu cheiro, e instantaneamente lágrimas invadiram os seus
olhos, molhando-a, e se fosse possível, intensificando o cheiro. Chorou até que
os seus olhos não conseguissem libertar mais água, esperneou até desmanchar os
cobertores e os lençóis, pediu socorro até a voz ceder – pediu socorro daquela
agonia, daquele abandono que se apoderava cada vez mais dela. Calou-se. Os
soluços cessaram, a voz perdeu-se e as lágrimas terminaram. A agonia persistia –
agora em silêncio. Como a noite. Silenciosa, mas pungente. Fechou os olhos e
desistiu. Deixou-se ser invadida por aquele sofrimento, e ser levada para a inconsciência.
Finalmente, adormeceu. Não foi um sono descansado, pelo contrário, sonhou que tinha
a seu lado o seu amor. O seu coração voltou a ganhar vida, o seu batimento
cardíaco tornou-se irregular; fazendo-a acordar. Ao acordar, relembrou-se da
agonia e da cama vazia. Novamente, uma sessão de gritos foi pronunciada, mas
uma mão calejada e quente, e junto duma voz doce terminaram o tormento:
– Shiuuuu… Estou aqui, estou aqui. – Abraçando-a disse.
A jovem ainda atordoada – pelo sono ou pelo espanto – levantou-se num ápice,
ficando sentada na cama, e defensivamente puxou todo seu cabelo para frente
tapando o rosto, colocou os joelhos juntos ao peito e com as mãos tapou os seus
ouvidos. E cantarolava, mexendo-se suavemente para a frente e para trás:
– Estou a sonhar… estou a sonhar…
– Estou a sonhar… estou a sonhar…
Ele vendo-a tão frágil, em tanta agonia, soltou um pranto. As
lágrimas alcançaram-lhe o rosto e, reflexivamente agarrou-se à mulher da sua vida,
e suavemente tirou-lhe ambas mãos, – que antes tapavam os seus ouvidos – e sussurrou-lhe
delicadamente:
– Olha para mim. Não estás a sonhar, meu amor.
Ela impressionada pelo seu sonho conseguir reproduzir o seu tom de voz tão
correctamente, arriscou em virar o rosto e olhar para a direcção de onde vinha
a voz e os braços que a circundavam.
– Oh meu Deus! Como é possível? É tão real… – E ao mesmo tempo, afagava-lhe o rosto, maravilhada com a beleza do seu amor.
– Oh meu Deus! Como é possível? É tão real… – E ao mesmo tempo, afagava-lhe o rosto, maravilhada com a beleza do seu amor.
Ele sentindo a necessidade de tocá-la, senti-la perto de si, colocou as suas
mãos por cima das da dela no seu rosto, e olho-lhe nos olhos húmidos:
– Sou eu… olha para mim, não vês? Estou aqui. Perdoa-me por não ter chegado mais cedo.
– Sou eu… olha para mim, não vês? Estou aqui. Perdoa-me por não ter chegado mais cedo.
– És mesmo tu? – Disse ela com uma voz receosa, pensando que quando falasse a
miragem do seu amor desaparecesse.
– Sou… – Retrocedeu, seguido duma risada seca.
Num ápice, ela agarrou-se a ele, como se a sua vida dependesse disso, e
espontaneamente ambos deitaram-se. Deitou-se no seu torso, sentido o seu
perfume mais carregado, e ele afagou-lhe os cabelos e cantarolava uma música
relaxante, exalando felicidade.
Amor… O amor. Uma palavra e infinitas definições. Tantos
conceitos, metáforas. Não me recordo, é de terem associado o amor à dor. Não é
paixão, é amor – ou agora passaram a ser sinónimos, e ninguém me disse nada? Olha
que traste, esse tal amor! Agora mudou de características… Optou por algo mais
dinâmico e sádico. E hoje estou num daqueles dias melancólicos, logo tenho uma
visão mais triste, e os meus sentimentos tornam-se negativos. Perfeito para
caracterizar este magnífico sentimento. Este sentimento que corrói pelas
entranhas do meu ser, tal e qual um reumatismo. Como um som ensurdecedor que irrita
o meu tímpano, tal e qual o zumbido dum insecto. Ou cortante e doloroso como
uma faca, deixando que o meu sangue goteje pela minha epiderme. Ou associe –
mais correctamente, talvez – ao fogo. No início, um calor confortável,
acolhedor e no fim um mal-estar abrasador, uma ardência desconfortável, pungente.
Não é assim toda a glória do amor? O primeiro, o segundo… o último. Um
sentimento perigoso, e envolve pessoas e mentalidades fracas, de fácil
influência. O amor não passa duma influência, dum mal-estar disfarçado, duma
mentira. Que se lixe o amor, e o resto. O amor não passa dum capricho, duma
ilusão. Que venha o desejo, o prazer, a luxúria, a
ganância, o egoísmo. Então… todo o ser humano é instintivo. Que venha a
animalidade. Que venha o hedonismo!
Poderia caracterizar-me com inúmeras palavras,
detalhadamente, mas opto pelo essencial. Sempre pelo essencial. Afinal de
contas, qual seria a piada, se antes de te apresentares, já saberes todos os pormenores
da minha vida? Por isso, aqui vai o essencial: não me considero uma rapariga “normal”.
Não me enquadro nesse “grupo”. Porquê? Porque não gosto das mesmas coisas, nem
penso da mesma forma que a maioria das raparigas. Sim, sou uma peça fora do
jogo. Que irónico! Gosto de ler. Gosto de escrever e de dormir. Muito, muito.
Sou uma pessoa bastante caseira. Queres proporcionar-me um momento romântico?
Liga a lareira, e estende-te comigo no sofá, enquanto observamos as labaredas arderem.
Adoro o Inverno. Frio, chuva e neve. Gosto muito de camisolas de lã. Chá quente,
de maçã e canela. Café. Não uso, nem gosto de maquilhagem. Odeio fazer compras.
Excepcionalmente livros e relógios. Um dos meus sonhos é ter uma grande biblioteca
em minha casa, daqui a uns anos. Os sons mais magníficos no mundo para mim, é o
dedilhar dum piano, e o batimento cardíaco da pessoa amada. Sou bastante
sentimentalista, apesar de não o demonstrar. Considero-me romântica. Teimosa,
muito teimosa. Determinada. Defendo com unhas e dentes as minhas opiniões e os
meus princípios. Sou uma mulher de palavra. Sou inteligente. Gosto de reflectir
e de aprender. Gosto de conversar sobre experiências passadas, livros lidos ou
até mesmo política. Interessa-me bastante. Justa. Provavelmente a minha maior
qualidade, e a que mais aprecio no mundo. Sincera. Muito mesmo. Digo o que
penso, e não tenho receio de ouvir opiniões controversas. Verdadeira.
Sarcástica. Muito mesmo. Adoro castanho e azul. Odeio praia. A minha peça de
roupa predilecta é as calças de ganga: porque são práticas e combinam com
absolutamente tudo. Uma boa distracção nos tempos livres será um romance nas
mãos, e embrulhada nos cobertores da minha humilde cama. Gosto bastante de
cinema. Mas prefiro a literatura e a música. Um dia, gostava de escrever um
livro. Gosto de música clássica. Quanto aos meus atributos físicos, lamento
desiludir-te mas não sou nada chamativa. Sou discreta – aliás gosto de coisas
discretas –, e não correspondo, sem margem de dúvida, a essa tal ideologia perfeccionista
de como a mulher deve realmente ser. Gosto do diferente, aliás. Mas adoro a
monotonia, o quotidiano. Apesar de em mim, esse “diferente” não seja positivo.
E realmente não me interessa o número de bíceps que possuís. Notarei mais rapidamente o teu grau de inteligência,
maturidade e o teu lado mais amoroso. Sou frágil, apesar de não parecer. Gosto
de dar aquele ar de mulher inquebrável. Infelizmente, sou quebradiça demais.
Sou trapalhona. E desastrada. Valorizo imenso o amor. Aliás, acho que o
verdadeiro significado da vida é amar e ser amado. Idealizo um amor
incondicional, arrebatador, eterno. Preciso de alguém que me respeite e me ame,
acima de tudo. Pelo que sou. Tenho oscilações – frequentes e constantes – de
humor. Irrito-me facilmente. O essencial está aqui. Desejo-te boa sorte, – porque
irás realmente precisar – e espero que realmente me ames e respeites pelo que
sou. Tenho bastante orgulho do que sou, apesar de ter inúmeros defeitos. Espero
aperfeiçoá-los contigo.
Os meus olhos cheios de lágrimas já protestam, o meu coração
está pesado, e o meu corpo já não resiste. De que nos vale ter alguém querido
na nossa vida? Não é preferível adoptar pela solidão eterna, sem afeições, sem
amor, sem dependência? Assim, quando essa pessoa for… não haverá transtorno,
dor, desilusão, perda. Devíamos ter a capacidade de possuir um botãozinho que
dissesse “desligar”, e nos abstraísse de tudo, o que nós sentimos. Sinceramente,
preferia viver na ignorância do sentimento, na indiferença. Como um coração
ferido, pode manter-se vivo? Estou psicologicamente e fisicamente, cansada.
Melancólica. Perdida. E ainda não aceitei os factos. Custar perder alguém que
amamos. Queria poder arrancar do meu coração e da minha mente, imagens,
lembranças das pessoas passadas. Faz mal esta agonia, esta dependência, esta
perda.
(Aonde quer que estejas, descansa em paz. Obrigada pela
educação, mimo e amor que me deste durante estes anos todos. Adoro-te muito,
padrinho! Não imaginas a falta que nos farás.)
O amor precisa de organizar as suas prioridades. Os seus
objectivos, os seus limites – se os tiver. O amor nunca se torna rotina. Todos
os dias, haverá uma descoberta, um momento diferente. O amor deverá ser louco,
incondicional, irrevogável, ilimitado, eterno, profundo, sincero, bondoso,
verdadeiro, sublime. Qual será a forma correcta de amar? No meu ver, o simples
acto de amar é o correcto. Desde que exista amor, tudo é certo. Como é possível
saber qual é o momento, a altura ideal para começar a amar? Não há. Não podemos
aguardar a pergunta: “Estás pronta?”. Qual seria a nossa resposta?! O amor é espontâneo,
surge por acaso. E qual será a pessoa certa para doá-lo? A pessoa certa é
aquela que o nosso coração chama. Eu diria que tenho, uma tendência por me
apaixonar por idiotas. Mas afinal, qual será o homem certo para mim? Terá olhos
castanhos, azuis ou verdes? E a sua cor de cabelo? A sua personalidade? Apenas
poderei exigir duas coisas vindas dele: amor e respeito. Quando o amor surgir,
eu não terei tempo para responder: “Sim, estou pronta!”. No momento da
resposta, já me atirei de cabeça para esse amor, já perdi o meu coração, e já
entreguei a minha alma. E depois… apenas me basta que ele corresponda.
Pedro, ao vê-la diante de si, não suportou tamanho alívio, tamanho amor, tamanha dor. Deixou-se cair, como um corpo morto. Quando os seus joelhos sentiram o áspero e frio chão, Maria correu em direcção a ele, agarrou-lhe o rosto, amparando-lhe a queda. Pedro, ao sentir a sua presença, libertou toda a sua lamúria, desembaraçou-se de toda a sua dor. Maria, diante dele, ajoelhou-se, muito lentamente. Não desviando o seu olhar dos olhos húmidos e ternurentos do seu amado, permanecendo com as suas mãos no rosto do mesmo. Num ápice, afagou-lhe o rosto. Beijou-lhe as faces, o queixo, a testa, os olhos, e por fim, os lábios. Pedro, acordou da sua agonia, e, muito gentilmente colocou suas mãos em torno da cintura de Maria. Beijou-a com todo o seu coração, com toda a sua alma. O ar tornou-se escasso, forçosamente separam-se. Apenas uns milímetros, abraçados e afogados no olhar amoroso, um do outro. Palavras não eram precisas, mas Maria merecia-as. Oh, se as merecia! Necessitava de lhe justificar a sua ausência, o seu abandono. A sua rudeza perante um ser tão precioso. Mas Pedro já o sabia. Uma mulher como aquela, tinha um coração composto de compaixão, perdão. Quando se beijaram, o sentimento que anteriormente existiu, permanecia lá. Pleno, coerente, irrevogável, incondicional, louco, ilimitado. Mas progrediu. Como se isso fosse possível. Foi fortificado. Por isso, Pedro já sabia que seria perdoado. Aliás, já fora perdoado. Mas mesmo assim, Maria merecia uma justificação, um pedido de desculpas, uma redenção. Oh, como se fosse possível estava mais bela! Não haveria uma mulher como aquela. Bondosa, simples e sincera. Era a sua vida! Sem ela não haveria motivo para viver. Ainda pousava as mãos, possessivamente, na sua cintura, ainda sentia o hálito doce de Maria, em seus lábios gretados. Novamente, perdeu-se naquelas duas esmeraldas brilhantes, repletas de amor, e sussurrou-lhe, com o seu olhar de culpa:
– Perdoa-me.
Aguardou alguma reacção, ou uma palavra ríspida vinda dela. Apenas persistia o brilho dos seus olhos verdes, cheios de amor, compaixão… perdão. Perdão. Aonde fora ela buscar tamanha coragem? Perdoar o homem que lhe roubou o coração, e o despedaçou? Não havia mulher como aquela. Vivia pelos outros, colocando sempre os outros à sua frente. Reformulando o desabafo da alma: apenas vivia por Pedro, somente por ele. Colocando-o acima de tudo, acima de si própria. De novo, beijou-a. Como se esperasse uma reacção brusca, um grito pedindo que desaparecesse ou um choro pungente de ver. Nada disso se sucedeu. Maria, ansiosa pelas saudades, quis matá-las – duma só vez. Aprofundou o beijo, encostando-se, o mais possível contra o corpo quente e musculado, do homem da sua vida. Pedro, detectou os sinais de ansiedade e nervosismo de Maria, progrediu, – como se fosse possível – puxando-a ainda mais para perto. Novamente, o maldito ar tornou-se escasso. Porque razão necessitava de ar, se tudo o que precisava estava ali… diante dos seus olhos, em contacto com o seu corpo, na posse das suas mãos?
Separaram-se desgostosos, e Pedro reparou que as palavras tinham sido poucas. Mas as acções tinham sido tão claras… mas era preciso esclarecer dúvidas, acabar com os receios. Colocou cada mão, gentilmente, em cada face do rosto de Maria, e sussurrou-lhe, olhando-a olhos nos olhos:
– Perdoa-me, Maria. Foi inadmissível a minha partida. Perdoa-me!
– Shiuuuu, Pedro…
– Não Maria, não me interrompas! Ouve-me até ao fim, depois poderás dizer que não me queres mais. Perdoa-me! Oh meu Deus, que idiota que eu fui! Eu amo-te, Maria! Eu amo-te! Eu amo-te!
– Oh Pedro, que absurdos são esses? Eu amo-te! Eu amo-te, Pedro! Que raio de idiotice foi essa? Não te querer mais? Como se isso fosse possível! Pedro, perdoou-te. Aliás, já te tinha perdoado à muito. Eu amo-te, não posso viver sem ti. Nunca mais, ouviste bem?
– Oh Maria, oh Maria! Meu amor, minha vida, eu amo-te! Como não ouvi? As tuas palavras são tão sinceras. Como não as ouviria? Seria impossível renunciar este meu amor por ti. Eu vivo por ti, Maria! Por ti!
Pedro, perdido naqueles olhos húmidos de emoção, e verdes como esmeraldas, beijou-a ao de leve, abraçou-a pela cintura. Maria perdeu as suas mãos no cabelo negro e sedoso de Pedro. Beijaram-se, mais uma vez. Olharam-se uma vez mais, apenas confirmando que não era ilusão, e espontaneamente os dois, como se fosse um eco, um reflexo, uma sombra, uma união, ao mesmo tempo, disseram:
– Amo-te!
– Perdoa-me.
Aguardou alguma reacção, ou uma palavra ríspida vinda dela. Apenas persistia o brilho dos seus olhos verdes, cheios de amor, compaixão… perdão. Perdão. Aonde fora ela buscar tamanha coragem? Perdoar o homem que lhe roubou o coração, e o despedaçou? Não havia mulher como aquela. Vivia pelos outros, colocando sempre os outros à sua frente. Reformulando o desabafo da alma: apenas vivia por Pedro, somente por ele. Colocando-o acima de tudo, acima de si própria. De novo, beijou-a. Como se esperasse uma reacção brusca, um grito pedindo que desaparecesse ou um choro pungente de ver. Nada disso se sucedeu. Maria, ansiosa pelas saudades, quis matá-las – duma só vez. Aprofundou o beijo, encostando-se, o mais possível contra o corpo quente e musculado, do homem da sua vida. Pedro, detectou os sinais de ansiedade e nervosismo de Maria, progrediu, – como se fosse possível – puxando-a ainda mais para perto. Novamente, o maldito ar tornou-se escasso. Porque razão necessitava de ar, se tudo o que precisava estava ali… diante dos seus olhos, em contacto com o seu corpo, na posse das suas mãos?
Separaram-se desgostosos, e Pedro reparou que as palavras tinham sido poucas. Mas as acções tinham sido tão claras… mas era preciso esclarecer dúvidas, acabar com os receios. Colocou cada mão, gentilmente, em cada face do rosto de Maria, e sussurrou-lhe, olhando-a olhos nos olhos:
– Perdoa-me, Maria. Foi inadmissível a minha partida. Perdoa-me!
– Shiuuuu, Pedro…
– Não Maria, não me interrompas! Ouve-me até ao fim, depois poderás dizer que não me queres mais. Perdoa-me! Oh meu Deus, que idiota que eu fui! Eu amo-te, Maria! Eu amo-te! Eu amo-te!
– Oh Pedro, que absurdos são esses? Eu amo-te! Eu amo-te, Pedro! Que raio de idiotice foi essa? Não te querer mais? Como se isso fosse possível! Pedro, perdoou-te. Aliás, já te tinha perdoado à muito. Eu amo-te, não posso viver sem ti. Nunca mais, ouviste bem?
– Oh Maria, oh Maria! Meu amor, minha vida, eu amo-te! Como não ouvi? As tuas palavras são tão sinceras. Como não as ouviria? Seria impossível renunciar este meu amor por ti. Eu vivo por ti, Maria! Por ti!
Pedro, perdido naqueles olhos húmidos de emoção, e verdes como esmeraldas, beijou-a ao de leve, abraçou-a pela cintura. Maria perdeu as suas mãos no cabelo negro e sedoso de Pedro. Beijaram-se, mais uma vez. Olharam-se uma vez mais, apenas confirmando que não era ilusão, e espontaneamente os dois, como se fosse um eco, um reflexo, uma sombra, uma união, ao mesmo tempo, disseram:
– Amo-te!
Palavra por palavra, nota por nota
A literatura e a música completam-se. Pelo menos, a mim completam-me. Um vocábulo, uma palavra, uma melodia, uma nota, uma conjunção de ambos, e torna-se algo belo. Completo, pleno, satisfeito. Palavras expressam o que eu sinto, e a melodia completa ainda mais a sua emoção. Palavras e notas, corroem-me pelas veias, pela mente, pelo coração. Lentamente, a mão escreve, vagarosamente, a mão toca. Sente, explica, compõe, expõe. Tão simples quanto isto. Tenho que confessar, que a literatura preenche um enorme espaço na minha alma, e no meu coração. A música apenas veio completar o restante espaço livre.
A literatura e a música completam-se. Pelo menos, a mim completam-me. Um vocábulo, uma palavra, uma melodia, uma nota, uma conjunção de ambos, e torna-se algo belo. Completo, pleno, satisfeito. Palavras expressam o que eu sinto, e a melodia completa ainda mais a sua emoção. Palavras e notas, corroem-me pelas veias, pela mente, pelo coração. Lentamente, a mão escreve, vagarosamente, a mão toca. Sente, explica, compõe, expõe. Tão simples quanto isto. Tenho que confessar, que a literatura preenche um enorme espaço na minha alma, e no meu coração. A música apenas veio completar o restante espaço livre.
Não me resta outra opção, a não ser esta. Tive que me afeiçoar a ti, tive que começar a depender de ti. Não julgues que foi uma obrigação, ou uma desesperada solidão que me obrigaram a tal. Simplesmente preciso de alguém. E esse alguém és tu. Sinto-te cada vez mais distante, e próximo simultaneamente. Não te sei explicar. Existem momentos, que sinto que te perco, e outros que te tenho. É anormal. Falamos todos os dias, e estamos quase todos os dias juntos, ou será que me enganei? Sinto esta necessidade. Necessito de ti. Como um conhecido, como um amigo. Novamente, digo-te que não te escolhi por desespero. Apesar de o ter perdido, sempre precisei de ti. Mesmo com a sua presença. Ou sem ela. És um amigo sem palavras, é gratificante puder conviver contigo diariamente. És fácil de gostar, já to tinha dito. És fácil de amar, aliás. Estar contigo é como desanuviar, abstrair-nos da realidade. É tal e qual isso. És uma paz inexplicável, um sossego acolhedor. Espero, que nunca tenha a oportunidade de te perder, por um segundo que seja. Afinal de contas, és o pouco que me resta. O pouco que existe de bom, em mim. Deixa-me só dizer-te, uma vez mais, obrigada. Muito obrigada, por tudo, será correcto dizer. Mas acima de tudo, obrigada por me fazeres rir, todos os dias, sem excepção. Gosto muito de ti, muito mesmo. Não te esqueças disso, independentemente do que surja.
(Para o meu Bruninho, que bem merece estas palavras)
Tencionava escrevê-lo no dia do teu aniversário, mas não tive coragem. Pensei que seria um pouco embaraçoso escrever-te algo. Aliás, nunca o fiz para alguém da família. Estes últimos tempos tenho aprendido imenso, acredita. Apesar de não o mostrar, aprendi. Estou mais velha, apesar de continuar as mesmas birras que todas as semanas se repetem. É da idade, como toda a gente. Agora, percebo o teu valor. A morte da avó foi algo que abalou bastante as nossas vidas, principalmente a tua. Eu reparo nisso, de facto surpreendeste-me. Não esperava isto de ti. Eu sempre soube que não eras de ferro, mas nunca pensei que te afectaria desta maneira, tão forte emocionalmente. Por vezes, tenho imaginado a dor que tens passado, simplesmente tento imaginar, mas não consigo. É insuportável! Nem conseguirei imaginar como será... e para te ser sincera não tenciono sentir algo parecido, brevemente. Apesar de quase todos os dias ser uma idiota em casa, contigo, com tudo. Tu sabes como é que, é difícil de lidar comigo. Eu estou a tentar melhorar, juro-te. Apesar, de o meu feitio não ajudar, afinal de contas, tenho a quem sair, não é verdade? A partir de agora gostava de ajudar mais. É algo que estou em dívida para contigo, penso isso. Nesta casa sempre foste o pilar principal dela. Quando surgia algo, eras sempre tu que mantinhas o equilíbrio. Sei o quanto eu e o pai, somos difíceis de aturar, mas todos os dias depois de vires do trabalho lá vêm a desgraçada aturar-nos. Depois dum belo dia de esforço e cansaço. Admiro-te imenso, és uma mãe espantosa! Acredita em mim, não estou a dizê-lo, para dar graxa como tu às vezes pensas. Digo-te, por vezes, em tom de brincadeira para não levares tão a sério, e não me sentir tão embaraçada. Todos os filhos dizem ou pensam que têm a melhor mãe do mundo, não será errado se eu pensar o mesmo acerca da minha, pois não? Afinal, és minha mãe e para mim serás sempre a melhor do mundo! Tens-me dado sempre tudo o que precisei, não me posso queixar. Sou bastante mimada, em absolutamente tudo. Todos os meus caprichos são concretizados. Tive sorte em ter uma mãe como tu. Há muitos que desejavam ter uma e não a têm. Eu tenho essa sorte, de te ter. Sempre depositas-te confiança em mim, isso importa bastante para mim. Confias em mim! És liberal, e dás-me a minha liberdade. Claro com regras, mas eu agradeço-as. Por vezes posso ficar irritada ou chateada pelo facto, de não me deixares sair naquele dia, ou pedir-te para me deixares sair à noite e não deixas... naquele momento vou para o quarto enfunada. Mas agradeço! Sei que me faz bem ter limites, e tudo tem a sua hora. Obrigada por teres sempre um pouco de paciência para mim, de me ajudares em tudo o que podes e por seres a mãe que és!
Afinal de contas, mãe há só uma!
Adoro-te, mamã!
(Já o fiz à um ano atrás, mas só hoje tive coragem de o publicar. E hoje fazes anos. Já agora, muitos parabéns Mãe! És uma mãe magnífica.)
Afinal de contas, mãe há só uma!
Adoro-te, mamã!
(Já o fiz à um ano atrás, mas só hoje tive coragem de o publicar. E hoje fazes anos. Já agora, muitos parabéns Mãe! És uma mãe magnífica.)
Muitos beijinhos da tua filha, Sara
Apaixono-me um pouco mais, em cada noite. Sou sempre a primeira a ter o pijama vestido, e os dentes lavados. Deito-me, à tua espera. No instante seguinte, deitas-te sorrateiramente, pensando num: “não a quero acordar”. Ficas muito quietinho, à espera que eu me vire para o teu lado. Num ápice, viro-me, e encontramo-nos, olhos nos olhos. Com um sorriso maroto, pensas tu: “afinal, estavas acordada”. Esticas o corpo, e eu rendo-me. Coloco a minha cabeça, e as minhas mãos no teu peito, encosto-me o máximo a ti. E é aí, que começas a cantarolar-me muito baixinho. É impossível contrafazer, ou contradizer. Estou, por completo, rendida. Colocas a tua mão, lentamente, em volta da minha cintura. E durante toda a noite, aí permanece. Afastas-me o cabelo com a outra mão, e eu estico-me o máximo, até alcançar o teu rosto. Correspondes-me com um beijo, sem fôlego, e bastante entusiasmado. Volto a deitar-me em teu peito, e embalas-me. Acabas sempre, por repercutir o mesmo:
– Dorme bem…
Mas deixas sempre uma ideia no ar, nunca percebi bem o quê. Tenho a sensação que te falta coragem, de dizer algo mais. Um dia destes, quando o cansaço não vencer tão cedo, irei perguntar-te, se queres dizer-me algo mais. Volto a observar-te, inclino o rosto para cima, e sorrio-te de relance, e volto à posição anterior. Respiro fundo, e deixo-me levar. Pela tua cantoria suave, e pelas tuas mãos carinhosas. Nunca adormeci duma forma tão boa. Já não imagino adormecer doutra forma, a não ser desta.
– Dorme bem…
Mas deixas sempre uma ideia no ar, nunca percebi bem o quê. Tenho a sensação que te falta coragem, de dizer algo mais. Um dia destes, quando o cansaço não vencer tão cedo, irei perguntar-te, se queres dizer-me algo mais. Volto a observar-te, inclino o rosto para cima, e sorrio-te de relance, e volto à posição anterior. Respiro fundo, e deixo-me levar. Pela tua cantoria suave, e pelas tuas mãos carinhosas. Nunca adormeci duma forma tão boa. Já não imagino adormecer doutra forma, a não ser desta.
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Biografia
- Sara Almeida
- Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.






