Segue o teu caminho... Sozinho. Sem grandes emoções, afeiçoamentos ou alvoroços. Não corras riscos, nem deixes que te prendam ou te cativem. Vai andando pela estrada e não olhes para trás. A vida passa e tu não dás por ela. E nunca, mas nunca pares por ninguém ou te desvies do trajecto que tão sensatamente foi construído. Cada coisa no seu lugar, e tu no teu. Sempre a seguir o teu caminho, e não o dos outros.
Por muitos tropeços e joelhos esfolados que tenhas, não desistas e concentra-te no que vês diante dos teus olhos. Levanta-te sozinho, e sem nunca perderes o ânimo. O caminho é para a frente!
Ouve a tua voz interior, que  racionalmente te orienta e não te deixes levar por sentimentalismos externos.
Não te prendas a nada nem a ninguém, foca-te apenas no trajecto que tens que fazer e quando lá chegares... Perceberás o quanto foi agradável e suave a jornada. Sem sofrimentos, sem inseguranças e sem inquietações.
É preferível optar por uma vida sem grandes agitações ou desassossegos, assegurando a tua felicidade e bem-estar, do que sofrer devido às revoluções ou mudanças inconstantes do coração.
Vai andando, vagarosamente, e um dia lá chegarás. A plenitude espera por ti, mas até lá: nunca, mas nunca deixes que ninguém invada o teu caminho e te afecte a viagem. Não precisas de ninguém, e ninguém precisa de ti.
Vá Sara, não sejas tão “florzinha de estufa”… Tudo passa e tudo se resolve. Não sejas tão “fraquinha”, tu aguentas!
Tens uma cabeça por algum motivo. Deixa-te de lamúrias e sensibilidades e foca-te no que realmente interessa. 

Fico impressionada e ligeiramente assustada com a fraqueza da nossa capacidade emocional perante situações sentimentais extremamente trágicas… Tanto está tudo bem, estamos felizes da vida, como de repente, tudo muda e desaba. O que pensamos ser permanente e inalterável desmorona-se, sendo essa constatação tão dura como um murro no estômago dado subitamente. 
Como é possível estar fisicamente e emocionalmente radiante e no segundo posterior perceber que afinal estou miserável e dificilmente posso ficar ainda pior do que já estou? Agora consigo ignorar o que realmente se passa e fazer de conta que está tudo bem, mas meio segundo depois a fachada cai e as lágrimas invadem-me os olhos, preparadas para deslizarem pelo rosto sem parar e o pensamento de que está tudo perdido e já não há nada a fazer invade-me a mente. 
Quantas vezes precisamos de ser “espancados” para aceitarmos a constatação dessa dolorosa realidade e ter coragem de seguir em frente? Os milagres só acontecem nas histórias bonitas, na vida real não há milagres, só há perdas. 
Custa-nos assim tanto aceitar a derrota e seguir em frente? Somos tão, mas tão masoquistas e sádicos. E simultaneamente esperançosos… Pensamos sempre que se tentarmos mais uma vez vai fazer diferença, pois é-nos incutido desde pequenos que “tentar não custa nada”. Quem nos ensinou tal, esqueceu-se de avisar o que se sucede após a tentativa. A dor. Após a tentativa vem a dor, e só essa fica. Ninguém quer saber das tentativas. De que adianta tentar e tentar se o objecto da tentativa já faliu, já desistiu? É tempo e esforço gastos de forma inútil. 
E esta agonia que se apodera de nós, após a tentativa, só nos condiciona e não nos permite apostar no que realmente devíamos tentar. Disto retiro que nos devemos dedicar e estimar o que valorizamos e queremos enquanto o temos, depois já não vale a pena… Por muito que tente, não ocorrem milagres na vida real, por isso, por muitas tentativas, o que se perdeu não regressa. E ao constatar esse facto temos de o aceitar, não com mágoa, não com sofrimento, mas com sensatez, com racionalidade. 
Ai Sara, Sara… Sempre tão idealista e crente. Por muito que acredites em determinados valores que tanto tentas seguir afincadamente, não significa que se concretizem na vida real. Já tens idade suficiente para perceber que no mundo nem tudo é justo ou íntegro. 
Aprende com a vida: afinal, nem sempre os justos, os honestos e os correctos no fim ganham… Também sofrem e perdem como os outros. Não somos excepção. 

Biografia

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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