Agora que tenho a oportunidade de repensar no meu passado,
de forma muito mais racional, posso verificar todos os mínimos erros e todas as
pequenas atitudes embaraçosas. Sinto que naquela época era tão, mas tão ingénua
e inocente… E acima de tudo, estúpida. Sim, imensamente estúpida! Mas
repensando e reavaliando tudo o que fiz, não me arrependo dum único gesto.
Todas as minhas escolhas, todas as minhas atitudes, e todas as vezes que cedi e
me calei, – porque os sentimentos falaram mais alto – tornaram-me no que hoje
sou. E, actualmente, tenho imenso orgulho de quem sou. Mas, sem dúvida alguma, se
hoje acontecesse, o que aconteceu há cinco ou quatro anos atrás, jamais agiria
da mesma forma. Seria muito mais simples e não teria tanto sofrimento, pelo
menos para mim. As pessoas que naquela época foram, loucamente, importantes
para mim, duma forma tão cega… teriam sido, facilmente, descartadas. Por vezes,
o que amamos não significa que seja o melhor para nós. E infelizmente, eu não
me apercebi disso naquele momento, mas serviu-me de lição para os relacionamentos
futuros. A menina que se sujeitava a tudo e perdoava tudo esvaiu-se, a menina que amava
de forma insensata e incondicional começou a moderar os seus sentimentos, a menina
que se entregava de cabeça, sem questionar nada, pondera cada passo…
Concluindo, a menina faleceu, e deu lugar a uma mulher. Sim, uma mulher. É o
único proveito que retiro de todo o meu passado pungente e deprimente, foi a
maturidade e o crescimento que obtive. O que é um pouco irónico, porque isso
provém das pessoas infantis e, talvez cruéis, que já conheci em toda a minha
vida. Pessoas que colocavam os seus caprichos como prioridade, em vez das
pessoas que se preocupavam realmente com elas. Mas isso não importa,
actualmente. São “águas passadas”. Hoje em dia, sinto-me bem, feliz e completa, sem o meu passado. Libertei-me
dessa prisão, que se caracterizava por dor, mágoa, remorsos, culpa, orgulho e
das pessoas que causaram tudo isso. Estou livre. Terminei um capítulo da minha vida,
tenho um livro inteiro para escrever, ou viver. Mas, apesar de todas as coisas más que me proporcionaram, que não valem a pena
serem relembradas, – estão enterradas, e bem enterradas – forneceram-me
aspectos fundamentais para ser o que sou agora. E por isso, deixo o meu enorme
agradecimento por me fazerem crescer e mudarem a minha perspectiva inocente do
mundo para uma muito mais realista.
Biografia
- Sara Almeida
- Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.
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