Duma forma geral, creio que todas as mulheres são um pouco crentes e ingénuas, ao que se refere a homens. Somos símbolos da vida – puramente literal, já que temos a capacidade de procriar. E devido a essa habilitação de procriação, nasce connosco um lado maternal – impossível de negar ou extinguir. Temos esse lado mais doce, mais meigo que faz com que se reflicta em todos os homens que encontramos ao longo da nossa vida. Todos os amores – os verdadeiros amores, atenção – têm este lado platónico, maternal, imaterial. E como anteriormente referi, nós, mulheres, somos símbolos da vida, o que nos leva à luz e, consecutivamente, à esperança. Somos seres esperançosos. E devido à nossa esperança em abundância e ao amor maternal que esbanjamos é necessário seleccionar o sortudo de tal oferta, e se repararem, caímos sempre no mesmo tipo de pessoa. Homens. Homens sem um futuro, sem uma vida, sem uma luz, sem uma esperança. Um caso perdido. Nós, mulheres, crentes, – como anteriormente referi – julgamos que temos a capacidade de mudar um homem. De mudar a sua vida, a sua perspectiva de vida, os seus comportamentos, tudo. Absolutamente tudo. Então, depositamos a nossa esperança nesse homem e aguardamos que este se modifique. Mas isso não acontece, obviamente. Conclusão? Perdemos a nossa esperança por nada. Ficamos vazias, não mudamos os homens que amamos e no final só nos resta esse amor maternal que sempre desculpa e perdoa o outro. Eles têm sempre tanta sorte. A minha perspectiva do amor é que temos sempre a tendência de escolher um homem perdido e acreditamos sempre puder salvá-lo. Mas não podemos. Porque não temos tal capacidade, e por muita esperança e amor maternal que tenhamos, não nos valerá a pena. No final sairemos desgastadas, mais pobres e com as mãos a abanar, mas acima de tudo, sem coração, sem esperança. 

Biografia

A minha foto
Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

Apreciadores