Acho que estou a começar a perder toda a minha inocência. Até uns dias atrás, todas as pessoas, a meu ver, tinham algo de bom, algo bondoso. Hoje, já não acho o mesmo. Posso confirmar que mais de meio mundo é sádico e invejoso. Num espaço curtíssimo de dias, vi de tudo. Vi inveja, hipocrisia, cinismo, sadismo, de tudo um pouco. Sentimentos que corrompem o ser humano. Aliás, acho que o ser humano, actualmente, – duma forma geral – pouco sabe sobre altruísmo, bondade, compaixão, sacrifícios, amizade, amor, lealdade. Todas essas coisas que assumimos serem características que acompanham o ser humano desde o seu nascimento, infelizmente, já não existem em abundância. Mas o que mais me revolta, não é o mal só por si só, mas sim, a sua irracionalidade, a sua falta de lógica e falta de motivos. E isso irá perseguir-me a vida toda. 
Há pessoas tão medíocres e mesquinhas. Há pessoas tão, mas tão más. Tão reles. A única solução para a sua maldade, para a sua podridão seria a morte, mas até essa foge. É um facto, haverá sempre pessoas que nasceram para nos atazanar o juízo, para nos tirarem do sério e para nos fazerem infelizes. Pessoas que desejam a nossa infelicidade, é o que mais há. Mas o que me perturba, é que eles não ganham nada com a nossa infelicidade. Por isso, podemos ver que o mundo é maléfico, sem qualquer razão aparente.
(Por isso, para todos os que desejam a minha infelicidade, lamento informar-vos, mas eu sempre consigo dar a volta. Mas continuem, tudo isso me dá ainda mais força.)  


Agora que tenho a oportunidade de repensar no meu passado, de forma muito mais racional, posso verificar todos os mínimos erros e todas as pequenas atitudes embaraçosas. Sinto que naquela época era tão, mas tão ingénua e inocente… E acima de tudo, estúpida. Sim, imensamente estúpida! Mas repensando e reavaliando tudo o que fiz, não me arrependo dum único gesto. Todas as minhas escolhas, todas as minhas atitudes, e todas as vezes que cedi e me calei, – porque os sentimentos falaram mais alto – tornaram-me no que hoje sou. E, actualmente, tenho imenso orgulho de quem sou. Mas, sem dúvida alguma, se hoje acontecesse, o que aconteceu há cinco ou quatro anos atrás, jamais agiria da mesma forma. Seria muito mais simples e não teria tanto sofrimento, pelo menos para mim. As pessoas que naquela época foram, loucamente, importantes para mim, duma forma tão cega… teriam sido, facilmente, descartadas. Por vezes, o que amamos não significa que seja o melhor para nós. E infelizmente, eu não me apercebi disso naquele momento, mas serviu-me de lição para os relacionamentos futuros. A menina que se sujeitava a tudo e perdoava tudo esvaiu-se, a menina que amava de forma insensata e incondicional começou a moderar os seus sentimentos, a menina que se entregava de cabeça, sem questionar nada, pondera cada passo… Concluindo, a menina faleceu, e deu lugar a uma mulher. Sim, uma mulher. É o único proveito que retiro de todo o meu passado pungente e deprimente, foi a maturidade e o crescimento que obtive. O que é um pouco irónico, porque isso provém das pessoas infantis e, talvez cruéis, que já conheci em toda a minha vida. Pessoas que colocavam os seus caprichos como prioridade, em vez das pessoas que se preocupavam realmente com elas. Mas isso não importa, actualmente. São “águas passadas”. Hoje em dia, sinto-me bem, feliz e completa, sem o meu passado. Libertei-me dessa prisão, que se caracterizava por dor, mágoa, remorsos, culpa, orgulho e das pessoas que causaram tudo isso. Estou livre. Terminei um capítulo da minha vida, tenho um livro inteiro para escrever, ou viver. Mas, apesar de todas as coisas más que me proporcionaram, que não valem a pena serem relembradas, – estão enterradas, e bem enterradas – forneceram-me aspectos fundamentais para ser o que sou agora. E por isso, deixo o meu enorme agradecimento por me fazerem crescer e mudarem a minha perspectiva inocente do mundo para uma muito mais realista.  
Daqui a um ano, se Deus quiser, estarei num sítio diferente. Estarei rodeada de pessoas diferentes. Estarei afastada das pessoas que, hoje, fazem parte do meu dia-a-dia. Mas, sobretudo, estarei longe das pessoas que mais me são queridas. Estarei longe dos meus colegas, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família. Da minha casa, do meu quarto. Do meu lar, do meu refúgio. Daqui a um ano, quando a necessidade apertar, não terei o regaço da minha mãe para me consolar. Ou num momento de ilusão, não ouvirei as sábias e rígidas palavras do meu pai. Chegou a altura, em que deixo tudo o que é seguro para trás, e atiro-me, de cabeça, para algo novo. E isso é algo que eu abomino, o que é estranho, pois a aventura, o desconhecido, fazem parte da juventude. Mas eu sinto-me tão bem no colo dos meus pais, e nos braços dos meus amigos. Porque sei que são seguros, fixos, permanentes. Sem se alterarem. E eu não gosto de mudanças, não gosto que as coisas me fujam do controlo. Gosto de reflectir no próximo passo que darei, antes mesmo de dá-lo. Mas é tempo de abrir as asas, e aprender a voar – por muito cliché que soe. É a mais pura das verdades. (Acho que a juventude ficou com os meus pais, e toda a velhice e o receio instalaram-se em mim. Eles parecem mais alegres e esperançosos sobre esta minha nova fase de vida.) Mas apesar dos contras, não posso negar a imensa ânsia com que desejo esta nova fase, este novo obstáculo, esta nova mudança. Eu escolhi a minha vida, agora, quero começar a vivê-la. E só será possível, caso concretize este desejo, este sonho, que existe em mim, desde que me conheço como gente. Chegou a minha hora, chegou a hora de fazer algo por mim, e se for como eu sempre quis, fazer algo pelo mundo. (Sim, eu sou uma idealista. E acredito que, por muito insignificante que seja o meu depoimento pela justiça, farei a diferença.) Por isso, daqui a um ano, se Deus quiser, estarei a pensar para ter calma, e que os próximos seis anos envolverão muitas noites mal dormidas, muitas horas de estudo, muitos calmantes, muitos obstáculos, muitas lágrimas, mas no final, tudo correrá bem. Porque eu nasci para isto, e é tudo o que eu mais quero!

Duma forma geral, creio que todas as mulheres são um pouco crentes e ingénuas, ao que se refere a homens. Somos símbolos da vida – puramente literal, já que temos a capacidade de procriar. E devido a essa habilitação de procriação, nasce connosco um lado maternal – impossível de negar ou extinguir. Temos esse lado mais doce, mais meigo que faz com que se reflicta em todos os homens que encontramos ao longo da nossa vida. Todos os amores – os verdadeiros amores, atenção – têm este lado platónico, maternal, imaterial. E como anteriormente referi, nós, mulheres, somos símbolos da vida, o que nos leva à luz e, consecutivamente, à esperança. Somos seres esperançosos. E devido à nossa esperança em abundância e ao amor maternal que esbanjamos é necessário seleccionar o sortudo de tal oferta, e se repararem, caímos sempre no mesmo tipo de pessoa. Homens. Homens sem um futuro, sem uma vida, sem uma luz, sem uma esperança. Um caso perdido. Nós, mulheres, crentes, – como anteriormente referi – julgamos que temos a capacidade de mudar um homem. De mudar a sua vida, a sua perspectiva de vida, os seus comportamentos, tudo. Absolutamente tudo. Então, depositamos a nossa esperança nesse homem e aguardamos que este se modifique. Mas isso não acontece, obviamente. Conclusão? Perdemos a nossa esperança por nada. Ficamos vazias, não mudamos os homens que amamos e no final só nos resta esse amor maternal que sempre desculpa e perdoa o outro. Eles têm sempre tanta sorte. A minha perspectiva do amor é que temos sempre a tendência de escolher um homem perdido e acreditamos sempre puder salvá-lo. Mas não podemos. Porque não temos tal capacidade, e por muita esperança e amor maternal que tenhamos, não nos valerá a pena. No final sairemos desgastadas, mais pobres e com as mãos a abanar, mas acima de tudo, sem coração, sem esperança. 
 
Ao longo da nossa vida, somos muitas mais vezes criticados e insultados do que elogiados. Para tal desgraça, não há remédio. Mas há uma solução para a forma como enfrentamos, ultrapassamos estas situações desagradáveis. A primeira coisa que temos que saber é guardar todos esses elogios. Sim, guardá-los na nossa mente. E sempre que possível reouvi-los, para nos refrescar a memória e a auto-estima. E segundo, sejam sempre honestos. Convosco próprios e com os que vos rodeiam. Tenham princípios e mantenham-se fiéis a estes. Se forem distintos da maioria, não significa que estejam errados. Eu tenho uma verdade, vocês a vossa. Defendam o vosso ponto de vista, a vossa opinião. Sejam vocês mesmos. Sejam únicos. Destaquem-se. Não importa se na perspectiva de outrem seja de forma negativa ou positiva. Se forem verdadeiros, honestos, fieis às vossas verdades, serão felizes. Não importa se os outros apontem o dedo ou maldigam. O importante é como se sentem, como fazem o que acham que é o certo. Não vos irei enganar, e dizer que ao longo da vida, certos insultos não nos deitam a baixo, não nos afectam. É mentira. Todo o ser humano dá importância ao que dizem e pensam sobre ele. Mas lembrem-se que toda a gente possui defeitos e qualidades. E que toda a gente erra. E o problema está no facto das pessoas não admitirem que erram, não no facto de errarem. Isso é perfeitamente natural, normal. Lembrem-se que talvez as pessoas que mais os insultam, são aquelas que não vos conhecem realmente. E por isso, que se lixem! Sejam vocês mesmos, e nunca, mas nunca deixem de seguir as vossas ideologias. E uma vez mais, quando alguém vos disser que não prestam, ou algo semelhante, recordem-se de todos os elogios que receberam até aquele momento e pensem se continuam a ser fiéis a vós próprios e se as vossas ideologias estão a ser cumpridas. Se isso está tudo confirmado, que se lixem as opiniões dos outros! 



Se a minha fonte de escrita és tu, então é preferível tolerar o sacrifício de deixar escrever. Se isso significa que deixarás de assombrar o meu coração, eu suporto tal sentença. És tal e qual uma sombra, uma peste que se entranha e se apodera da pobre carne. Essa mesma carne que outrora fora suave, da cor da neve e sem quaisquer vestígios. Após a tua passagem, a tez escurece, cicatrizes fixam-se em vários pontos e um cheiro de podridão predomina. Tenho medo. Tenho realmente muito medo. Estou aterrorizada. Sinto-me perdida. Esta nova descoberta de sentimentos confunde-me. Baralha-me. Estava tão bem, como estava. Porquê que tinhas que te exibir e apelares o meu interesse amoroso? Espera! Eu disse bem? Eu disse “amoroso”, olha só o meu estado! Estou completamente perdida! Essa tua doença podia apodrecer-me igualmente os olhos e o coração, para deixar de ver e sentir. Tal como o povo sábio português diz: “longe dos olhos, longe do coração”. Como é impossível afastares-te de mim, era benigno os meus olhos serem arrancados e o meu coração abatido. Sinto-me terrivelmente perdida. Isto é desconhecido, assustador. Que farei da minha vida? Se isto que sinto é estranho e tão, mas tão errado? Não busco respostas em ti, porque sei que jamais as encontrarei. (Sem ofensa, mas não tens capacidade para encontrar as tuas próprias respostas, quanto mais as minhas.) Noutra época, ter-te-ia suplicado que me protegesses… Hoje, não. Por favor, deixa-me. Deixa-me encontrar o meu próprio caminho. É isso, eis a solução! Caminhos separados, corações separados, sentimentos destruídos. Encontrei-me. 



És o sonho de qualquer mulher. 

Quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que protestar. É mais fácil, porque inicialmente, soa-nos mais apelativo, convidativo a receber uma carícia do que um estalo. É-nos mais agradável uma palavra doce do que um puxão de orelhas. E nesse momento de facilidade, – quando o amor nos aparece, nos fala – estamos cegos. Mas é uma cegueira benigna, inicialmente. Deixa-nos a suspirar pelos cantos, deixa-nos a sussurrar o nome do amado, deixa-nos a sonhar acordados. Ou seja, um bálsamo para a alma. Porque no momento em que o amor surge, aparece também uma solidão – que anteriormente não a notamos. E ansiamos matá-la, extingui-la. E esse assassinato só é possível com o amor. Mas como anteriormente referi, estamos cegos. E os beijos começam a ser substituídos por dor, e os abraços por ignorância. Então, depois de vivermos este momento doce – que nos atiçou o apetite – valerá a pena suportar a fome?  Porque esta refeição é curta, é momentânea… mas simultaneamente, tão saborosa, tão aprazível. E chega o momento em que exigimos repetir a dose. Mas, estará a pessoa amada disposta a repeti-la? Oh, pudemos sempre tentar, não é verdade? E então, o outro decide doar outro prato, nós provamos, e inocentemente ficamos dependentes. E a partir desse momento, o outro sabe como seduzir-nos, como nos fazer cair. E aí está a resolução inicial: quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que protestar. Porque no fim, nunca estaremos satisfeitos. 

Umas palavras doces e um sorriso torto são a solução. “Não falha”, pensam eles. “Este é diferente…”, pensam as mulheres ingénuas. Somente uma troca de olhares, e o feitiço está lançado. Inicialmente, um abraço ou um beijo na testa, são carícias meramente platónicas. Mais tarde, vem o primeiro beijo. Depois, uma ânsia desconhecida apodera-se do corpo, e o contacto com o outro torna-se pouco; ansiando, esperando, querendo mais, muito mais.
Após uma reflexão, e um suspiro concluído com um: “Eu amo-o”, fazem-nas entregar-se de corpo e alma ao ser que lhes predomina na alma, no coração e na mente. 
Fiando-se que o sentimento é recíproco, atiram-se de cabeça. Entregam-lhes o seu coração, a sua alma e a sua virtude.
Os cavalheiros, que aparentam estar apaixonados, “amam-nas” duma forma arrebatadora. Pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos. Coração com coração – pensam elas. E sentem elas.
Mas eles já sabem a cantiga de cor e salteado, e no momento oportuno, no derradeiro momento da verdade, da entrega, fingem estar apaixonados irrevogavelmente. Citam umas palavras doces, e aproximam-se do corpo da “amada”… meticulosamente, estudam os seus passos e a reacção da presa. Porque eles são uns autênticos predadores, basta olhar-lhes nos olhos. As mulheres é que se deixam levar pelo amor, e têm os olhos turbos pela luxúria, pelo amor e pela ansiedade. Ao chegarem à presa, colocam o seu corpo colado ao desta, e acariciam a sua face e dizem-lhes olhos nos olhos, o quanto as amam, o quanto as desejam, o quanto são belas. Tudo mentiras. Porque esses seres desprezíveis – que são os homens – parecem herdar os cortejos falsos, a capacidade de enganar e mentir, e a ousadia dos seus antepassados, que também foram uns “quebra corações” e aproveitaram-se da sua virilidade, da sua beleza e do seu charme para seduzirem mulheres e raparigas inocentes para as suas camas.
Lentamente, elas deixam-se cair nos seus encantos, e o seu raciocínio deixa de funcionar, porque os lábios do amado estão em contacto com os seus, e vagarosamente, a pele é exposta ao ar e aos olhos do companheiro.
Após a virtude ser rompida, o nome do amado saí-lhe dos lábios inchados – devido aos beijos mais agressivos – como uma mantra.
Quando o “amor” é consumado – é tal e qual como elas imaginam – pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos, coração com coração. Mas não sabem elas, que aquele momento é a sua desgraça, é o momento em que doam o seu coração e a sua alma, para lhes ser devolvida denegrida, torpe.
Após o ápice, o homem liberta-a dos seus braços másculos, e deita-se na cama para o outro lado, como se não suportar-se olhá-la uma vez mais, e adormece. 
A mulher – que acreditava que depois de se entregar ao amado, este iria abraçá-la e juntos adormeceriam, para mais tarde reiniciarem a sua dança amorosa – encara o tecto e revive os momentos tórridos que à pouco tempo viveu. E questiona-se o porquê daquela reacção do companheiro. Poderá ter sido ela o problema? Que poderá fazer ela para recompensar o seu querido? Após umas longas horas de reflexão, as pálpebras cansam-se, e acaba por adormecer.
Mais tarde, acorda com um movimento estranho na cama. Repara que o seu companheiro se levantou e começou a apanhar as suas roupas caídas pelo chão do quarto – porque, horas antes, a ânsia, o desejo era tanto que o sítio onde as roupas foram postas era insignificante. E começa a vestir-se. Surpreendida, decide que é o momento oportuno para se levantar e declarar, uma vez mais, o seu amor. 
Enrola-se no lençol que outrora foi o único cúmplice daquela união, e aproxima-se do homem, que este ignora, continuando a vestir-se. Ela estranha a sua atitude, mas pensa que talvez seja impressão sua de que algo não esteja bem, e começa a recitar-lhe palavras doces e melosas. O homem – como todos eles são, impacientes e rudes – manda-a calar e diz-lhe que foi um caso duma só noite. As lágrimas ameaçam-lhe os olhos, mas ela julga ter ouvido mal. Mas não... esses seres desprezíveis quando dizem algo, é sempre literal. 
Vestido, dirige-se à porta, e nem um olhar retorna à mulher, e esta persegue-o pedindo que reflicta sobre o que pensa fazer. Este repete-lhe que aquilo foi insignificante, que foi uma aventura, e ela, desolada, deixa-se cair no chão, que outrora esteve cheio das suas roupas e das dele. Quando a porta se fecha, é nesse momento, que ouve o seu coração despedaçar-se e a realidade vir ao de cima. 
Foi usada. Foi usada por um ser desprezível que somente a quis para um momento de satisfação momentânea. Agora, as lágrimas saem livres. Roga-lhe milésimas pragas, deseja-lhe a morte e arrepende-se do sucedido. Mas sabe, que apesar de conhecer – agora – a sua natureza, se ele regressasse e a seduzisse para outro momento de paixão, ela aceitaria de olhos fechados, porque ele é o homem da sua vida, é o homem que ama, e é o homem a quem entregou a sua virtude.
E são homens como estes que desgraçam as mulheres ingénuas, que se deixam levar pelas novas emoções, pelas descobertas. 

O ar da noite enfadava o quarto – com um leve odor de eucalipto queimado, provavelmente devido aos incêndios perto daquela região. Aquele quarto simples, com todas as paredes pintadas de branco, uma mobília de mogno: duas mesinhas de cabeceira, um roupeiro, uma cómoda, e por cima da mesma, um espelho redondo e uma cama de casal que anteriormente, lhe pareciam tão familiares, e naquele momento não lhe transmitiam a tão conhecida familiaridade. Não eram os móveis, nem o quarto que faziam com que o ambiente se torna-se agradável. Era a própria pessoa em falta, a pessoa que preenchia o outro lado da mesma cama, na qual ela estava deitada. Devido à falta da sua presença, aproximou-se lentamente do lado vazio da cama… avançava centímetro a centímetro, vagarosamente, na esperança de a qualquer momento colidir com o corpo másculo e quente, que antes a abraçava todas as noites. Infelizmente o lado oposto  – outrora ocupado  – estava vazio, frio e imaculado. Moveu a cabeça da sua almofada, ocupando a outra, e imediatamente o perfume do seu companheiro foi sentido. Espontaneamente, ajustou-se melhor na cama e colocou a cabeça para baixo  – o nariz em contacto com o algodão da forra da almofada  – sentindo mais profundamente o seu cheiro, e instantaneamente lágrimas invadiram os seus olhos, molhando-a, e se fosse possível, intensificando o cheiro. Chorou até que os seus olhos não conseguissem libertar mais água, esperneou até desmanchar os cobertores e os lençóis, pediu socorro até a voz ceder – pediu socorro daquela agonia, daquele abandono que se apoderava cada vez mais dela. Calou-se. Os soluços cessaram, a voz perdeu-se e as lágrimas terminaram. A agonia persistia – agora em silêncio. Como a noite. Silenciosa, mas pungente. Fechou os olhos e desistiu. Deixou-se ser invadida por aquele sofrimento, e ser levada para a inconsciência. Finalmente, adormeceu. Não foi um sono descansado, pelo contrário, sonhou que tinha a seu lado o seu amor. O seu coração voltou a ganhar vida, o seu batimento cardíaco tornou-se irregular; fazendo-a acordar. Ao acordar, relembrou-se da agonia e da cama vazia. Novamente, uma sessão de gritos foi pronunciada, mas uma mão calejada e quente, e junto duma voz doce terminaram o tormento:
  – Shiuuuu… Estou aqui, estou aqui.  – Abraçando-a disse. 
A jovem ainda atordoada – pelo sono ou pelo espanto – levantou-se num ápice, ficando sentada na cama, e defensivamente puxou todo seu cabelo para frente tapando o rosto, colocou os joelhos juntos ao peito e com as mãos tapou os seus ouvidos. E cantarolava, mexendo-se suavemente para a frente e para trás:
 
 –  Estou a sonhar… estou a sonhar…
Ele vendo-a tão frágil, em tanta agonia, soltou um pranto. As lágrimas alcançaram-lhe o rosto e, reflexivamente agarrou-se à mulher da sua vida, e suavemente tirou-lhe ambas mãos,  – que antes tapavam os seus ouvidos  – e sussurrou-lhe delicadamente: 
  –  Olha para mim. Não estás a sonhar, meu amor. 
Ela impressionada pelo seu sonho conseguir reproduzir o seu tom de voz tão correctamente, arriscou em virar o rosto e olhar para a direcção de onde vinha a voz e os braços que a circundavam.
 
 –  Oh meu Deus! Como é possível? É tão real…  – E ao mesmo tempo, afagava-lhe o rosto, maravilhada com a beleza do seu amor. 
Ele sentindo a necessidade de tocá-la, senti-la perto de si, colocou as suas mãos por cima das da dela no seu rosto, e olho-lhe nos olhos húmidos:
 
 –  Sou eu… olha para mim, não vês? Estou aqui. Perdoa-me por não ter chegado mais cedo. 
  –  És mesmo tu?  – Disse ela com uma voz receosa, pensando que quando falasse a miragem do seu amor desaparecesse. 
  –  Sou…  – Retrocedeu, seguido duma risada seca. 
Num ápice, ela agarrou-se a ele, como se a sua vida dependesse disso, e espontaneamente ambos deitaram-se. Deitou-se no seu torso, sentido o seu perfume mais carregado, e ele afagou-lhe os cabelos e cantarolava uma música relaxante, exalando felicidade. 

Amor… O amor. Uma palavra e infinitas definições. Tantos conceitos, metáforas. Não me recordo, é de terem associado o amor à dor. Não é paixão, é amor – ou agora passaram a ser sinónimos, e ninguém me disse nada? Olha que traste, esse tal amor! Agora mudou de características… Optou por algo mais dinâmico e sádico. E hoje estou num daqueles dias melancólicos, logo tenho uma visão mais triste, e os meus sentimentos tornam-se negativos. Perfeito para caracterizar este magnífico sentimento. Este sentimento que corrói pelas entranhas do meu ser, tal e qual um reumatismo. Como um som ensurdecedor que irrita o meu tímpano, tal e qual o zumbido dum insecto. Ou cortante e doloroso como uma faca, deixando que o meu sangue goteje pela minha epiderme. Ou associe – mais correctamente, talvez – ao fogo. No início, um calor confortável, acolhedor e no fim um mal-estar abrasador, uma ardência desconfortável, pungente. Não é assim toda a glória do amor? O primeiro, o segundo… o último. Um sentimento perigoso, e envolve pessoas e mentalidades fracas, de fácil influência. O amor não passa duma influência, dum mal-estar disfarçado, duma mentira. Que se lixe o amor, e o resto. O amor não passa dum capricho, duma ilusão. Que venha o desejo, o prazer, a luxúria, a ganância, o egoísmo. Então… todo o ser humano é instintivo. Que venha a animalidade. Que venha o hedonismo! 

Poderia caracterizar-me com inúmeras palavras, detalhadamente, mas opto pelo essencial. Sempre pelo essencial. Afinal de contas, qual seria a piada, se antes de te apresentares, já saberes todos os pormenores da minha vida? Por isso, aqui vai o essencial: não me considero uma rapariga “normal”. Não me enquadro nesse “grupo”. Porquê? Porque não gosto das mesmas coisas, nem penso da mesma forma que a maioria das raparigas. Sim, sou uma peça fora do jogo. Que irónico! Gosto de ler. Gosto de escrever e de dormir. Muito, muito. Sou uma pessoa bastante caseira. Queres proporcionar-me um momento romântico? Liga a lareira, e estende-te comigo no sofá, enquanto observamos as labaredas arderem. Adoro o Inverno. Frio, chuva e neve. Gosto muito de camisolas de lã. Chá quente, de maçã e canela. Café. Não uso, nem gosto de maquilhagem. Odeio fazer compras. Excepcionalmente livros e relógios. Um dos meus sonhos é ter uma grande biblioteca em minha casa, daqui a uns anos. Os sons mais magníficos no mundo para mim, é o dedilhar dum piano, e o batimento cardíaco da pessoa amada. Sou bastante sentimentalista, apesar de não o demonstrar. Considero-me romântica. Teimosa, muito teimosa. Determinada. Defendo com unhas e dentes as minhas opiniões e os meus princípios. Sou uma mulher de palavra. Sou inteligente. Gosto de reflectir e de aprender. Gosto de conversar sobre experiências passadas, livros lidos ou até mesmo política. Interessa-me bastante. Justa. Provavelmente a minha maior qualidade, e a que mais aprecio no mundo. Sincera. Muito mesmo. Digo o que penso, e não tenho receio de ouvir opiniões controversas. Verdadeira. Sarcástica. Muito mesmo. Adoro castanho e azul. Odeio praia. A minha peça de roupa predilecta é as calças de ganga: porque são práticas e combinam com absolutamente tudo. Uma boa distracção nos tempos livres será um romance nas mãos, e embrulhada nos cobertores da minha humilde cama. Gosto bastante de cinema. Mas prefiro a literatura e a música. Um dia, gostava de escrever um livro. Gosto de música clássica. Quanto aos meus atributos físicos, lamento desiludir-te mas não sou nada chamativa. Sou discreta – aliás gosto de coisas discretas –, e não correspondo, sem margem de dúvida, a essa tal ideologia perfeccionista de como a mulher deve realmente ser. Gosto do diferente, aliás. Mas adoro a monotonia, o quotidiano. Apesar de em mim, esse “diferente” não seja positivo. E realmente não me interessa o número de bíceps que possuís.  Notarei mais rapidamente o teu grau de inteligência, maturidade e o teu lado mais amoroso. Sou frágil, apesar de não parecer. Gosto de dar aquele ar de mulher inquebrável. Infelizmente, sou quebradiça demais. Sou trapalhona. E desastrada. Valorizo imenso o amor. Aliás, acho que o verdadeiro significado da vida é amar e ser amado. Idealizo um amor incondicional, arrebatador, eterno. Preciso de alguém que me respeite e me ame, acima de tudo. Pelo que sou. Tenho oscilações – frequentes e constantes – de humor. Irrito-me facilmente. O essencial está aqui. Desejo-te boa sorte, – porque irás realmente precisar – e espero que realmente me ames e respeites pelo que sou. Tenho bastante orgulho do que sou, apesar de ter inúmeros defeitos. Espero aperfeiçoá-los contigo. 
Os meus olhos cheios de lágrimas já protestam, o meu coração está pesado, e o meu corpo já não resiste. De que nos vale ter alguém querido na nossa vida? Não é preferível adoptar pela solidão eterna, sem afeições, sem amor, sem dependência? Assim, quando essa pessoa for… não haverá transtorno, dor, desilusão, perda. Devíamos ter a capacidade de possuir um botãozinho que dissesse “desligar”, e nos abstraísse de tudo, o que nós sentimos. Sinceramente, preferia viver na ignorância do sentimento, na indiferença. Como um coração ferido, pode manter-se vivo? Estou psicologicamente e fisicamente, cansada. Melancólica. Perdida. E ainda não aceitei os factos. Custar perder alguém que amamos. Queria poder arrancar do meu coração e da minha mente, imagens, lembranças das pessoas passadas. Faz mal esta agonia, esta dependência, esta perda.
(Aonde quer que estejas, descansa em paz. Obrigada pela educação, mimo e amor que me deste durante estes anos todos. Adoro-te muito, padrinho! Não imaginas a falta que nos farás.) 


O amor precisa de organizar as suas prioridades. Os seus objectivos, os seus limites – se os tiver. O amor nunca se torna rotina. Todos os dias, haverá uma descoberta, um momento diferente. O amor deverá ser louco, incondicional, irrevogável, ilimitado, eterno, profundo, sincero, bondoso, verdadeiro, sublime. Qual será a forma correcta de amar? No meu ver, o simples acto de amar é o correcto. Desde que exista amor, tudo é certo. Como é possível saber qual é o momento, a altura ideal para começar a amar? Não há. Não podemos aguardar a pergunta: “Estás pronta?”. Qual seria a nossa resposta?! O amor é espontâneo, surge por acaso. E qual será a pessoa certa para doá-lo? A pessoa certa é aquela que o nosso coração chama. Eu diria que tenho, uma tendência por me apaixonar por idiotas. Mas afinal, qual será o homem certo para mim? Terá olhos castanhos, azuis ou verdes? E a sua cor de cabelo? A sua personalidade? Apenas poderei exigir duas coisas vindas dele: amor e respeito. Quando o amor surgir, eu não terei tempo para responder: “Sim, estou pronta!”. No momento da resposta, já me atirei de cabeça para esse amor, já perdi o meu coração, e já entreguei a minha alma. E depois… apenas me basta que ele corresponda. 
Pedro, ao vê-la diante de si, não suportou tamanho alívio, tamanho amor, tamanha dor. Deixou-se cair, como um corpo morto. Quando os seus joelhos sentiram o áspero e frio chão, Maria correu em direcção a ele, agarrou-lhe o rosto, amparando-lhe a queda. Pedro, ao sentir a sua presença, libertou toda a sua lamúria, desembaraçou-se de toda a sua dor. Maria, diante dele, ajoelhou-se, muito lentamente. Não desviando o seu olhar dos olhos húmidos e ternurentos do seu amado, permanecendo com as suas mãos no rosto do mesmo. Num ápice, afagou-lhe o rosto. Beijou-lhe as faces, o queixo, a testa, os olhos, e por fim, os lábios. Pedro, acordou da sua agonia, e, muito gentilmente colocou suas mãos em torno da cintura de Maria. Beijou-a com todo o seu coração, com toda a sua alma. O ar tornou-se escasso, forçosamente separam-se. Apenas uns milímetros, abraçados e afogados no olhar amoroso, um do outro. Palavras não eram precisas, mas Maria merecia-as. Oh, se as merecia! Necessitava de lhe justificar a sua ausência, o seu abandono. A sua rudeza perante um ser tão precioso. Mas Pedro já o sabia. Uma mulher como aquela, tinha um coração composto de compaixão, perdão. Quando se beijaram, o sentimento que anteriormente existiu, permanecia lá. Pleno, coerente, irrevogável, incondicional, louco, ilimitado. Mas progrediu. Como se isso fosse possível. Foi fortificado. Por isso, Pedro já sabia que seria perdoado. Aliás, já fora perdoado. Mas mesmo assim, Maria merecia uma justificação, um pedido de desculpas, uma redenção. Oh, como se fosse possível estava mais bela! Não haveria uma mulher como aquela. Bondosa, simples e sincera. Era a sua vida! Sem ela não haveria motivo para viver. Ainda pousava as mãos, possessivamente, na sua cintura, ainda sentia o hálito doce de Maria, em seus lábios gretados. Novamente, perdeu-se naquelas duas esmeraldas brilhantes, repletas de amor, e sussurrou-lhe, com o seu olhar de culpa:
– Perdoa-me.
Aguardou alguma reacção, ou uma palavra ríspida vinda dela. Apenas persistia o brilho dos seus olhos verdes, cheios de amor, compaixão… perdão. Perdão. Aonde fora ela buscar tamanha coragem? Perdoar o homem que lhe roubou o coração, e o despedaçou? Não havia mulher como aquela. Vivia pelos outros, colocando sempre os outros à sua frente. Reformulando o desabafo da alma: apenas vivia por Pedro, somente por ele. Colocando-o acima de tudo, acima de si própria. De novo, beijou-a. Como se esperasse uma reacção brusca, um grito pedindo que desaparecesse ou um choro pungente de ver. Nada disso se sucedeu. Maria, ansiosa pelas saudades, quis matá-las – duma só vez. Aprofundou o beijo, encostando-se, o mais possível contra o corpo quente e musculado, do homem da sua vida. Pedro, detectou os sinais de ansiedade e nervosismo de Maria, progrediu, – como se fosse possível – puxando-a ainda mais para perto. Novamente, o maldito ar tornou-se escasso. Porque razão necessitava de ar, se tudo o que precisava estava ali… diante dos seus olhos, em contacto com o seu corpo, na posse das suas mãos?
Separaram-se desgostosos, e Pedro reparou que as palavras tinham sido poucas. Mas as acções tinham sido tão claras… mas era preciso esclarecer dúvidas, acabar com os receios. Colocou cada mão, gentilmente, em cada face do rosto de Maria, e sussurrou-lhe, olhando-a olhos nos olhos:
– Perdoa-me, Maria. Foi inadmissível a minha partida. Perdoa-me!
– Shiuuuu, Pedro…
– Não Maria, não me interrompas! Ouve-me até ao fim, depois poderás dizer que não me queres mais. Perdoa-me! Oh meu Deus, que idiota que eu fui! Eu amo-te, Maria! Eu amo-te! Eu amo-te!
– Oh Pedro, que absurdos são esses? Eu amo-te! Eu amo-te, Pedro! Que raio de idiotice foi essa? Não te querer mais? Como se isso fosse possível! Pedro, perdoou-te. Aliás, já te tinha perdoado à muito. Eu amo-te, não posso viver sem ti. Nunca mais, ouviste bem?
– Oh Maria, oh Maria! Meu amor, minha vida, eu amo-te! Como não ouvi? As tuas palavras são tão sinceras. Como não as ouviria? Seria impossível renunciar este meu amor por ti. Eu vivo por ti, Maria! Por ti!
Pedro, perdido naqueles olhos húmidos de emoção, e verdes como esmeraldas, beijou-a ao de leve, abraçou-a pela cintura. Maria perdeu as suas mãos no cabelo negro e sedoso de Pedro. Beijaram-se, mais uma vez. Olharam-se uma vez mais, apenas confirmando que não era ilusão, e espontaneamente os dois, como se fosse um eco, um reflexo, uma sombra, uma união, ao mesmo tempo, disseram:
– Amo-te!
Palavra por palavra, nota por nota
A literatura e a música completam-se. Pelo menos, a mim completam-me. Um vocábulo, uma palavra, uma melodia, uma nota, uma conjunção de ambos, e torna-se algo belo. Completo, pleno, satisfeito. Palavras expressam o que eu sinto, e a melodia completa ainda mais a sua emoção. Palavras e notas, corroem-me pelas veias, pela mente, pelo coração. Lentamente, a mão escreve, vagarosamente, a mão toca. Sente, explica, compõe, expõe. Tão simples quanto isto. Tenho que confessar, que a literatura preenche um enorme espaço na minha alma, e no meu coração. A música apenas veio completar o restante espaço livre.

Não me resta outra opção, a não ser esta. Tive que me afeiçoar a ti, tive que começar a depender de ti. Não julgues que foi uma obrigação, ou uma desesperada solidão que me obrigaram a tal. Simplesmente preciso de alguém. E esse alguém és tu. Sinto-te cada vez mais distante, e próximo simultaneamente. Não te sei explicar. Existem momentos, que sinto que te perco, e outros que te tenho. É anormal. Falamos todos os dias, e estamos quase todos os dias juntos, ou será que me enganei? Sinto esta necessidade. Necessito de ti. Como um conhecido, como um amigo. Novamente, digo-te que não te escolhi por desespero. Apesar de o ter perdido, sempre precisei de ti. Mesmo com a sua presença. Ou sem ela. És um amigo sem palavras, é gratificante puder conviver contigo diariamente. És fácil de gostar, já to tinha dito. És fácil de amar, aliás. Estar contigo é como desanuviar, abstrair-nos da realidade. É tal e qual isso. És uma paz inexplicável, um sossego acolhedor. Espero, que nunca tenha a oportunidade de te perder, por um segundo que seja. Afinal de contas, és o pouco que me resta. O pouco que existe de bom, em mim. Deixa-me só dizer-te, uma vez mais, obrigada. Muito obrigada, por tudo, será correcto dizer. Mas acima de tudo, obrigada por me fazeres rir, todos os dias, sem excepção. Gosto muito de ti, muito mesmo. Não te esqueças disso, independentemente do que surja.



(Para o meu Bruninho, que bem merece estas palavras)
Tencionava escrevê-lo no dia do teu aniversário, mas não tive coragem. Pensei que seria um pouco embaraçoso escrever-te algo. Aliás, nunca o fiz para alguém da família. Estes últimos tempos tenho aprendido imenso, acredita. Apesar de não o mostrar, aprendi. Estou mais velha, apesar de continuar as mesmas birras que todas as semanas se repetem. É da idade, como toda a gente. Agora, percebo o teu valor. A morte da avó foi algo que abalou bastante as nossas vidas, principalmente a tua. Eu reparo nisso, de facto surpreendeste-me. Não esperava isto de ti. Eu sempre soube que não eras de ferro, mas nunca pensei que te afectaria desta maneira, tão forte emocionalmente. Por vezes, tenho imaginado a dor que tens passado, simplesmente tento imaginar, mas não consigo. É insuportável! Nem conseguirei imaginar como será... e para te ser sincera não tenciono sentir algo parecido, brevemente. Apesar de quase todos os dias ser uma idiota em casa, contigo, com tudo. Tu sabes como é que, é difícil de lidar comigo. Eu estou a tentar melhorar, juro-te. Apesar, de o meu feitio não ajudar, afinal de contas, tenho a quem sair, não é verdade? A partir de agora gostava de ajudar mais. É algo que estou em dívida para contigo, penso isso. Nesta casa sempre foste o pilar principal dela. Quando surgia algo, eras sempre tu que mantinhas o equilíbrio. Sei o quanto eu e o pai, somos difíceis de aturar, mas todos os dias depois de vires do trabalho lá vêm a desgraçada aturar-nos. Depois dum belo dia de esforço e cansaço. Admiro-te imenso, és uma mãe espantosa! Acredita em mim, não estou a dizê-lo, para dar graxa como tu às vezes pensas. Digo-te, por vezes, em tom de brincadeira para não levares tão a sério, e não me sentir tão embaraçada. Todos os filhos dizem ou pensam que têm a melhor mãe do mundo, não será errado se eu pensar o mesmo acerca da minha, pois não? Afinal, és minha mãe e para mim serás sempre a melhor do mundo! Tens-me dado sempre tudo o que precisei, não me posso queixar. Sou bastante mimada, em absolutamente tudo. Todos os meus caprichos são concretizados. Tive sorte em ter uma mãe como tu. Há muitos que desejavam ter uma e não a têm. Eu tenho essa sorte, de te ter. Sempre depositas-te confiança em mim, isso importa bastante para mim. Confias em mim! És liberal, e dás-me a minha liberdade. Claro com regras, mas eu agradeço-as. Por vezes posso ficar irritada ou chateada pelo facto, de não me deixares sair naquele dia, ou pedir-te para me deixares sair à noite e não deixas... naquele momento vou para o quarto enfunada. Mas agradeço! Sei que me faz bem ter limites, e tudo tem a sua hora. Obrigada por teres sempre um pouco de paciência para mim, de me ajudares em tudo o que podes e por seres a mãe que és!
Afinal de contas, mãe há só uma!
Adoro-te, mamã!
(Já o fiz à um ano atrás, mas só hoje tive coragem de o publicar. E hoje fazes anos. Já agora, muitos parabéns Mãe! És uma mãe magnífica.)



Muitos beijinhos da tua filha, Sara
Apaixono-me um pouco mais, em cada noite. Sou sempre a primeira a ter o pijama vestido, e os dentes lavados. Deito-me, à tua espera. No instante seguinte, deitas-te sorrateiramente, pensando num: “não a quero acordar”. Ficas muito quietinho, à espera que eu me vire para o teu lado. Num ápice, viro-me, e encontramo-nos, olhos nos olhos. Com um sorriso maroto, pensas tu: “afinal, estavas acordada”. Esticas o corpo, e eu rendo-me. Coloco a minha cabeça, e as minhas mãos no teu peito, encosto-me o máximo a ti. E é aí, que começas a cantarolar-me muito baixinho. É impossível contrafazer, ou contradizer. Estou, por completo, rendida. Colocas a tua mão, lentamente, em volta da minha cintura. E durante toda a noite, aí permanece. Afastas-me o cabelo com a outra mão, e eu estico-me o máximo, até alcançar o teu rosto. Correspondes-me com um beijo, sem fôlego, e bastante entusiasmado. Volto a deitar-me em teu peito, e embalas-me. Acabas sempre, por repercutir o mesmo:
– Dorme bem…
Mas deixas sempre uma ideia no ar, nunca percebi bem o quê. Tenho a sensação que te falta coragem, de dizer algo mais. Um dia destes, quando o cansaço não vencer tão cedo, irei perguntar-te, se queres dizer-me algo mais. Volto a observar-te, inclino o rosto para cima, e sorrio-te de relance, e volto à posição anterior. Respiro fundo, e deixo-me levar. Pela tua cantoria suave, e pelas tuas mãos carinhosas. Nunca adormeci duma forma tão boa. Já não imagino adormecer doutra forma, a não ser desta.
Adoro aqueles momentos, em que perco a noção do tempo, solto as minhas gargalhadas sem pensar duas vezes, e esqueço-me dos modos de etiqueta. É agradável errar, por vezes. Pedir desculpa, arrepender-se. É um enorme sinal de coragem, destimidez, valentia. É bom, dizer uma ou duas palavras sem pensar, agir de cabeça quente. Coisas insignificantes da vida. Afinal, se fôssemos perfeitos, jamais teríamos que aprender, sofrer, ou tirar partido de algum acontecimento menos apropriado. Sinceramente, não errei em tantos aspectos, como pensei que iria errar. Tenho-me safado bastante bem, na qual designamos “vida”. O meu único defeito é reservar-me muito, restringir-me a pequenos momentos, e guardá-los com toda a minha força no coração, e não ter coragem para avançar. Tenho receio de abrir o meu coração a outro alguém. Abri-o duas vezes, abri-o de duas formas diferentes, para duas pessoas completamente opostas. E no fim, estatelei-me por completo no chão, e saí com o coração e a alma, totalmente torturados. Dizem que temos que aprender com a dor. Bem, o que eu aprendi com isto tudo, só foi fortalecer mais a minha personalidade, a minha ideologia. Reservar-me a mim, e somente a mim. E nunca, mas nunca entregar-nos de forma total a algo, ou a alguém. Ainda tenho uns bons anos pela frente, e tenho alguém que me espera. Alguém que espera o meu coração, e anseio que seja bem tratado. Não sei quem é esse alguém. Não o desconheço de todo. Apenas desconheço o seu nome, o seu rosto e seu amor. Mas brevemente terei conhecimento, dele e duma nova parte de mim. Uma parte de mim, que ainda não renasceu. Mas irá renascer.

Quero-te repleto de arcaísmos, inteligência, e doçura. Espero que saibas apreciar arte, seja ela, pintura, cinema, música ou literatura. Podes até, sussurrar as mais belas citações, dos grandes príncipes, ou a bela poesia que designa sentimentos, sobretudo o “amor”. Puxar-me para o teu peito, e permaneceremos em silêncio, apenas com a melodia, dos nossos corações palpitantes, desordenados e ansiosos. E antes de tudo, que me beijes a testa e me digas o quanto me amas. Todos os dias. Sem hesitação. Que tenhas um belo sorriso, e uma personalidade poderosa. Que sejas sobretudo espontâneo, romântico, persistente, lutador, corajoso, adulto… e belo, à tua maneira. E assim, serás o homem da minha vida
“Irrevogavelmente” foi o meu único pensamento. Senti a minha alma reconfortada, e o meu coração recheado. A forma dos sentimentos era tão desconhecida, mas extremamente agradável. A minha excepcional veleidade era perder-me em seus braços… e deixar que o ego e o desejo falassem mais alto. Perdi-me em seus olhos, e em seus braços. Tal e qual. “Avidamente” agora, fora o meu conceito. Render-me por completo, e deixá-lo chegar ao íntimo do meu profundo ser. Cada contorno, recanto ou pormenor, ele teve. Por um tempo indefinido fui sua. E ele meu. Esta posse, derrubava todas as barreiras que algum obstáculo pretenderia. Uma vez mais, perdi-me em si. E duas almas uniram-se numa só. “Eternamente” raciocinei.
A saudade é como a felicidade, até a um certo limite é merecedora. Depois, é exagerada. Na opinião dos outros, já não mereces nada. Era simples, concordar com eles, e ignorar tais factos. É pena, que não consiga. Era agradável dizer que já passou, e não volta. Aceitar, e seguir em frente. Pediste-me algo impossível. Lamento, dizer-to. Não foste o único, é verdade. Todos os dias, alguém se dirige a mim, com um tom frio e diz que não vale mais a pena. Mas, serão eles que sabem o que vale, ou não? Neste assunto, deveria ser eu a decidir. Aliás, a decisão já foi tomada, à imenso tempo atrás. Nada se reverteu, nem nada se irá modificar. O tempo não volta a atrás, mas isso não significa que as pessoas sejam esquecidas, ou ignoradas. O próprio tempo, normalmente, ajuda a sarar as feridas, facilita o esquecimento, e termina com o que perdurou sem regras, colocando um ponto final nele. No meu caso, o tempo colocou umas simples reticências, e não irão terminar. Ficou algo indeterminado, algo indefinido. Ainda hoje, continuo na dúvida. Se o que vivemos terá sido realmente sentido, verdadeiro. Tentei de tudo um pouco, e nada resultou. Estarei eu, a lutar por algo que não tem retoma? Talvez, esteja. É doloroso ver-te diariamente, perto de mim, e não puder ir ter contigo. É irracional, persistir este tipo de sentimentos, se não existe uma retribuição. Quem me dera, que estivesses a mentir. Quem me dera. Nem imaginas o quanto. Antigamente, a tua teimosia ganhava sempre. Será um reflexo do passado? Gostava que fosse, porque só quer dizer, que iremos ficar, novamente, bem. Iremos ficar juntos. Como sempre gostamos, como sempre quisemos. Uma parte de mim – enorme, aliás – diz que as coisas acabaram, de vez. Mas essa enorme parte, sempre me tentou iludir, para facilitar os momentos de dor, de saudade. Julgas que para mim, é tudo fácil, que não me custa, não te ter? Para ti, sempre o foi. Para ti, jamais houve dor, saudade, vindo da minha parte. Óptimo. Nunca desejei nada desta magnitude a outro ser. Não é nada agradável. E eu sempre quis, – e ainda hoje, quero – o teu bem-estar. Ainda não te acreditas que és tão importante, pois não? Será preciso passar o resto da minha vida, a dizer-to… e mesmo assim, no último dia, custará a perceber, não é? Pois, és mesmo tu. Típico, vindo da tua parte. Só quero que saibas, que mesmo, que não queiras saber mais de mim, que já não me ames, nem algo do género, quero que saibas, que eu não mudo nada do que senti até ao dia de hoje. Lembra-te, que: amar-te-ei para sempre.
How to be
Agora vês o reflexo do espelho. Observas cada pormenor, parece-te impossível. É uma imagem degradante, horrorosa. A tua vontade é de fechar os olhos, e deixar de observar tal coisa. Mas, no momento em que esperas esquecer aquela profunda e real imagem reflectida num simples pedaço insignificante de vidro pensas: «sou eu aquele». E desejavas nunca tal coisa ter acontecido. Como foi possível? Deixaste de ser quem eras, por receio de não seres aceite na sociedade, no teu grupo de amizades e também na tua família. Que tremendo erro! Erraste novamente. Nunca deverias ter pensado mudar, quanto mais fazê-lo. E agora olhaste novamente em direcção ao espelho e viste quem eras. Um monstro. Nos teus olhos pareceste com tal... que coisa mais deprimente. De que forma irás remendar os teus erros, e deixar de sofrer com as consequências? Tentar voltar atrás, e voltares ao que eras. Uma pessoa sã e feliz. Felicidade era algo que te atormentava todos os dias, logo ao acordar. Um belo sorriso enchia-te o rosto e um brilho nos olhos permanecia durante o dia inteiro. À noite como habitual deitavas-te, o sono era sempre profundo... sonhavas sempre com algo bonito. E na manhã seguinte quando acordavas reparavas que tudo o que na vida existia, neste caso na tua vida existia era tudo verdadeiro, e apelativo. Mas, passado uns anos algo fez-te mudar, pensado que seria para melhor. Tinha-te tão dominado que fez-te cair num abismo sem fundo... tropeções, arranhões, cortes, sangue. Tudo que hoje possuís no teu corpo é um dos factores dessa tua miserável decadência. Chega disto! Enfrenta os teus medos, e sê homem. Uma vez na vida luta pela tua própria felicidade, não faças como antigamente... esperavas que ela chegasse logo ao acordar. Enfrenta tudo e todos! Sê forte, tu consegues. Pensa como antes, pensavas: «sou feliz e serei sempre». Pensa com o coração e raciocina com a cabeça. Assim irás longe um dia mais tarde. Chega desta depressão, chega de quedas, tropeções, torturas ou mágoas. Chega de coisas tristes! Chega, é o limite. Impõem-te perante o mundo. É teu, pertence-te cada suspiro feito, cada batimento dado, cada segundo passado. Tudo te pertence. Cabe a ti decidir qual é a melhor opção para iniciar a vida. Amor terás imenso para dar e receber, e tempo esse... será infinito. Força, já és um homem, comporta-te como tal! Afinal de contas:

«YOU'RE NOT NOBODY, YOU'RE SOMEBODY»
My little pini
Parece de louco dizer isto, mas estou completamente dependente de ti. Dependente de todas as formas. É impressionante, nunca foi nada forçado. E foi a coisa mais linda que permaneceu e com o tempo aumentou e a sua beleza novamente também. O que poderia esperar de ti no inicio? Apenas mais uma conhecida lá da escolinha e mais uma para os famosos "interesses". Só para o aumentar e mostrar que tinha imensa gente importante. Que parvoíce! E hoje cheguei ao ponto de ter-te só a ti. Recordas-te, de eu dizer sempre que tinha quatro pessoas importantes na minha vida, e olha... agora? Foram-se duas com o tempo. Apenas restam duas, e tu és uma dela. Neste momento não te quero perder. És a única coisa que me resta. Não penses que foste escolhida por não haver outra opção. Escolhi-te porque sempre foste a mais indicada, mesmo não o dares a entender no inicio. Já se vão quase dois anos e digo-o com um enorme sorriso e cheia de orgulho: nunca tivemos sequer uma pequenina discussão! No passado nunca exigi muito de ti nem pensei excederes as estimativas. Simplesmente não te esperava num recanto importante na minha vida e também no meu coração. Isto que acabarei por ti dizer, poderá parecer um insulto mas és previsível e é algo que eu amo em ti. Previsível no facto de reagires perante mim, e pensares. No modo do que eu posso esperar de ti. Tenho toda a certeza que nunca me magoarás, nunca me desiludirás nem me abandonarás. Não me perguntes porquê que eu tenho esta infinita certeza, e não é só pelo facto de o repetires e prová-lo todos os dias. Apenas sei e sinto-o. E fico-te muito grata pelo facto de teres ficado comigo quando os outros me deixaram ou ignoram-me. Sei que este próximo ano será complicado, para ambas. Estarei a maior parte do tempo sem ti e tu sem mim. Mas nós já fizemos o nosso acordo, e dessa forma dará para matar algumas saudades. E tentaremos estar pelo menos uma vez por mês juntas. Ligarei todos os dias só para te dizer «tenho tantas saudades tuas». Direi a toda a hora, para que não o possas duvidar ou esquecer. Mas lembra-te, duma certa forma estaremos sempre juntas. No coração de cada uma de nós. A nossa presença estará lá. Queria pedir-te para continuares presente na minha vida até o máximo que conseguirmos. Mas sei que as coisas tornam-se sempre mais complicadas. E nos tempos de felicidade não devemos fazer promessas e nos momentos de raiva decidir. Mas não me importo, enquanto quiseres estar comigo eu ficarei grata por isso. Aguentares os meus humores, as minhas mágoas e as minhas infantilidades. Aturas-me de todas as formas e não te queixas, parece que ficas feliz por me aturares. Dás a sensação que agrada-te ajudar-me. De facto, eu adoro quando me mandas uma mensagem ou algo parecido e me dizes o problema que te remoí por dentro. Por dentro dessa magnifica personalidade e alma. És das pessoas mais bonitas que alguma vez conheci. Não digo só pelo exterior, também pelo interior. Pelo exterior acho-te semelhante à Roselie. Nem venhas com o «que exagero Sara», não é exagero nenhum. Tu és linda de todas as formas! E é mais uma das muitas coisas que gosto de ti, a tua beleza. De todas as maneiras. Estou um pouco desorientada. Quero escrever de tudo um pouco, mas estou-me a atrapalhar com as coisas. E não me poderia esquecer dos famosos "boatos" que vagueiam por aí. Tu também já sabes da existência deles, mas eu quero deixar aqui claro. Se és a minha melhor amiga? (Pelo menos é o que me andam a perguntar...) Não, não o és. És muito, mas muito mais do que isso! E és a minha linda e doce Pini. Tu sabes que não te quero perder por nada deste mundo, nem penso em trocar-te por coisa alguma. Mas tu sabes que nós não sabemos o que acontecerá no futuro e é o que mais me assusta. Tenho medo de amanhã de manhã acordar e saber que já nada era como era. Já passei por isso duas vezes, duas grandes perdas. Não quero voltar a passar pelo mesmo. Muito menos por ti! És tão importante que não posso te perder, não te posso deixar escapar da minha vida. Eu amo-te tanto. Eu amo-te de tanta maneira que não sei explicar agora. Eu amo-te mais que tudo! Acredita em mim, não o digo da boca para fora. Eu amo-te de verdade! Eu não te quero perder, eu tentarei de tudo para nunca te magoar ou desiludir. Eu quero que sejas feliz, tu mereces tanto isso. És uma pessoa que tem um sentido de humor que se destaca em qualquer um, um sorriso que fica bem em todas as ocasiões e sabes dizer as palavras indicadas. Mais algumas coisas que amo em ti. És uma pessoa especial, não só para mim. Mas para toda a gente. É fácil viver contigo, lidar sobretudo. Como sempre dizemos «somos o aposto». Pois, somos! Ainda me recordo quando tu dizias: «Somos o oposto meu amor. Dizem que toda a gente se chateia, pois nós nunca tivemos uma discussão. E dizem que nada é para sempre, e enganam-se novamente. Pini e Pom para sempre! Seremos sempre o oposto.». Como adoraria puder concordar e ver isso a acontecer como tu. És tão esperançosa, tão querida, tão especial, tão diferente, tão... sei lá eu. És tanta coisa. Mas serás sempre e sempre a minha Pini. E eu novamente digo-te que amo-te realmente muito. Duma forma que poucagente ama. E sei que tu pensas e sentes exactamente o mesmo por mim. Não sei o que mais dizer, desculpa a confusão. Tu sabes que eu digo-te todos os dias o que sinto e penso em relação a tudo, e principalmente de ti meu pequeno anjo.
(foto tirada: 29.03.2010/Remember me; vimos o Robert *.*)
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«(...)
Now I'm all yours, I'm not afraid.
And you're all mine, say what they may.
And all your love I'll take to a grave.
And all my life starts now.»

V,ida
Gostaria de saber porquê que continuamos a questionar algumas certezas, e a insistir nas coisas passadas ou reviver os obstáculos mortos e desconfiar do momento próximo. E nunca saber ao certo a importância. Desejo tanto como a minha própria vida que seja mais duradouro que o amor ou ódio. Que tenha inteligência para se conseguir aguentar, e durar até ao fim. O fim ao qual dizemos 'morte'. Gostava de ficar contigo até a esse dia, seria diferente. Pois, todos os dias da minha vida, quando acorda-se saberia que te teria comigo, e mais uma vez iria ver-te sorrir e eu sorriria também. Seria extremamente fácil sorrir na tua companhia, contigo nada é forçado. É algo que a tua presença e pessoa, marca a diferença. Vindo de ti posso ter certeza que tudo o que é feito é sempre com a melhor intenção. És o ombro indicado para chorar, o sorriso que se pode sorrir, a amizade que será eterna, a pessoa que se guarda num sítio especial. Para ser mais correcta, talvez sejas tudo o que é necessário para uma pessoa poder tratar por 'amiga'. És tudo isso, e talvez mais. Penso que sempre soube dar-te a exacta importância que mereces, o apoio que precisaste nos momentos mais tristes e te fiz sorrir nas situações que só te tinhas vontade de chorar. Não falo por ti, mas, sim por mim. Acho que também sempre fiz o que pude e o que se calhar o mais indicado não era fazê-lo, mas, por ti não hesitei uma nunca vez. És especial de certo modo, muito especial aliás. Jamais conseguirei explicar-te por palavras os devidos agradecimentos, pedidos de desculpas ou o sentido que dás à minha vida. Sempre que possível irei pedir para ficares mais um pouco, até ao dia que quiseres ir... deixarei ir-te, com muito custo, mas, deixarei. Afinal foi a tua hora. Mas, tu sabes, nós sabemos, que eu ficarei sempre aqui de braços abertos à espera que regresses. Por mais discussões, por mais palavras ditas com toda a pressão, e não sentidas, nós iremos voltar. Até hoje conseguimos provar que somos mais unidas que um ser humano que faça de tudo para nos separar. Um, ou talvez dois. Refiro isto porque sei do que falo, quase que te perdi uma vez por causa duma coisa que sempre achei mais importante. Mas, chega! Como me pude esquecer que sempre foste tu que estiveste ao meu lado, que me ajudaste no possível e no impossível. Foi um episódio que me arrependo, e lamento ter sido tão idiota. Desculpa-me! Sabes bem que não foi por querer, mas, naquela época estava cega, de certo modo. Lamento imenso. Tu consegues superar tudo e todos! Nunca tenhas a tentação de duvidar isso, é exclusivamente um facto. Mais uma vez escrevi para ti, e tentei simplificar o que queria dizer nestes anos. Antes de te conhecer sempre esperei por alguém como tu, até que finalmente chegaste. Não poderei cair novamente na artimanha de te deixar ir. Seria demasiado idiota, e saberia que jamais conseguiria continuar para a frente. Eu amo-te tanto, que já nem sei explicar. E se um dia (como já aconteceu) te disser algo que te magoe ou soe realmente horrível lembra-te:
Eu amar-te-ei para sempre, e serás sempre a minha Vera.

«Ghandi said that whatever you do in life will be insignificant, but it's very important that you do it.»

v
Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, e uma palavra vale mais que mil imagens. E então tu, quanto vales?
Bem, ao certo... mil é muito pouco.
Para mim vales muito mais!
Não te direi agora, neste preciso texto, neste precioso momento o quanto és, quero que o venhas a saber ao decorrer do tempo... ao decorrer das nossas vidas.
Por falar em 'vida'... acho, que finalmente encontrei a palavra que mais te define. VIDA! Exactamente, essa é a tua.
Sabes que se quisesse realmente agradecer-te tudo o que fizeste por mim até hoje, nunca mais sairia daqui, mas mesmo assim: obrigada.
Asseguro-te duma coisa, tu nunca me perderás, nem eu a ti meu amor, prometo, juro.
Estarei sempre ao teu lado, nunca te deixarei "cair" ou mesmo "tropeçar", estarei lá sempre, em qualquer momento ou altura, para te proteger de todos os "perigos" e terei todos os "cuidados" que devemos ter em conta.
«- Quando formos velhinhas, quero ir contigo para aquele lar!»; «- Qual? O lar de S. Vicente?!»
Vera Lúcia Alves Ferreira, amo-te minha vida e já não chega as palavras.
armv *
Minha pini, ensinaram-nos que as amizades têm zangas, e que essas zangas aliás até são um beneficio para a amizade continuar, e continuar...
Mas, nós somos o oposto, conseguimos provar que se pode ter uma maravilhosa amizade, sem uma única zanga ou chatice.
E sabes? Tenho imenso orgulho em dizê-lo!
Quero-te dizer obrigada (sobretudo) pela paciência, pelo afecto e carinho que me tens dado, pela tua forma de ser, por tudo o que tenhas oferecido ou dado.
Já lá vai um longo ano...
Com a medida do tempo, tal como nos ensinaram as pessoas afastam-se, e pela 2º vez digo: somos o oposto meu anjo!
Com o passar do tempo vamos aproximam-nos cada vez, até estarmos inseparáveis, que é o que agora somos e seremos, sempre!
E mais uma 3º coisa, ensinaram-nos que nada é para sempre, não é verdade?
SOMOS O OPOSTO!
PINI & POM, PARA SEMPRE!
Não te digo absolutamente mais nada, porque prefiro repeti-lo todos os dias no nosso quotidiano. Piniiiiiiiiiiiii, quero que saibas que és das gajas mais estúpidas que já conheci em toda minha vida, mas sinceramente, eu AMO-TE!

Biografia

A minha foto
Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

Apreciadores