Fico impressionada e ligeiramente assustada com a fraqueza da nossa capacidade emocional perante situações sentimentais extremamente trágicas… Tanto está tudo bem, estamos felizes da vida, como de repente, tudo muda e desaba. O que pensamos ser permanente e inalterável desmorona-se, sendo essa constatação tão dura como um murro no estômago dado subitamente. 
Como é possível estar fisicamente e emocionalmente radiante e no segundo posterior perceber que afinal estou miserável e dificilmente posso ficar ainda pior do que já estou? Agora consigo ignorar o que realmente se passa e fazer de conta que está tudo bem, mas meio segundo depois a fachada cai e as lágrimas invadem-me os olhos, preparadas para deslizarem pelo rosto sem parar e o pensamento de que está tudo perdido e já não há nada a fazer invade-me a mente. 
Quantas vezes precisamos de ser “espancados” para aceitarmos a constatação dessa dolorosa realidade e ter coragem de seguir em frente? Os milagres só acontecem nas histórias bonitas, na vida real não há milagres, só há perdas. 
Custa-nos assim tanto aceitar a derrota e seguir em frente? Somos tão, mas tão masoquistas e sádicos. E simultaneamente esperançosos… Pensamos sempre que se tentarmos mais uma vez vai fazer diferença, pois é-nos incutido desde pequenos que “tentar não custa nada”. Quem nos ensinou tal, esqueceu-se de avisar o que se sucede após a tentativa. A dor. Após a tentativa vem a dor, e só essa fica. Ninguém quer saber das tentativas. De que adianta tentar e tentar se o objecto da tentativa já faliu, já desistiu? É tempo e esforço gastos de forma inútil. 
E esta agonia que se apodera de nós, após a tentativa, só nos condiciona e não nos permite apostar no que realmente devíamos tentar. Disto retiro que nos devemos dedicar e estimar o que valorizamos e queremos enquanto o temos, depois já não vale a pena… Por muito que tente, não ocorrem milagres na vida real, por isso, por muitas tentativas, o que se perdeu não regressa. E ao constatar esse facto temos de o aceitar, não com mágoa, não com sofrimento, mas com sensatez, com racionalidade. 

Biografia

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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