Daqui a um ano, se Deus quiser, estarei num sítio diferente. Estarei rodeada de pessoas diferentes. Estarei afastada das pessoas que, hoje, fazem parte do meu dia-a-dia. Mas, sobretudo, estarei longe das pessoas que mais me são queridas. Estarei longe dos meus colegas, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família. Da minha casa, do meu quarto. Do meu lar, do meu refúgio. Daqui a um ano, quando a necessidade apertar, não terei o regaço da minha mãe para me consolar. Ou num momento de ilusão, não ouvirei as sábias e rígidas palavras do meu pai. Chegou a altura, em que deixo tudo o que é seguro para trás, e atiro-me, de cabeça, para algo novo. E isso é algo que eu abomino, o que é estranho, pois a aventura, o desconhecido, fazem parte da juventude. Mas eu sinto-me tão bem no colo dos meus pais, e nos braços dos meus amigos. Porque sei que são seguros, fixos, permanentes. Sem se alterarem. E eu não gosto de mudanças, não gosto que as coisas me fujam do controlo. Gosto de reflectir no próximo passo que darei, antes mesmo de dá-lo. Mas é tempo de abrir as asas, e aprender a voar – por muito cliché que soe. É a mais pura das verdades. (Acho que a juventude ficou com os meus pais, e toda a velhice e o receio instalaram-se em mim. Eles parecem mais alegres e esperançosos sobre esta minha nova fase de vida.) Mas apesar dos contras, não posso negar a imensa ânsia com que desejo esta nova fase, este novo obstáculo, esta nova mudança. Eu escolhi a minha vida, agora, quero começar a vivê-la. E só será possível, caso concretize este desejo, este sonho, que existe em mim, desde que me conheço como gente. Chegou a minha hora, chegou a hora de fazer algo por mim, e se for como eu sempre quis, fazer algo pelo mundo. (Sim, eu sou uma idealista. E acredito que, por muito insignificante que seja o meu depoimento pela justiça, farei a diferença.) Por isso, daqui a um ano, se Deus quiser, estarei a pensar para ter calma, e que os próximos seis anos envolverão muitas noites mal dormidas, muitas horas de estudo, muitos calmantes, muitos obstáculos, muitas lágrimas, mas no final, tudo correrá bem. Porque eu nasci para isto, e é tudo o que eu mais quero!

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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