A minha primeira serenata poderia ser descrita por uma só palavra: indescritível, porém há que realçar pontinho por pontinho para que possa revivê-la sistematicamente, sem que a memória me traía. Há esta necessidade de descrevê-la ao pormenor, no caso desta minha “caixinha de arrecadações” se esqueça. Após um jantar imensamente agradável, repleto de caloiras entusiasmadas e doutoras bem-dispostas, seguiu-se o caminho para a tão esperada Serenata da Latada no largo da Sé Nova. Um caminho com uma subida íngreme, farto de estudantada trajada, escadas e rampas escorregadias, que foi feito na companhia da madrinha trajada e bem-disposta, que se queixou ao longo do trajecto da dificuldade em o subir. Chegamos antes da hora, o que nos permitiu encontrar um sítio com uma boa visibilidade para as escadas da igreja, onde se encontravam os intérpretes todos vestidos a rigor, usando imponentemente as tão famosas e clássicas capas e batinas da Universidade de Coimbra. Antes do verdadeiro espectáculo começar, fomos tirando algumas fotografias para daqui uns anos recordar e fomos comentando coisas aleatórias e demonstrando o enorme entusiasmo para o que se sucederia. Meia-noite. Finalmente, tinha chegado a hora. Lado a lado com a madrinha e aconchegadas pela capa preta, como já é tradição, fomos ouvindo os acordes da típica guitarra portuguesa e vozes angelicais entoando músicas que beiram a perfeição – não querendo ser exagerada. (Caso fosse exagerada diria que eram realmente perfeitas.) Com o desenrolar do momento esbelto, apercebi-me que estava abraçada à minha madrinha e ela a mim, e que esta chorava devido aos sentimentalismos que este acontecimento nos proporciona. Devido ao dilúvio não foi possível continuarmos até ao fim, porém a pequena parte que assisti, que vi, que ouvi e, - sobretudo – que senti, fizeram este momento um dos mais marcantes e inesquecíveis de toda a minha vida. Foi um momento perfeito, um acontecimento no qual não alteraria absolutamente nada. Até o tempo, apesar de ser prejudicial, deu outro encanto à situação. E quando dizem que Coimbra não se explica, sente-se… Finalmente, percebi o que isso significa. 

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«Para bom entendedor, meia palavra basta»

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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