Esta situação fúnebre coloca-me numa posição que tento ao máximo evitar. Recordo-me de todas as pessoas que um dia perdi, e que, no futuro, estou sujeita a perder. Porém, no meio deste aglomerado, há alguém que se destaca. Alguém que me acompanhou desde o meu primeiro dia de vida até ao último dia da sua vida. A minha última lembrança dessa pessoa, em específico, não é das mais agradáveis. Aliás, a meu ver, a nossa última lembrança de qualquer pessoa especial, nunca é agradável. Mas esta em concreto dilacera-me.  A inércia, o sofrimento, a enfermidade que se apoderava do seu corpo e denegria a sua alma tão caridosa, é o que predomina nas minhas recordações. Gostava tanto de saber onde tal alma reside, actualmente. Onde estás? Essa resposta resolveria todo o meu tormento, dúvida e dor que predominam na minha existência. Pois, este meu medo paranóico da morte aflige-me, continuamente, e assim será até ao resto dos meus dias. E esta preocupação do fim da tua existência poderia ser dissolvida. Para mim, existirás sempre, independentemente da circunstância. O afecto e o sentimento que sempre estiveram associados a ti, persistirão até ao fim. Enquanto eu viver, eles existirão. E recordar-te-ei, todos os dias da minha vida, sem excepção. Não tenho palavras para transmitir a gratidão que nutro por todo o carinho, mimo, educação e amor que me proporcionaste. Lamento imenso. Peço desculpa pela minha atitude egoísta, perante certas pessoas que tanto fizeram parte da tua vida, como fazem da minha. Mas simplesmente não consigo entrar num espaço que está impregnado de memórias tuas. Eu sei que onde quer que estejas, deves estar, terrivelmente, aborrecido comigo, mas eu sei que continuarei a ser a tua menina e que serei perdoada. Não imaginas a falta que me fazes. Amo-te tanto! Acho que nunca te cheguei a dizer isto… É mais um dos muitos arrependimentos que tenho às costas. Apesar disso, trabalharei todos os dias, para que te sintas orgulhoso de mim. E tornar-me-ei a mulher que tu tanto me disseste para ser. O que me custa mais, é constatar que apesar de desejar, imensamente, a tua presença, esta nunca mais retornará. Pelo menos, fisicamente. Pois, de forma espiritual, estarás, eternamente, no meu coração. Nos momentos mais difíceis recordo-me sempre do teu olhar orgulhoso e das tuas palavras doces, destinados só a mim. À tua menina. 
Querido e eterno padrinho, onde quer que estejas, descansa em paz. 

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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