Não sei se é o tempo penoso ou o meu estado de espírito desanimado, que me fazem ter estes pensamentos, estas sensações. Esta monotonia faz-me recordar os tempos em que a minha mente e o meu coração não possuíam qualquer pausa. Aquela excitação do primeiro amor, aquela dor suicida, aquele amor tresloucado e imaturo, aquela paixão desenfreada, aquela sofreguidão, todo um conjunto de sentimentos e sensações violentas, radicais, soberanas. Tudo isso consumia-me a alma, o corpo, o coração e a mente. Tudo causado por um mero traste. Infelizmente ou felizmente, se fechar os olhos e tentar imaginar o seu rosto, recordo-me de toda a sua fisionomia, de todos os seus traços. Apesar de ter sido um crápula, tenho de reconhecer, era bonito. Não é que sinta saudades dele, ou de tudo o que me fez sentir de bom ou mau, é somente uma falta, uma necessidade de movimento, de agitação, de acção. E consequentemente, tenho que regredir a esses tempos e comparar a monotonia de hoje com o alvoroço que era há uns anos atrás. Ao retornar aos velhos tempos, sinto de forma mais subtil, mais leve, tudo o que senti naquela época, de bom ou mau, mas senti de forma marcante. Isto poderá até soar masoquista, e um pouco irracional, porque, actualmente, eu tenho conhecimento do que isto quer dizer, mas seria agradável sentir tudo isto de novo. Todos os altos e baixos. É tolo, sem dúvida alguma, mas seria aprazível, por outro lado. 

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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