Apaixono-me um pouco mais, em cada noite. Sou sempre a primeira a ter o pijama vestido, e os dentes lavados. Deito-me, à tua espera. No instante seguinte, deitas-te sorrateiramente, pensando num: “não a quero acordar”. Ficas muito quietinho, à espera que eu me vire para o teu lado. Num ápice, viro-me, e encontramo-nos, olhos nos olhos. Com um sorriso maroto, pensas tu: “afinal, estavas acordada”. Esticas o corpo, e eu rendo-me. Coloco a minha cabeça, e as minhas mãos no teu peito, encosto-me o máximo a ti. E é aí, que começas a cantarolar-me muito baixinho. É impossível contrafazer, ou contradizer. Estou, por completo, rendida. Colocas a tua mão, lentamente, em volta da minha cintura. E durante toda a noite, aí permanece. Afastas-me o cabelo com a outra mão, e eu estico-me o máximo, até alcançar o teu rosto. Correspondes-me com um beijo, sem fôlego, e bastante entusiasmado. Volto a deitar-me em teu peito, e embalas-me. Acabas sempre, por repercutir o mesmo:
– Dorme bem…
Mas deixas sempre uma ideia no ar, nunca percebi bem o quê. Tenho a sensação que te falta coragem, de dizer algo mais. Um dia destes, quando o cansaço não vencer tão cedo, irei perguntar-te, se queres dizer-me algo mais. Volto a observar-te, inclino o rosto para cima, e sorrio-te de relance, e volto à posição anterior. Respiro fundo, e deixo-me levar. Pela tua cantoria suave, e pelas tuas mãos carinhosas. Nunca adormeci duma forma tão boa. Já não imagino adormecer doutra forma, a não ser desta.

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Natural de Neuchâtel, Suíça. Actualmente, vivo em Coimbra, Portugal.

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