É neste tipo de momentos  melancólicos, parados e deprimentes – que me assola uma necessidade de hibernar. Hibernar, literalmente. O meu cérebro tem dado voltas, e mais voltas, provocando dores de cabeça e choramingos por parte do meu lado sentimental. Preciso de descanso. Preciso de repousar de forma tranquila, serena, profunda. Necessito de desligar a minha mente. Mas apesar de reconhecer a necessidade de uma pausa, o meu cérebro, o meu próprio organismo, rejeitam qualquer tipo de descanso. O dia em que deixar de pensar, de reflectir, de analisar, de racionalizar estarei morta. Porque isto sou eu. A busca pela razão, a procura pela lógica, o uso da inteligência, o melhoramento dos argumentos. Tudo isso define-me. E eu não posso, nem quero mudar a minha essência. Queria somente, temporariamente, descansar. Queria que a minha consciência fosse de férias e me deixasse livre por uns tempos. Não é que a tenha pesada, pelo contrário, racionalmente, eu estou certa e isso não mudará. Nem mudarei de opinião ou de atitude, mas queria que a minha consciência me parasse de dizer de forma irónica: “Parabéns, uma vez mais, agiste de forma racional, como tu sempre queres.”; e, por outro lado, parasse de me apontar o dedo, dizendo: “Agora, aceita as consequências das tuas atitudes racionais.” A minha consciência é sádica. Não… eu sou sádica. A minha consciência é um massacre. Um autêntico massacre. Uma praga da qual não me consigo livrar, mas – a meu ver  é das faculdades mais preciosas que possuo. Jamais seria capaz de abdicar dela. Por isso, serei sempre assim. Todas as palavras ditas, todos os passos dados, tudo será analisado, minuciosamente, pela minha preciosa e masoquista consciência. Não eu me importo, já estou habituada, e é graças a ela que consigo analisar os meus erros e não repeti-los. É a minha consciência que me proporciona o senso de justiça que eu tanto idolatro. E me possibilita cumprir a ideologia  que desde muito cedo me foi incutida  do dever. Mas, infelizmente, tenho o coração nas mãos. E não sei o que fazer. A racionalidade nestas alturas foge, deixando-me sozinha. Preciso, definitivamente, de hibernar. Preciso de um romance do meu doce Eça de Queirós, de uma tigela cheia de grãos de romã e de muitos chocolates, e talvez um ou dois pacotes de lenços para que possa aliviar esta angústia toda.
(Enfim, quando perco toda a minha racionalidade, fico mesmo deprimente e deplorável.) 


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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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