Acho que estou a começar a perder toda a minha inocência. Até uns dias atrás, todas as pessoas, a meu ver, tinham algo de bom, algo bondoso. Hoje, já não acho o mesmo. Posso confirmar que mais de meio mundo é sádico e invejoso. Num espaço curtíssimo de dias, vi de tudo. Vi inveja, hipocrisia, cinismo, sadismo, de tudo um pouco. Sentimentos que corrompem o ser humano. Aliás, acho que o ser humano, actualmente, – duma forma geral – pouco sabe sobre altruísmo, bondade, compaixão, sacrifícios, amizade, amor, lealdade. Todas essas coisas que assumimos serem características que acompanham o ser humano desde o seu nascimento, infelizmente, já não existem em abundância. Mas o que mais me revolta, não é o mal só por si só, mas sim, a sua irracionalidade, a sua falta de lógica e falta de motivos. E isso irá perseguir-me a vida toda. 
Há pessoas tão medíocres e mesquinhas. Há pessoas tão, mas tão más. Tão reles. A única solução para a sua maldade, para a sua podridão seria a morte, mas até essa foge. É um facto, haverá sempre pessoas que nasceram para nos atazanar o juízo, para nos tirarem do sério e para nos fazerem infelizes. Pessoas que desejam a nossa infelicidade, é o que mais há. Mas o que me perturba, é que eles não ganham nada com a nossa infelicidade. Por isso, podemos ver que o mundo é maléfico, sem qualquer razão aparente.
(Por isso, para todos os que desejam a minha infelicidade, lamento informar-vos, mas eu sempre consigo dar a volta. Mas continuem, tudo isso me dá ainda mais força.)  


Agora que tenho a oportunidade de repensar no meu passado, de forma muito mais racional, posso verificar todos os mínimos erros e todas as pequenas atitudes embaraçosas. Sinto que naquela época era tão, mas tão ingénua e inocente… E acima de tudo, estúpida. Sim, imensamente estúpida! Mas repensando e reavaliando tudo o que fiz, não me arrependo dum único gesto. Todas as minhas escolhas, todas as minhas atitudes, e todas as vezes que cedi e me calei, – porque os sentimentos falaram mais alto – tornaram-me no que hoje sou. E, actualmente, tenho imenso orgulho de quem sou. Mas, sem dúvida alguma, se hoje acontecesse, o que aconteceu há cinco ou quatro anos atrás, jamais agiria da mesma forma. Seria muito mais simples e não teria tanto sofrimento, pelo menos para mim. As pessoas que naquela época foram, loucamente, importantes para mim, duma forma tão cega… teriam sido, facilmente, descartadas. Por vezes, o que amamos não significa que seja o melhor para nós. E infelizmente, eu não me apercebi disso naquele momento, mas serviu-me de lição para os relacionamentos futuros. A menina que se sujeitava a tudo e perdoava tudo esvaiu-se, a menina que amava de forma insensata e incondicional começou a moderar os seus sentimentos, a menina que se entregava de cabeça, sem questionar nada, pondera cada passo… Concluindo, a menina faleceu, e deu lugar a uma mulher. Sim, uma mulher. É o único proveito que retiro de todo o meu passado pungente e deprimente, foi a maturidade e o crescimento que obtive. O que é um pouco irónico, porque isso provém das pessoas infantis e, talvez cruéis, que já conheci em toda a minha vida. Pessoas que colocavam os seus caprichos como prioridade, em vez das pessoas que se preocupavam realmente com elas. Mas isso não importa, actualmente. São “águas passadas”. Hoje em dia, sinto-me bem, feliz e completa, sem o meu passado. Libertei-me dessa prisão, que se caracterizava por dor, mágoa, remorsos, culpa, orgulho e das pessoas que causaram tudo isso. Estou livre. Terminei um capítulo da minha vida, tenho um livro inteiro para escrever, ou viver. Mas, apesar de todas as coisas más que me proporcionaram, que não valem a pena serem relembradas, – estão enterradas, e bem enterradas – forneceram-me aspectos fundamentais para ser o que sou agora. E por isso, deixo o meu enorme agradecimento por me fazerem crescer e mudarem a minha perspectiva inocente do mundo para uma muito mais realista.  
Daqui a um ano, se Deus quiser, estarei num sítio diferente. Estarei rodeada de pessoas diferentes. Estarei afastada das pessoas que, hoje, fazem parte do meu dia-a-dia. Mas, sobretudo, estarei longe das pessoas que mais me são queridas. Estarei longe dos meus colegas, dos meus amigos, dos meus pais, da minha família. Da minha casa, do meu quarto. Do meu lar, do meu refúgio. Daqui a um ano, quando a necessidade apertar, não terei o regaço da minha mãe para me consolar. Ou num momento de ilusão, não ouvirei as sábias e rígidas palavras do meu pai. Chegou a altura, em que deixo tudo o que é seguro para trás, e atiro-me, de cabeça, para algo novo. E isso é algo que eu abomino, o que é estranho, pois a aventura, o desconhecido, fazem parte da juventude. Mas eu sinto-me tão bem no colo dos meus pais, e nos braços dos meus amigos. Porque sei que são seguros, fixos, permanentes. Sem se alterarem. E eu não gosto de mudanças, não gosto que as coisas me fujam do controlo. Gosto de reflectir no próximo passo que darei, antes mesmo de dá-lo. Mas é tempo de abrir as asas, e aprender a voar – por muito cliché que soe. É a mais pura das verdades. (Acho que a juventude ficou com os meus pais, e toda a velhice e o receio instalaram-se em mim. Eles parecem mais alegres e esperançosos sobre esta minha nova fase de vida.) Mas apesar dos contras, não posso negar a imensa ânsia com que desejo esta nova fase, este novo obstáculo, esta nova mudança. Eu escolhi a minha vida, agora, quero começar a vivê-la. E só será possível, caso concretize este desejo, este sonho, que existe em mim, desde que me conheço como gente. Chegou a minha hora, chegou a hora de fazer algo por mim, e se for como eu sempre quis, fazer algo pelo mundo. (Sim, eu sou uma idealista. E acredito que, por muito insignificante que seja o meu depoimento pela justiça, farei a diferença.) Por isso, daqui a um ano, se Deus quiser, estarei a pensar para ter calma, e que os próximos seis anos envolverão muitas noites mal dormidas, muitas horas de estudo, muitos calmantes, muitos obstáculos, muitas lágrimas, mas no final, tudo correrá bem. Porque eu nasci para isto, e é tudo o que eu mais quero!

Duma forma geral, creio que todas as mulheres são um pouco crentes e ingénuas, ao que se refere a homens. Somos símbolos da vida – puramente literal, já que temos a capacidade de procriar. E devido a essa habilitação de procriação, nasce connosco um lado maternal – impossível de negar ou extinguir. Temos esse lado mais doce, mais meigo que faz com que se reflicta em todos os homens que encontramos ao longo da nossa vida. Todos os amores – os verdadeiros amores, atenção – têm este lado platónico, maternal, imaterial. E como anteriormente referi, nós, mulheres, somos símbolos da vida, o que nos leva à luz e, consecutivamente, à esperança. Somos seres esperançosos. E devido à nossa esperança em abundância e ao amor maternal que esbanjamos é necessário seleccionar o sortudo de tal oferta, e se repararem, caímos sempre no mesmo tipo de pessoa. Homens. Homens sem um futuro, sem uma vida, sem uma luz, sem uma esperança. Um caso perdido. Nós, mulheres, crentes, – como anteriormente referi – julgamos que temos a capacidade de mudar um homem. De mudar a sua vida, a sua perspectiva de vida, os seus comportamentos, tudo. Absolutamente tudo. Então, depositamos a nossa esperança nesse homem e aguardamos que este se modifique. Mas isso não acontece, obviamente. Conclusão? Perdemos a nossa esperança por nada. Ficamos vazias, não mudamos os homens que amamos e no final só nos resta esse amor maternal que sempre desculpa e perdoa o outro. Eles têm sempre tanta sorte. A minha perspectiva do amor é que temos sempre a tendência de escolher um homem perdido e acreditamos sempre puder salvá-lo. Mas não podemos. Porque não temos tal capacidade, e por muita esperança e amor maternal que tenhamos, não nos valerá a pena. No final sairemos desgastadas, mais pobres e com as mãos a abanar, mas acima de tudo, sem coração, sem esperança. 
 
Ao longo da nossa vida, somos muitas mais vezes criticados e insultados do que elogiados. Para tal desgraça, não há remédio. Mas há uma solução para a forma como enfrentamos, ultrapassamos estas situações desagradáveis. A primeira coisa que temos que saber é guardar todos esses elogios. Sim, guardá-los na nossa mente. E sempre que possível reouvi-los, para nos refrescar a memória e a auto-estima. E segundo, sejam sempre honestos. Convosco próprios e com os que vos rodeiam. Tenham princípios e mantenham-se fiéis a estes. Se forem distintos da maioria, não significa que estejam errados. Eu tenho uma verdade, vocês a vossa. Defendam o vosso ponto de vista, a vossa opinião. Sejam vocês mesmos. Sejam únicos. Destaquem-se. Não importa se na perspectiva de outrem seja de forma negativa ou positiva. Se forem verdadeiros, honestos, fieis às vossas verdades, serão felizes. Não importa se os outros apontem o dedo ou maldigam. O importante é como se sentem, como fazem o que acham que é o certo. Não vos irei enganar, e dizer que ao longo da vida, certos insultos não nos deitam a baixo, não nos afectam. É mentira. Todo o ser humano dá importância ao que dizem e pensam sobre ele. Mas lembrem-se que toda a gente possui defeitos e qualidades. E que toda a gente erra. E o problema está no facto das pessoas não admitirem que erram, não no facto de errarem. Isso é perfeitamente natural, normal. Lembrem-se que talvez as pessoas que mais os insultam, são aquelas que não vos conhecem realmente. E por isso, que se lixem! Sejam vocês mesmos, e nunca, mas nunca deixem de seguir as vossas ideologias. E uma vez mais, quando alguém vos disser que não prestam, ou algo semelhante, recordem-se de todos os elogios que receberam até aquele momento e pensem se continuam a ser fiéis a vós próprios e se as vossas ideologias estão a ser cumpridas. Se isso está tudo confirmado, que se lixem as opiniões dos outros! 



Se a minha fonte de escrita és tu, então é preferível tolerar o sacrifício de deixar escrever. Se isso significa que deixarás de assombrar o meu coração, eu suporto tal sentença. És tal e qual uma sombra, uma peste que se entranha e se apodera da pobre carne. Essa mesma carne que outrora fora suave, da cor da neve e sem quaisquer vestígios. Após a tua passagem, a tez escurece, cicatrizes fixam-se em vários pontos e um cheiro de podridão predomina. Tenho medo. Tenho realmente muito medo. Estou aterrorizada. Sinto-me perdida. Esta nova descoberta de sentimentos confunde-me. Baralha-me. Estava tão bem, como estava. Porquê que tinhas que te exibir e apelares o meu interesse amoroso? Espera! Eu disse bem? Eu disse “amoroso”, olha só o meu estado! Estou completamente perdida! Essa tua doença podia apodrecer-me igualmente os olhos e o coração, para deixar de ver e sentir. Tal como o povo sábio português diz: “longe dos olhos, longe do coração”. Como é impossível afastares-te de mim, era benigno os meus olhos serem arrancados e o meu coração abatido. Sinto-me terrivelmente perdida. Isto é desconhecido, assustador. Que farei da minha vida? Se isto que sinto é estranho e tão, mas tão errado? Não busco respostas em ti, porque sei que jamais as encontrarei. (Sem ofensa, mas não tens capacidade para encontrar as tuas próprias respostas, quanto mais as minhas.) Noutra época, ter-te-ia suplicado que me protegesses… Hoje, não. Por favor, deixa-me. Deixa-me encontrar o meu próprio caminho. É isso, eis a solução! Caminhos separados, corações separados, sentimentos destruídos. Encontrei-me. 


Biografia

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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