1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. Respira fundo, Sara! Reprime as lágrimas. Controla o nervosismo e a ansiedade. Expulsa o pessimismo. Liberta toda a angústia. Esta situação, apesar de me perseguir todos os dias, parece que somente agora me fez acordar. Como se fosse um abanão brusco, rude, bruto. A minha vida decide-se, daqui a uns meros meses, e está tudo nas minhas mãos. Não sei qual seria o pior… Se estivesse pendente de terceiros ou somente de mim. Os meus esforços, os meus sacríficos, o meu trabalho alcançados até agora, não são o suficiente? É normal eu acreditar mais na possibilidade de não conseguir? Será a minha indução apuradíssima a dar-me um aviso ou é simplesmente o meu pessimismo crónico a sobrepor-se? Gostava de obter algumas certezas, de forma rápida. Isto resume-se a tudo o que sempre desejei, ambicionei, sonhei. Isto é a minha futura felicidade. Não me imagino noutro lugar ou a exercer outra função. É tudo o que mais quero, e quererei, para sempre. Atingir este objectivo resume-se ao significado da minha vida. Numa linguagem mais dramática e excessiva, mas não deixa de ser verdade. Eu nasci para isto. Eu preciso disto. Eu vivo por isto. Independentemente das complicações que esta escolha me forneça, eu aceito-as todas, de bom grado. Eu tenho consciência das futuras lágrimas vertidas, do nervosismo que me consumirá, dos sacrifícios e deveres que englobam esta decisão. Mas não me importo, lidarei com tal suplício de forma aprazível. Se estou tão disposta a todo este tormento, porquê que nenhuma alma caridosa – por exemplo, a minha – me dá um pequeno consolo e acredita que irei conseguir? Eu tenho que conseguir concretizar este objectivo! A minha felicidade depende dessa superação. Eu dependo dessa realização. Não posso falhar! Não posso errar! Não tolero desilusões. Já tive muitos erros e falhas ao longo da minha existência, não poderei perder algo tão importante. Mas por vezes, sinto que tornar-me-ei a falhada que sempre temi ser. 

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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