És o sonho de qualquer mulher.
Quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que
protestar. É mais fácil, porque inicialmente, soa-nos mais apelativo,
convidativo a receber uma carícia do que um estalo. É-nos mais agradável uma
palavra doce do que um puxão de orelhas. E nesse momento de facilidade, – quando
o amor nos aparece, nos fala – estamos cegos. Mas é uma cegueira benigna,
inicialmente. Deixa-nos a suspirar pelos cantos, deixa-nos a sussurrar o nome
do amado, deixa-nos a sonhar acordados. Ou seja, um bálsamo para a alma. Porque
no momento em que o amor surge, aparece também uma solidão – que anteriormente
não a notamos. E ansiamos matá-la, extingui-la. E esse assassinato só é
possível com o amor. Mas como anteriormente referi, estamos cegos. E os beijos
começam a ser substituídos por dor, e os abraços por ignorância. Então, depois
de vivermos este momento doce – que nos atiçou o apetite – valerá a pena
suportar a fome? Porque esta refeição é
curta, é momentânea… mas simultaneamente, tão saborosa, tão aprazível. E chega
o momento em que exigimos repetir a dose. Mas, estará a pessoa amada disposta a
repeti-la? Oh, pudemos sempre tentar, não é verdade? E então, o outro decide doar
outro prato, nós provamos, e inocentemente ficamos dependentes. E a partir desse
momento, o outro sabe como seduzir-nos, como nos fazer cair. E aí está a
resolução inicial: quando se trata de amor, é mais fácil ceder do que protestar.
Porque no fim, nunca estaremos satisfeitos.
Umas palavras doces e um sorriso torto são a
solução. “Não falha”, pensam eles. “Este é diferente…”, pensam as mulheres
ingénuas. Somente uma troca de olhares, e o feitiço está lançado. Inicialmente,
um abraço ou um beijo na testa, são carícias meramente platónicas. Mais tarde, vem
o primeiro beijo. Depois, uma ânsia desconhecida apodera-se do corpo, e o contacto
com o outro torna-se pouco; ansiando, esperando, querendo mais, muito mais.
Após uma reflexão, e um suspiro concluído com um: “Eu amo-o”, fazem-nas entregar-se de corpo e alma ao ser que lhes predomina na alma, no coração e na mente.
Após uma reflexão, e um suspiro concluído com um: “Eu amo-o”, fazem-nas entregar-se de corpo e alma ao ser que lhes predomina na alma, no coração e na mente.
Fiando-se que o sentimento é recíproco, atiram-se de cabeça. Entregam-lhes o
seu coração, a sua alma e a sua virtude.
Os cavalheiros, que aparentam estar apaixonados, “amam-nas” duma forma arrebatadora. Pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos. Coração com coração – pensam elas. E sentem elas.
Mas eles já sabem a cantiga de cor e salteado, e no momento oportuno, no derradeiro momento da verdade, da entrega, fingem estar apaixonados irrevogavelmente. Citam umas palavras doces, e aproximam-se do corpo da “amada”… meticulosamente, estudam os seus passos e a reacção da presa. Porque eles são uns autênticos predadores, basta olhar-lhes nos olhos. As mulheres é que se deixam levar pelo amor, e têm os olhos turbos pela luxúria, pelo amor e pela ansiedade. Ao chegarem à presa, colocam o seu corpo colado ao desta, e acariciam a sua face e dizem-lhes olhos nos olhos, o quanto as amam, o quanto as desejam, o quanto são belas. Tudo mentiras. Porque esses seres desprezíveis – que são os homens – parecem herdar os cortejos falsos, a capacidade de enganar e mentir, e a ousadia dos seus antepassados, que também foram uns “quebra corações” e aproveitaram-se da sua virilidade, da sua beleza e do seu charme para seduzirem mulheres e raparigas inocentes para as suas camas.
Lentamente, elas deixam-se cair nos seus encantos, e o seu raciocínio deixa de funcionar, porque os lábios do amado estão em contacto com os seus, e vagarosamente, a pele é exposta ao ar e aos olhos do companheiro.
Após a virtude ser rompida, o nome do amado saí-lhe dos lábios inchados – devido aos beijos mais agressivos – como uma mantra.
Quando o “amor” é consumado – é tal e qual como elas imaginam – pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos, coração com coração. Mas não sabem elas, que aquele momento é a sua desgraça, é o momento em que doam o seu coração e a sua alma, para lhes ser devolvida denegrida, torpe.
Após o ápice, o homem liberta-a dos seus braços másculos, e deita-se na cama para o outro lado, como se não suportar-se olhá-la uma vez mais, e adormece.
Os cavalheiros, que aparentam estar apaixonados, “amam-nas” duma forma arrebatadora. Pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos. Coração com coração – pensam elas. E sentem elas.
Mas eles já sabem a cantiga de cor e salteado, e no momento oportuno, no derradeiro momento da verdade, da entrega, fingem estar apaixonados irrevogavelmente. Citam umas palavras doces, e aproximam-se do corpo da “amada”… meticulosamente, estudam os seus passos e a reacção da presa. Porque eles são uns autênticos predadores, basta olhar-lhes nos olhos. As mulheres é que se deixam levar pelo amor, e têm os olhos turbos pela luxúria, pelo amor e pela ansiedade. Ao chegarem à presa, colocam o seu corpo colado ao desta, e acariciam a sua face e dizem-lhes olhos nos olhos, o quanto as amam, o quanto as desejam, o quanto são belas. Tudo mentiras. Porque esses seres desprezíveis – que são os homens – parecem herdar os cortejos falsos, a capacidade de enganar e mentir, e a ousadia dos seus antepassados, que também foram uns “quebra corações” e aproveitaram-se da sua virilidade, da sua beleza e do seu charme para seduzirem mulheres e raparigas inocentes para as suas camas.
Lentamente, elas deixam-se cair nos seus encantos, e o seu raciocínio deixa de funcionar, porque os lábios do amado estão em contacto com os seus, e vagarosamente, a pele é exposta ao ar e aos olhos do companheiro.
Após a virtude ser rompida, o nome do amado saí-lhe dos lábios inchados – devido aos beijos mais agressivos – como uma mantra.
Quando o “amor” é consumado – é tal e qual como elas imaginam – pele com pele, lábios com lábios, olhos com olhos, coração com coração. Mas não sabem elas, que aquele momento é a sua desgraça, é o momento em que doam o seu coração e a sua alma, para lhes ser devolvida denegrida, torpe.
Após o ápice, o homem liberta-a dos seus braços másculos, e deita-se na cama para o outro lado, como se não suportar-se olhá-la uma vez mais, e adormece.
A
mulher – que acreditava que depois de se entregar ao amado, este iria abraçá-la
e juntos adormeceriam, para mais tarde reiniciarem a sua dança amorosa – encara
o tecto e revive os momentos tórridos que à pouco tempo viveu. E questiona-se o
porquê daquela reacção do companheiro. Poderá ter sido ela o problema? Que
poderá fazer ela para recompensar o seu querido? Após umas longas horas de
reflexão, as pálpebras cansam-se, e acaba por adormecer.
Mais tarde, acorda com um movimento estranho na cama. Repara que o seu companheiro se levantou e começou a apanhar as suas roupas caídas pelo chão do quarto – porque, horas antes, a ânsia, o desejo era tanto que o sítio onde as roupas foram postas era insignificante. E começa a vestir-se. Surpreendida, decide que é o momento oportuno para se levantar e declarar, uma vez mais, o seu amor.
Mais tarde, acorda com um movimento estranho na cama. Repara que o seu companheiro se levantou e começou a apanhar as suas roupas caídas pelo chão do quarto – porque, horas antes, a ânsia, o desejo era tanto que o sítio onde as roupas foram postas era insignificante. E começa a vestir-se. Surpreendida, decide que é o momento oportuno para se levantar e declarar, uma vez mais, o seu amor.
Enrola-se no lençol que outrora foi o único cúmplice daquela união, e
aproxima-se do homem, que este ignora, continuando a vestir-se. Ela estranha a
sua atitude, mas pensa que talvez seja impressão sua de que algo não esteja
bem, e começa a recitar-lhe palavras doces e melosas. O homem – como todos eles
são, impacientes e rudes – manda-a calar e diz-lhe que foi um caso duma só
noite. As lágrimas ameaçam-lhe os olhos, mas ela julga ter ouvido mal. Mas não...
esses seres desprezíveis quando dizem algo, é sempre literal.
Vestido,
dirige-se à porta, e nem um olhar retorna à mulher, e esta persegue-o pedindo
que reflicta sobre o que pensa fazer. Este repete-lhe que aquilo foi
insignificante, que foi uma aventura, e ela, desolada, deixa-se cair no chão,
que outrora esteve cheio das suas roupas e das dele. Quando a porta se fecha, é
nesse momento, que ouve o seu coração despedaçar-se e a realidade vir ao de
cima.
Foi usada. Foi usada por um ser desprezível que somente a quis para um
momento de satisfação momentânea. Agora, as lágrimas saem livres. Roga-lhe
milésimas pragas, deseja-lhe a morte e arrepende-se do sucedido. Mas sabe, que
apesar de conhecer – agora – a sua natureza, se ele regressasse e a seduzisse
para outro momento de paixão, ela aceitaria de olhos fechados, porque ele é o
homem da sua vida, é o homem que ama, e é o homem a quem entregou a sua virtude.
E são homens como estes que desgraçam as mulheres ingénuas, que se deixam levar pelas novas emoções, pelas descobertas.
E são homens como estes que desgraçam as mulheres ingénuas, que se deixam levar pelas novas emoções, pelas descobertas.
O ar da noite enfadava o quarto – com um leve odor de
eucalipto queimado, provavelmente devido aos incêndios perto daquela região.
Aquele quarto simples, com todas as paredes pintadas de branco, uma mobília de
mogno: duas mesinhas de cabeceira, um roupeiro, uma cómoda, e por cima da
mesma, um espelho redondo e uma cama de casal que anteriormente, lhe pareciam
tão familiares, e naquele momento não lhe transmitiam a tão conhecida
familiaridade. Não eram os móveis, nem o quarto que faziam com que o ambiente
se torna-se agradável. Era a própria pessoa em falta, a pessoa que preenchia o
outro lado da mesma cama, na qual ela estava deitada. Devido à falta da sua
presença, aproximou-se lentamente do lado vazio da cama… avançava centímetro a
centímetro, vagarosamente, na esperança de a qualquer momento colidir com o
corpo másculo e quente, que antes a abraçava todas as noites. Infelizmente o
lado oposto – outrora ocupado – estava vazio, frio e imaculado. Moveu a cabeça
da sua almofada, ocupando a outra, e imediatamente o perfume do seu companheiro
foi sentido. Espontaneamente, ajustou-se melhor na cama e colocou a cabeça para
baixo – o nariz em contacto com o algodão da forra da almofada – sentindo mais
profundamente o seu cheiro, e instantaneamente lágrimas invadiram os seus
olhos, molhando-a, e se fosse possível, intensificando o cheiro. Chorou até que
os seus olhos não conseguissem libertar mais água, esperneou até desmanchar os
cobertores e os lençóis, pediu socorro até a voz ceder – pediu socorro daquela
agonia, daquele abandono que se apoderava cada vez mais dela. Calou-se. Os
soluços cessaram, a voz perdeu-se e as lágrimas terminaram. A agonia persistia –
agora em silêncio. Como a noite. Silenciosa, mas pungente. Fechou os olhos e
desistiu. Deixou-se ser invadida por aquele sofrimento, e ser levada para a inconsciência.
Finalmente, adormeceu. Não foi um sono descansado, pelo contrário, sonhou que tinha
a seu lado o seu amor. O seu coração voltou a ganhar vida, o seu batimento
cardíaco tornou-se irregular; fazendo-a acordar. Ao acordar, relembrou-se da
agonia e da cama vazia. Novamente, uma sessão de gritos foi pronunciada, mas
uma mão calejada e quente, e junto duma voz doce terminaram o tormento:
– Shiuuuu… Estou aqui, estou aqui. – Abraçando-a disse.
A jovem ainda atordoada – pelo sono ou pelo espanto – levantou-se num ápice,
ficando sentada na cama, e defensivamente puxou todo seu cabelo para frente
tapando o rosto, colocou os joelhos juntos ao peito e com as mãos tapou os seus
ouvidos. E cantarolava, mexendo-se suavemente para a frente e para trás:
– Estou a sonhar… estou a sonhar…
– Estou a sonhar… estou a sonhar…
Ele vendo-a tão frágil, em tanta agonia, soltou um pranto. As
lágrimas alcançaram-lhe o rosto e, reflexivamente agarrou-se à mulher da sua vida,
e suavemente tirou-lhe ambas mãos, – que antes tapavam os seus ouvidos – e sussurrou-lhe
delicadamente:
– Olha para mim. Não estás a sonhar, meu amor.
Ela impressionada pelo seu sonho conseguir reproduzir o seu tom de voz tão
correctamente, arriscou em virar o rosto e olhar para a direcção de onde vinha
a voz e os braços que a circundavam.
– Oh meu Deus! Como é possível? É tão real… – E ao mesmo tempo, afagava-lhe o rosto, maravilhada com a beleza do seu amor.
– Oh meu Deus! Como é possível? É tão real… – E ao mesmo tempo, afagava-lhe o rosto, maravilhada com a beleza do seu amor.
Ele sentindo a necessidade de tocá-la, senti-la perto de si, colocou as suas
mãos por cima das da dela no seu rosto, e olho-lhe nos olhos húmidos:
– Sou eu… olha para mim, não vês? Estou aqui. Perdoa-me por não ter chegado mais cedo.
– Sou eu… olha para mim, não vês? Estou aqui. Perdoa-me por não ter chegado mais cedo.
– És mesmo tu? – Disse ela com uma voz receosa, pensando que quando falasse a
miragem do seu amor desaparecesse.
– Sou… – Retrocedeu, seguido duma risada seca.
Num ápice, ela agarrou-se a ele, como se a sua vida dependesse disso, e
espontaneamente ambos deitaram-se. Deitou-se no seu torso, sentido o seu
perfume mais carregado, e ele afagou-lhe os cabelos e cantarolava uma música
relaxante, exalando felicidade.
Amor… O amor. Uma palavra e infinitas definições. Tantos
conceitos, metáforas. Não me recordo, é de terem associado o amor à dor. Não é
paixão, é amor – ou agora passaram a ser sinónimos, e ninguém me disse nada? Olha
que traste, esse tal amor! Agora mudou de características… Optou por algo mais
dinâmico e sádico. E hoje estou num daqueles dias melancólicos, logo tenho uma
visão mais triste, e os meus sentimentos tornam-se negativos. Perfeito para
caracterizar este magnífico sentimento. Este sentimento que corrói pelas
entranhas do meu ser, tal e qual um reumatismo. Como um som ensurdecedor que irrita
o meu tímpano, tal e qual o zumbido dum insecto. Ou cortante e doloroso como
uma faca, deixando que o meu sangue goteje pela minha epiderme. Ou associe –
mais correctamente, talvez – ao fogo. No início, um calor confortável,
acolhedor e no fim um mal-estar abrasador, uma ardência desconfortável, pungente.
Não é assim toda a glória do amor? O primeiro, o segundo… o último. Um
sentimento perigoso, e envolve pessoas e mentalidades fracas, de fácil
influência. O amor não passa duma influência, dum mal-estar disfarçado, duma
mentira. Que se lixe o amor, e o resto. O amor não passa dum capricho, duma
ilusão. Que venha o desejo, o prazer, a luxúria, a
ganância, o egoísmo. Então… todo o ser humano é instintivo. Que venha a
animalidade. Que venha o hedonismo!
Poderia caracterizar-me com inúmeras palavras,
detalhadamente, mas opto pelo essencial. Sempre pelo essencial. Afinal de
contas, qual seria a piada, se antes de te apresentares, já saberes todos os pormenores
da minha vida? Por isso, aqui vai o essencial: não me considero uma rapariga “normal”.
Não me enquadro nesse “grupo”. Porquê? Porque não gosto das mesmas coisas, nem
penso da mesma forma que a maioria das raparigas. Sim, sou uma peça fora do
jogo. Que irónico! Gosto de ler. Gosto de escrever e de dormir. Muito, muito.
Sou uma pessoa bastante caseira. Queres proporcionar-me um momento romântico?
Liga a lareira, e estende-te comigo no sofá, enquanto observamos as labaredas arderem.
Adoro o Inverno. Frio, chuva e neve. Gosto muito de camisolas de lã. Chá quente,
de maçã e canela. Café. Não uso, nem gosto de maquilhagem. Odeio fazer compras.
Excepcionalmente livros e relógios. Um dos meus sonhos é ter uma grande biblioteca
em minha casa, daqui a uns anos. Os sons mais magníficos no mundo para mim, é o
dedilhar dum piano, e o batimento cardíaco da pessoa amada. Sou bastante
sentimentalista, apesar de não o demonstrar. Considero-me romântica. Teimosa,
muito teimosa. Determinada. Defendo com unhas e dentes as minhas opiniões e os
meus princípios. Sou uma mulher de palavra. Sou inteligente. Gosto de reflectir
e de aprender. Gosto de conversar sobre experiências passadas, livros lidos ou
até mesmo política. Interessa-me bastante. Justa. Provavelmente a minha maior
qualidade, e a que mais aprecio no mundo. Sincera. Muito mesmo. Digo o que
penso, e não tenho receio de ouvir opiniões controversas. Verdadeira.
Sarcástica. Muito mesmo. Adoro castanho e azul. Odeio praia. A minha peça de
roupa predilecta é as calças de ganga: porque são práticas e combinam com
absolutamente tudo. Uma boa distracção nos tempos livres será um romance nas
mãos, e embrulhada nos cobertores da minha humilde cama. Gosto bastante de
cinema. Mas prefiro a literatura e a música. Um dia, gostava de escrever um
livro. Gosto de música clássica. Quanto aos meus atributos físicos, lamento
desiludir-te mas não sou nada chamativa. Sou discreta – aliás gosto de coisas
discretas –, e não correspondo, sem margem de dúvida, a essa tal ideologia perfeccionista
de como a mulher deve realmente ser. Gosto do diferente, aliás. Mas adoro a
monotonia, o quotidiano. Apesar de em mim, esse “diferente” não seja positivo.
E realmente não me interessa o número de bíceps que possuís. Notarei mais rapidamente o teu grau de inteligência,
maturidade e o teu lado mais amoroso. Sou frágil, apesar de não parecer. Gosto
de dar aquele ar de mulher inquebrável. Infelizmente, sou quebradiça demais.
Sou trapalhona. E desastrada. Valorizo imenso o amor. Aliás, acho que o
verdadeiro significado da vida é amar e ser amado. Idealizo um amor
incondicional, arrebatador, eterno. Preciso de alguém que me respeite e me ame,
acima de tudo. Pelo que sou. Tenho oscilações – frequentes e constantes – de
humor. Irrito-me facilmente. O essencial está aqui. Desejo-te boa sorte, – porque
irás realmente precisar – e espero que realmente me ames e respeites pelo que
sou. Tenho bastante orgulho do que sou, apesar de ter inúmeros defeitos. Espero
aperfeiçoá-los contigo.
Os meus olhos cheios de lágrimas já protestam, o meu coração
está pesado, e o meu corpo já não resiste. De que nos vale ter alguém querido
na nossa vida? Não é preferível adoptar pela solidão eterna, sem afeições, sem
amor, sem dependência? Assim, quando essa pessoa for… não haverá transtorno,
dor, desilusão, perda. Devíamos ter a capacidade de possuir um botãozinho que
dissesse “desligar”, e nos abstraísse de tudo, o que nós sentimos. Sinceramente,
preferia viver na ignorância do sentimento, na indiferença. Como um coração
ferido, pode manter-se vivo? Estou psicologicamente e fisicamente, cansada.
Melancólica. Perdida. E ainda não aceitei os factos. Custar perder alguém que
amamos. Queria poder arrancar do meu coração e da minha mente, imagens,
lembranças das pessoas passadas. Faz mal esta agonia, esta dependência, esta
perda.
(Aonde quer que estejas, descansa em paz. Obrigada pela
educação, mimo e amor que me deste durante estes anos todos. Adoro-te muito,
padrinho! Não imaginas a falta que nos farás.)
O amor precisa de organizar as suas prioridades. Os seus
objectivos, os seus limites – se os tiver. O amor nunca se torna rotina. Todos
os dias, haverá uma descoberta, um momento diferente. O amor deverá ser louco,
incondicional, irrevogável, ilimitado, eterno, profundo, sincero, bondoso,
verdadeiro, sublime. Qual será a forma correcta de amar? No meu ver, o simples
acto de amar é o correcto. Desde que exista amor, tudo é certo. Como é possível
saber qual é o momento, a altura ideal para começar a amar? Não há. Não podemos
aguardar a pergunta: “Estás pronta?”. Qual seria a nossa resposta?! O amor é espontâneo,
surge por acaso. E qual será a pessoa certa para doá-lo? A pessoa certa é
aquela que o nosso coração chama. Eu diria que tenho, uma tendência por me
apaixonar por idiotas. Mas afinal, qual será o homem certo para mim? Terá olhos
castanhos, azuis ou verdes? E a sua cor de cabelo? A sua personalidade? Apenas
poderei exigir duas coisas vindas dele: amor e respeito. Quando o amor surgir,
eu não terei tempo para responder: “Sim, estou pronta!”. No momento da
resposta, já me atirei de cabeça para esse amor, já perdi o meu coração, e já
entreguei a minha alma. E depois… apenas me basta que ele corresponda.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Biografia
- Sara Almeida
- Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.


